Mercados em movimento
Por REDAÇÃO
22 de julho de 2026 às 19:06 ▪ Atualizado há 59 minutos
O dólar terminou a quarta-feira (22) em queda e registrou o menor valor de fechamento desde 2 de junho. A cotação foi pressionada por uma combinação de alta do petróleo no exterior, retorno do fluxo de recursos estrangeiros e maior interesse por aplicações no Brasil, em um cenário de juros domésticos elevados.
O movimento também favoreceu a Bolsa brasileira. O Ibovespa subiu mais de 2%, voltou a superar os 177 mil pontos e interrompeu uma sequência recente de perdas. No mesmo dia, o petróleo avançou mais de 3% no mercado internacional, sustentado por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Dólar à vista: R$ 5,053 (queda de 0,42%)
Ibovespa: 177.547,57 pontos (alta de 2,44%)
Petróleo Brent (setembro): US$ 94,07 (alta de 3,36%)
Petróleo WTI (setembro): US$ 86,83 (alta de 2,95%)
Dólar no ano: -7,95%
Ibovespa em 2026: +10,19%
No mercado à vista, o dólar comercial recuou 0,42% e encerrou cotado a R$ 5,053. Foi a terceira sessão seguida de desvalorização da moeda norte-americana, em um ambiente mais favorável a ativos brasileiros.
Parte da explicação está no fluxo de investimento estrangeiro. Com a diferença entre os juros praticados no Brasil e nos Estados Unidos, investidores voltaram a olhar para o país em busca de retorno, o que tende a aumentar a oferta de dólares e aliviar a cotação.
Ao longo do pregão, a moeda chegou a oscilar para cima no começo das negociações. Depois, passou a perder força com a abertura do mercado de ações e acompanhou o avanço do Ibovespa, além do desempenho positivo de outras moedas de emergentes.
A valorização do petróleo também entrou na conta do câmbio. Com o barril voltando a se aproximar de US$ 95, o mercado passou a considerar melhores perspectivas para a balança comercial do Brasil, já que o país é exportador líquido da commodity.
Em geral, preços mais altos do petróleo podem aumentar a entrada de dólares via exportações, o que contribui para reduzir pressões no câmbio. Esse efeito é acompanhado de perto porque influencia expectativas para contas externas e para o desempenho de empresas ligadas ao setor de energia.
Apesar da entrada em vigor da tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros e do anúncio de novas medidas do governo para apoiar empresas afetadas, a repercussão no mercado de câmbio foi considerada contida.
Operadores avaliaram que esses eventos já vinham sendo amplamente incorporados aos preços, reduzindo o potencial de surpresa no curto prazo. Assim, a influência dos fluxos financeiros e do ambiente externo acabou pesando mais na formação da taxa.
Dados divulgados pelo Banco Central ajudaram a sustentar o cenário mais construtivo. O fluxo cambial total acumulado em 2026 até julho ficou positivo em US$ 17,946 bilhões.
Segundo as estatísticas, o resultado reflete principalmente uma melhora do fluxo financeiro na comparação com o mesmo período do ano anterior, sinalizando entrada maior de recursos pelo canal de investimentos e operações financeiras.
O Ibovespa avançou 2,44% e fechou aos 177.547,57 pontos, o melhor nível desde o dia 10. O índice encerrou uma sequência de cinco sessões consecutivas de queda, com uma recuperação ampla entre os principais setores da carteira.
O desempenho foi puxado por ações de bancos, empresas de mineração e, sobretudo, companhias ligadas ao petróleo. O avanço do barril no exterior reforçou o apetite por papéis do setor e deu tração adicional ao índice.
A Petrobras, que concentrou grande parte do volume negociado, acompanhou o movimento do petróleo. As ações ordinárias da estatal subiram 2,39%, enquanto as preferenciais avançaram 2,21%.
Analistas também apontaram que o mercado brasileiro se beneficiou do retorno do investidor estrangeiro em busca de oportunidades em ativos considerados baratos em comparação com a Bolsa dos Estados Unidos. Isso ocorreu mesmo com os principais índices de Nova York fechando em queda.
Os contratos futuros de petróleo encerraram a quarta sessão consecutiva de valorização. A alta foi sustentada pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo receio de interrupções no transporte marítimo em rotas estratégicas do Oriente Médio.
No fechamento, o Brent para setembro subiu 3,36% e terminou em US$ 94,07 por barril, referência global de preços. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 2,95% e fechou a US$ 86,83.
O mercado acompanha com atenção riscos de bloqueio nos estreitos de Ormuz e de Bab-el-Mandeb, corredores fundamentais para o comércio internacional de petróleo. Ameaças do grupo Houthi, no Iêmen, e novas declarações de autoridades iranianas aumentaram o temor de redução de oferta, mesmo após os Estados Unidos reportarem alta dos estoques acima do esperado na semana anterior.
* Com informações da Reuters.
Fonte: Agência Brasil
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