POLÍTICA
Por Ana Cecilia de Carvalho Paiva
20 de julho de 2026 às 11:17 ▪ Atualizado há 14 horas
A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano já movimenta os bastidores da corrida presidencial de 2026. O tema deve ganhar espaço no debate eleitoral e será explorado pelas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontados como principais adversários na disputa pelo Palácio do Planalto.A sobretaxa foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida é resultado de uma investigação conduzida pelo órgão, que apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. A previsão é que a nova tarifa entre em vigor no próximo dia 22 de julho.
Apesar da decisão, uma lista de produtos estratégicos ficará de fora da taxação, entre eles carne bovina, café e suco de laranja.
Nos bastidores, integrantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro admitem que a medida será utilizada como um dos principais temas da campanha presidencial. Mesmo com tentativas de negociação por parte do Itamaraty para evitar a sobretaxa, o governo brasileiro já trabalhava com a possibilidade de confirmação da decisão e buscava afastar a responsabilidade do Palácio do Planalto sobre a medida.No governo federal, a avaliação é de que a tarifa possui motivação política. A estratégia da campanha do presidente Lula será associar a decisão à atuação de aliados da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo interlocutores do Planalto, a campanha petista pretende sustentar que integrantes do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro contribuíram para o desgaste das relações entre os dois países e influenciaram na adoção das sanções comerciais. Entre as ações planejadas está a ampliação do uso da expressão "Tariflávio", em referência ao senador Flávio Bolsonaro.
Além disso, o PT também pretende reforçar críticas às viagens e reuniões realizadas por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo encontros com Donald Trump, integrantes do governo norte-americano e participação em audiência promovida pelo USTR. A legenda ainda deve intensificar o discurso de que o senador teria atuado contra os interesses do Brasil.
Por outro lado, aliados de Flávio Bolsonaro rejeitam a narrativa do governo e afirmam que a decisão do governo norte-americano decorre de questões comerciais e diplomáticas entre os dois países, sem relação com a atuação do senador. Até a publicação desta matéria, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado oficialmente sobre a estratégia do PT de associar seu nome à sobretaxa. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento do parlamentar.
Com a confirmação da medida norte-americana, a expectativa é de que os impactos econômicos da tarifa e a disputa sobre a responsabilidade política pela decisão passem a ocupar papel central no cenário eleitoral de 2026.
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