Saúde e Justiça
Por Admin
14 de março de 2026 às 09:00
O médico Claudio Birolini afirmou na noite de sexta-feira (13) que o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inspira forte preocupação, apesar de sinais de estabilidade. Segundo ele, o quadro é “extremamente grave” e envolve risco de vida devido a complicações respiratórias.
A declaração foi dada durante entrevista no hospital DF Star, em Brasília, onde Bolsonaro está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Também participaram da conversa com jornalistas os médicos Leandro Echenique e Brasil Caiado.
De acordo com os médicos, Bolsonaro está com broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões. A condição afeta estruturas como bronquíolos e alvéolos, comprometendo a troca de oxigênio e exigindo monitoramento intensivo.
Birolini explicou que a equipe já vinha chamando atenção, em relatórios médicos anteriores, para a possibilidade de pneumonia aspirativa. Ele destacou que o retorno desse tipo de complicação coloca o paciente em uma situação considerada crítica.
O boletim divulgado pelo DF Star no início da tarde de sexta-feira relatou que o ex-presidente deu entrada com febre alta, queda na saturação de oxigênio, suor intenso e calafrios. O comunicado indicou piora clínica compatível com infecção respiratória e necessidade de cuidados em terapia intensiva.
A internação ocorreu após um mal-estar durante a madrugada, quando Bolsonaro estava detido no Complexo Penitenciário da Papuda, na ala conhecida como Papudinha. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, ele apresentou indisposição súbita em sua cela e recebeu atendimento da equipe médica de plantão.
Após a avaliação inicial, os profissionais entenderam que o caso exigia remoção imediata para uma unidade hospitalar. A transferência foi feita para o DF Star, onde o ex-presidente passou por exames de imagem e análises laboratoriais.
Os médicos relacionaram a infecção pulmonar à aspiração de conteúdo gástrico, situação que pode ocorrer em episódios de refluxo. Esse tipo de aspiração favorece a entrada de líquidos do estômago nas vias respiratórias, elevando o risco de inflamação e infecção.
Bolsonaro apresenta episódios de soluços desde que foi esfaqueado durante a campanha eleitoral de 2018, e o histórico de alterações gastrointestinais é citado como fator relevante no contexto clínico atual.
Na chegada ao hospital, ele utilizava suporte de oxigênio por via nasal. A equipe médica iniciou tratamento com dois antibióticos administrados por via intravenosa, além de manter acompanhamento contínuo na UTI.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro permaneça como acompanhante durante a internação. Moraes também liberou visitas dos filhos do ex-presidente: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Carlos Bolsonaro, Jair Renan (PL-SC) e Laura.
A autorização ocorre no contexto da custódia do ex-presidente e da necessidade de conciliar regras do sistema prisional com a situação médica que demanda permanência em ambiente hospitalar.
O ex-presidente havia recebido alta em 1º de janeiro, após passar por uma cirurgia de hérnia. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou um pedido da defesa para que a prisão fosse convertida em domiciliar.
Bolsonaro foi condenado por liderar uma trama golpista após a derrota nas eleições de 2022. Ele acabou preso na sede da Polícia Federal em 22 de novembro, depois de, segundo o caso, tentar violar a tornozeleira eletrônica. Antes desse episódio, cumpria prisão em sua residência.
Em janeiro, ocorreu a transferência para a Papudinha. Já em março, a defesa apresentou nova solicitação de prisão domiciliar, novamente negada por Moraes. A decisão foi posteriormente confirmada pela Primeira Turma do STF.
Nos pedidos apresentados, a defesa sustenta que manter Bolsonaro na Papudinha representaria risco à saúde, citando limitações estruturais do cárcere e a necessidade de “arranjos contingentes” para atender demandas médicas, o que, segundo os advogados, seria difícil de sustentar ao longo do tempo.
Ao justificar as negativas, Moraes afirmou haver adequação do ambiente prisional para atender às necessidades médicas do detento, com respeito à saúde e à dignidade. O ministro também mencionou o episódio envolvendo a tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica.
As informações foram divulgadas com dados atribuídos à Folhapress, com reportagem de Isadora Albernaz.
Fonte: UrbNews
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