Diplomacia e frutas
Por Admin
23 de abril de 2026 às 15:47
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23), durante evento em Planaltina, que pretende presentear o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump com um pé de jabuticaba e maracujá. Em tom de brincadeira, Lula disse que a ideia seria “acalmar” o norte-americano, associando as frutas a um efeito tranquilizante.
A declaração foi feita durante a participação do presidente na Feira Brasil na Mesa, organizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No mesmo comentário, Lula também citou que gostaria de levar jabuticaba ao líder chinês Xi Jinping em futuras viagens.
Ao conversar com o público e pesquisadores, Lula emendou uma sequência de comentários bem-humorados sobre levar frutas típicas do Brasil como presentes em agendas internacionais. Ele mencionou explicitamente Trump e Xi Jinping, afirmando que tentaria oferecer jabuticaba e também maracujá, fruto popularmente associado a propriedades calmantes.
O presidente não detalhou se a lembrança seria parte de uma agenda oficial, mas usou a fala como gancho para defender a valorização de produtos nacionais e da biodiversidade brasileira.
A fala de Lula ocorre em um momento em que Brasil e Estados Unidos voltaram a atravessar um período de tensão diplomática. O episódio citado no entorno do debate envolve a detenção e posterior liberação do ex-deputado Alexandre Ramagem em território norte-americano.
Segundo o relato divulgado, o caso levou o governo dos EUA a determinar a retirada de um delegado da Polícia Federal que atuava no país. Em resposta, o Palácio do Planalto sinalizou que adotaria medidas com base no princípio da reciprocidade.
Apesar do tom descontraído da declaração, o pano de fundo é de sensibilidade nas relações bilaterais, especialmente quando decisões de autoridades de um país provocam reações formais do outro.
A ideia de usar jabuticaba como “presente” a Trump já havia sido mencionada por Lula em outra ocasião. No ano passado, em meio a um cenário de tarifas de 50% atribuídas a Trump sobre produtos brasileiros, o presidente também disse que levaria a fruta ao líder norte-americano.
Na avaliação de aliados, o tipo de comentário costuma buscar leveza em temas com potencial de atrito comercial ou diplomático, ao mesmo tempo em que chama atenção para itens associados à identidade e à produção brasileira.
A Feira Brasil na Mesa é promovida pela Embrapa e tem como objetivo incentivar conhecimento, valorização e consumo de alimentos e bebidas ligados à sociobiodiversidade do país. O evento também destaca a contribuição da pesquisa agropecuária e de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável.
Durante a visita, Lula esteve acompanhado de pesquisadores e percorreu áreas de demonstração do que foi apresentado como “pomar da ciência”. O espaço reúne cultivos e estudos voltados para espécies como baunilha, açaí, pitaya e maracujá, entre outras frutas.
A programação busca aproximar o público de tecnologias e experiências aplicadas à produção de alimentos, além de reforçar a importância de cadeias produtivas vinculadas a biomas brasileiros.
Além das referências a líderes estrangeiros, Lula aproveitou o evento para defender que o Brasil explore melhor o próprio potencial produtivo. Ele afirmou que, apesar de o país ter capacidade “extraordinária”, nem sempre consegue transformar essa força em benefícios concretos.
O presidente também ressaltou que a prioridade em exportar pode fazer o país subestimar o mercado interno. Na sua avaliação, o Brasil tem um público consumidor amplo e diverso, incluindo uma classe média capaz de absorver parte do que normalmente é pensado para vendas à Europa, à China e aos Estados Unidos.
A mensagem, no contexto da feira, foi de incentivo à circulação nacional de alimentos e bebidas produzidos no país, valorizando itens nativos e cadeias de produção associadas à biodiversidade.
Ao citar jabuticaba e maracujá, Lula recorreu a frutas fortemente associadas ao imaginário brasileiro. A jabuticaba, típica de quintais e pomares do país, costuma ser usada como símbolo de algo “muito brasileiro”. Já o maracujá é amplamente consumido e frequentemente ligado, no senso comum, a efeitos relaxantes.
Em discurso público, esse tipo de referência pode funcionar como elemento de aproximação com a plateia e, ao mesmo tempo, como vitrine informal de produtos nacionais em ambientes de discussão sobre economia, pesquisa e relações internacionais.
Fonte: UrbNews
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