Diplomacia internacional
Por Admin
18 de abril de 2026 às 18:15
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o tom contra o Conselho de Segurança da ONU neste sábado (18), durante encontro com líderes internacionais em Barcelona, na Espanha. Na avaliação do brasileiro, o órgão perdeu capacidade de cumprir o objetivo original de preservar a paz global e se distanciou do papel que motivou sua criação no pós-Segunda Guerra.
Lula apontou que o debate sobre conflitos e regras internacionais deveria estar centralizado nas Nações Unidas, mas, segundo ele, isso não ocorre porque a organização deixou de refletir a missão para a qual foi desenhada. O presidente também criticou decisões tomadas por países sem coordenação multilateral, tema que atravessou boa parte de seu discurso.
Ao comentar a estrutura do Conselho de Segurança, Lula direcionou suas críticas aos cinco integrantes com assento permanente e poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Para o presidente, a configuração atual concentra influência e trava respostas mais efetivas diante de crises internacionais.
Ele defendeu que os integrantes do órgão se reúnam para rever condutas e afirmou que a discussão sobre governança global precisa ganhar frequência e espaço permanente na agenda internacional. Lula também criticou o que classificou como ambiente de escalada retórica na política externa, em referência a ameaças e posturas beligerantes divulgadas publicamente por chefes de Estado.
No discurso, Lula citou episódios recentes e passados para reforçar a tese de que decisões militares foram tomadas sem o devido debate no sistema multilateral. Ele mencionou a invasão do Iraque no governo de George W. Bush, a guerra na Ucrânia sob Vladimir Putin, além de ações conduzidas durante a gestão de Donald Trump envolvendo Irã e Venezuela.
O presidente também incluiu França e Reino Unido em críticas relacionadas à intervenção na Líbia. Embora a ação tenha sido autorizada pelo próprio Conselho de Segurança, Lula apontou questionamentos sobre excessos associados à operação, usando o caso como exemplo de controvérsias no funcionamento do sistema internacional.
Além disso, Lula voltou a condenar a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, tema recorrente em suas falas públicas nos últimos meses e que tem gerado reações no debate diplomático.
As declarações ocorreram durante a quarta reunião do Fórum Democracia Sempre, iniciativa criada em 2024 por lideranças majoritariamente de esquerda. O grupo afirma buscar uma resposta coordenada ao avanço da direita radical em diferentes países.
O encontro em Barcelona teve como pano de fundo o repúdio a guerras recentes e a percepção de frustração de eleitores com o direito internacional e com a capacidade das democracias de entregar estabilidade e bem-estar. Segundo os participantes, esse cenário ajuda a alimentar o crescimento do extremismo.
A reunião contou com cerca de 20 autoridades e representantes. Entre os chefes de governo e Estado presentes estavam, além de Lula, Pedro Sánchez (Espanha), Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Claudia Sheinbaum (México). Também participaram o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o vice-secretário-geral da ONU, Guy Ryder.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também abordou a perda de credibilidade atribuída à ONU. Em sua fala, disse considerar necessária uma reforma e afirmou que a organização poderia ser comandada por uma mulher, associando o tema à confiança pública na instituição.
Sánchez sinalizou apoio à ex-presidente chilena Michelle Bachelet como nome para a Secretaria-Geral da ONU em 2027. O respaldo espanhol era um dos objetivos do governo brasileiro durante a viagem, segundo o contexto apresentado no encontro.
Uma das novidades foi a presença da presidente do México, Claudia Sheinbaum. A participação chamou atenção também por marcar uma diferença em relação ao período de Andrés Manuel López Obrador, cujo relacionamento com a Espanha foi marcado por atritos.
No evento, Sheinbaum fez um discurso centrado em temas de dominação e desigualdades históricas, citando a existência de “colônias modernas”. Ela ainda criticou o volume de recursos destinados mundialmente à compra de armamentos.
Lula cumpre uma viagem de cinco dias pela Europa acompanhado por uma comitiva composta por 11 ministros. Na sexta-feira (17), antes do fórum em Barcelona, ele se reuniu bilateralmente com Pedro Sánchez e assinou 15 acordos com o governo espanhol. Entre os compromissos, está uma cooperação voltada ao setor de minerais críticos, área estratégica na transição energética e em cadeias industriais de alta tecnologia.
Neste domingo (19), o presidente segue para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover. Depois, viaja a Portugal para encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o novo presidente português, António José Seguro. A previsão é de retorno ao Brasil na terça-feira (21).
O Fórum Democracia Sempre, por sua vez, encerra mais uma rodada de articulação política internacional com foco em democracia, multilateralismo e respostas a conflitos — agenda que, segundo Lula, precisa voltar a ter a ONU como centro efetivo de decisões.
Fonte: UrbNews
Trânsito e leis
Eleições e diplomacia
Extradição na Itália
Decisão judicial em SP
Política no Ceará
Justiça Eleitoral