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Lula chega à Alemanha para a Hannover Messe e negocia acordos bilaterais

O presidente foi recebido com honras militares no Palácio Herrenhausen, em Hannover, e discursará em evento que abre oficialmente a feira

Por Admin

19 de abril de 2026 às 14:58


Lula chega à Alemanha para a Hannover Messe e negocia acordos bilaterais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na Alemanha na manhã deste domingo (19) para cumprir uma agenda voltada à indústria e à ampliação das parcerias com o governo alemão. Lula é o convidado de honra da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, que em 2026 tem o Brasil como país homenageado.

A visita prevê dois dias de compromissos em Hannover ao lado de Friedrich Merz, primeiro-ministro alemão. A comitiva brasileira inclui seis ministros, representantes do setor empresarial e lideranças sindicais, em um roteiro que combina eventos oficiais, reuniões de governo e articulação com a indústria.

Honras militares e abertura oficial da feira

Na tarde deste domingo, Lula deve ser recebido com cerimônia militar no Palácio Herrenhausen, em Hannover. O presidente também participa do evento de abertura oficial da Hannover Messe, onde fará discurso para autoridades e lideranças empresariais.

O cronograma inclui ainda um jantar reservado entre Lula e Merz, iniciativa que busca dar tom político a uma programação voltada a investimentos, comércio e inovação industrial.

Encontro econômico e consultas intergovernamentais

Na segunda-feira (20), o presidente brasileiro participa do tradicional tour inaugural pela exposição ao lado do premiê, prática comum na feira. Em seguida, Lula abre a 42ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, fórum que reúne empresários dos dois países e costuma servir como vitrine para anúncios e sinalizações de parceria.

Depois, está prevista a terceira reunião das Consultas Intergovernamentais de Alto Nível, mecanismo bilateral que reúne ministros e equipes técnicas em diversas áreas. A Alemanha mantém esse formato com menos de dez países, e o Brasil é o único da América Latina incluído nesse grupo.

A expectativa do governo e do setor privado é que as discussões resultem em novos entendimentos e acordos em áreas como energia, serviços digitais, meio ambiente e recursos naturais.

Expectativas: clima, fundo florestal e minerais críticos

Organizações ambientalistas acompanham a visita com a expectativa de que Lula trate do financiamento internacional para conservação florestal. Um dos temas citados por entidades é a possibilidade de o presidente pedir à Alemanha que amplie sua contribuição de 1 bilhão de euros ao Fundo Florestas para Sempre (TFFF), com a proposta de triplicar o valor.

Do lado industrial, há expectativa por avanços em agendas consideradas estratégicas e sensíveis, como armamentos e minerais críticos. Esses insumos, essenciais para a transição energética e para cadeias tecnológicas, têm sido alvo de disputa global e são apontados como gargalo para a indústria europeia.

A passagem de Lula pela Europa incluiu, antes da Alemanha, uma etapa em Barcelona. Na Espanha, Brasil e governo espanhol assinaram 15 acordos de cooperação, com destaque para iniciativas relacionadas a minerais críticos, um tema que ganhou peso nas negociações internacionais e no planejamento industrial do continente.

Comércio Brasil-Alemanha e o acordo UE-Mercosul

A Alemanha ocupa a posição de quarto maior parceiro comercial do Brasil. No ano passado, a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 20,9 bilhões, segundo os dados citados na viagem.

Empresários e interlocutores com atuação bilateral avaliam que o cenário internacional pode favorecer uma aproximação maior entre Brasília e Berlim, em meio a mudanças na dinâmica geopolítica. Também aparece como fator relevante a perspectiva de entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul, visto por setores dos dois lados como potencial catalisador de novos negócios.

Brasil e Alemanha são as maiores economias e defensores do tratado dentro de seus respectivos blocos, o que aumenta a atenção sobre possíveis sinalizações durante a agenda em Hannover.

Presença brasileira na Hannover Messe

Como país homenageado, o Brasil terá destaque com seis pavilhões na Hannover Messe. A participação reúne mais de 140 empresas e startups brasileiras, com exposição que inclui desde veículos pesados movidos a biocombustível até soluções de serviços digitais de companhias de menor porte.

A organização do pavilhão brasileiro estima a presença de pelo menos 800 executivos do país no evento, reforçando o foco em conexões comerciais, inovação e atração de investimentos para a indústria.

Visita à Volkswagen em Wolfsburg com sindicalistas

Também na segunda-feira, Lula deve visitar a sede da Volkswagen, em Wolfsburg. A agenda inclui a presença de lideranças sindicais do ABC paulista, de Taubaté (SP) e de Curitiba (PR), regiões onde a montadora tem fábricas no Brasil.

A viagem tem um componente simbólico: nos anos 1970, Lula, então dirigente sindical, esteve à frente de greves e negociações salariais envolvendo trabalhadores na unidade brasileira da empresa, em São Bernardo do Campo (SP).

Escala em Lisboa antes de voltar ao Brasil

Após os compromissos na Alemanha, o presidente faz escala em Lisboa, onde deve se reunir com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o novo presidente português, António José Seguro. Em seguida, retorna ao Brasil.

Repercussão na imprensa alemã e contexto econômico

Veículos de comunicação na Alemanha têm destacado o peso da visita para a economia local, historicamente orientada para exportações e que enfrenta um período de forte pressão externa. Entre os fatores citados estão o endurecimento do comércio internacional com tarifas associadas ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e a competição comercial e tecnológica com a China.

Em tom mais leve, a imprensa também repercutiu uma declaração de Lula à revista Der Spiegel, na qual o presidente mencionou o desejo de comer um sanduíche de Wurst, tradicional salsichão alemão, em um quiosque de rua. A lembrança foi associada ao convite feito por Lula para que Merz conheça “botecos” de Belém.

O comentário ganhou atenção após um episódio do ano passado, quando Merz viralizou ao fazer uma fala considerada depreciativa sobre a capital paraense após participação ligada à COP30. O assunto foi reduzido de tom pelos dois líderes posteriormente, durante encontro do G20 na África do Sul.

Com informações de José Henrique Almirante, da Folhapress.

Fonte: UrbNews



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