Política e agronegócio
Por Admin
23 de abril de 2026 às 13:19
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, participou nesta quarta-feira (22) da abertura da Norte Show, feira voltada ao agronegócio realizada em Sinop, no norte de Mato Grosso. No evento, ele chegou a conduzir um trator exibindo a bandeira do Brasil, gesto que foi usado como símbolo de aproximação com o setor produtivo.
A movimentação do parlamentar na cidade incluiu uma recepção com motociata. Desde o desembarque no aeroporto, por volta das 14h40, até a chegada ao Parque de Exposições, onde ocorre a feira, apoiadores acompanharam a comitiva em um trajeto que chamou a atenção pela presença de lideranças políticas locais e estaduais.
A comitiva de Flávio Bolsonaro contou com a presença do governador Mauro Mendes (União) e do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), além de vereadores e parlamentares. O grupo participou do deslocamento pela cidade ao lado de apoiadores, em uma ação que reforçou o caráter político da visita à feira.
A Norte Show é considerada um dos principais encontros do agronegócio no estado e reúne produtores, empresas e representantes do setor. A participação do senador ocorreu na abertura do evento, que tradicionalmente serve de espaço para discursos sobre temas ligados ao campo e à economia regional.
Durante a passagem pela feira, o senador comentou propostas adotadas pelo governo federal e indicou como agiria caso seja eleito presidente. Um dos alvos foi a política de demarcação de terras indígenas, tema que tem gerado embates entre setores do agronegócio, ambientalistas e comunidades tradicionais.
Ao mencionar iniciativas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Flávio afirmou que considera a demarcação um entrave ao agronegócio e disse que, em um eventual governo, não permitiria a criação de novas áreas desse tipo em Mato Grosso. Ele argumentou que o estado tem vocação econômica voltada à produção agropecuária.
O posicionamento segue uma linha já adotada por setores políticos alinhados ao bolsonarismo, que defendem maior segurança jurídica para produtores rurais e criticam processos de demarcação por entenderem que podem atingir áreas produtivas.
Além das declarações direcionadas à agenda do campo, o senador também voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação dele, haveria interferência no processo eleitoral, com menção direta ao ministro Alexandre de Moraes.
Flávio afirmou que integrantes da Corte estariam tentando influenciar o cenário político e sugeriu que decisões judiciais poderiam impactar o resultado das eleições de 2026. A fala reforça um discurso recorrente em grupos bolsonaristas, que questionam a atuação do Judiciário em temas ligados à política e ao processo eleitoral.
O STF, por sua vez, tem atuado em diversos casos envolvendo desinformação, ataques às instituições e investigações sobre atos antidemocráticos, o que tem colocado a Corte no centro do debate público nos últimos anos.
No tema da segurança pública, o senador defendeu medidas mais duras contra o crime organizado. Entre as propostas citadas, ele falou em aumento de penas, mudanças na legislação e foco em estratégias para combater a lavagem de dinheiro, apontada como uma das bases financeiras das facções.
Flávio também afirmou que o governo federal deveria classificar organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A ideia, em geral, é defendida por políticos que avaliam que esse enquadramento poderia ampliar instrumentos de repressão e cooperação internacional no combate ao crime.
Especialistas em segurança e juristas costumam divergir sobre a medida, com discussões sobre os efeitos práticos e a adequação do enquadramento ao ordenamento jurídico brasileiro.
A presença de Flávio Bolsonaro na abertura da Norte Show, somada ao formato da recepção e às declarações políticas, transformou a feira em um espaço de visibilidade para a pré-campanha. Mato Grosso tem peso relevante no agronegócio nacional e costuma ser alvo de agendas políticas ligadas ao setor, especialmente em anos de construção eleitoral.
Ao adotar um tom crítico ao governo federal, defender pautas alinhadas ao campo e reforçar discursos sobre Judiciário e segurança pública, o senador sinalizou prioridades que devem aparecer com frequência em sua atuação política até 2026.
A programação da feira segue nos próximos dias em Sinop, com exposições, palestras e encontros entre produtores e empresas do setor, em um ambiente que combina negócios e debates sobre políticas públicas para o agronegócio.
Fonte: UrbNews
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