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Lula ironiza Nobel da Paz para Trump e cobra reforma da ONU em Lisboa

Lula está em Portugal e se reuniu com o primeiro-ministro do país

Por Admin

21 de abril de 2026 às 21:30


Lula ironiza Nobel da Paz para Trump e cobra reforma da ONU em Lisboa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21), durante visita oficial a Portugal, que seria melhor conceder “logo” o Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração, feita em tom de ironia em conversa com jornalistas, foi acompanhada de críticas à falta de mecanismos internacionais capazes de conter a escalada de conflitos no planeta.

Segundo Lula, o presidente norte-americano tem feito afirmações frequentes sobre supostos esforços para encerrar guerras. Para o brasileiro, premiar Trump poderia servir como um incentivo para que o mundo deixasse de conviver com tantos confrontos armados.

“A gente vê quase todo dia declarações do presidente Trump dizendo que já acabou com várias guerras e que ainda não recebeu o Nobel”, comentou Lula. Em seguida, completou: “Se derem logo o Nobel, talvez não tenha mais guerra e o mundo possa viver em paz”.

Declaração em Portugal ocorre durante agenda na Europa

Lula cumpre uma viagem oficial pela Europa. Antes de chegar a Portugal, o presidente passou por compromissos na Espanha e na Alemanha. Depois da etapa portuguesa, ele tem retorno previsto a Brasília.

As falas sobre Trump e o Nobel ocorreram durante atendimento à imprensa no país europeu, em mais um momento em que o presidente brasileiro dedicou parte do discurso à situação internacional e ao papel de organismos multilaterais.

Lula diz que o mundo vive a maior onda de conflitos desde a Segunda Guerra

No mesmo pronunciamento, Lula reforçou uma avaliação que tem repetido em discursos recentes: a de que o planeta enfrenta atualmente o maior número de guerras e tensões desde a Segunda Guerra Mundial.

Para o presidente, chama atenção a ausência de uma instituição internacional com força política suficiente para “dizer a palavra paz” e atuar como mediadora efetiva entre as partes em conflito.

Na avaliação do chefe do Executivo, a multiplicação das guerras expõe uma fragilidade do sistema internacional, justamente em um momento em que disputas regionais e interesses geopolíticos têm produzido novos focos de instabilidade.

Defesa do multilateralismo e crítica ao unilateralismo

Ao abordar o cenário global, Lula reiterou que se coloca como defensor do multilateralismo — a cooperação entre países por meio de regras e instituições comuns — e voltou a criticar práticas que considera prejudiciais, como o unilateralismo e o protecionismo.

O presidente também afirmou que o Brasil vem atuando em uma “jornada” internacional para impulsionar mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas, tema que o governo brasileiro considera estratégico na política externa.

Segundo Lula, o objetivo é atualizar a estrutura de governança global para que a ONU recupere capacidade de agir com credibilidade e eficácia diante do aumento de guerras e crises humanitárias.

Reforma do Conselho de Segurança da ONU volta ao centro do discurso

Lula defendeu que alterações no sistema das Nações Unidas devem mirar pontos essenciais do funcionamento da entidade. Para ele, é necessário adequar o estatuto da ONU ao propósito para o qual foi criada em 1945, no pós-guerra, quando a instituição surgiu com a missão de promover paz, segurança e cooperação entre os países.

O presidente argumentou que, sem ajustes, o mundo seguirá convivendo com um cenário em que não existe uma instância capaz de moderar tensões, aproximar adversários e contribuir para a construção de acordos duradouros.

Na prática, a cobrança de Lula se concentra no Conselho de Segurança, órgão responsável por decisões sobre sanções e autorizações de ações internacionais. O Brasil defende, há anos, uma reforma que amplie a representatividade do conselho, com mudanças na composição e nos mecanismos de deliberação.

Ironia sobre Nobel se soma a críticas sobre a falta de mediação global

Embora a fala sobre o Nobel da Paz para Trump tenha sido marcada por sarcasmo, ela se encaixa na mensagem mais ampla de Lula: a de que o sistema internacional não tem respondido à altura dos desafios atuais.

Ao colocar o prêmio como um possível “atalho” para estimular declarações e ações em favor da paz, o presidente buscou evidenciar a contradição entre discursos políticos e a persistência de conflitos ao redor do mundo.

As declarações foram registradas durante a cobertura da visita presidencial a Portugal. As informações são da Agência Brasil.

Fonte: UrbNews



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