Câmara dos Deputados
Por Admin
11 de março de 2026 às 22:27
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi escolhida nesta quarta-feira (11) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Com o resultado, ela passa a ser a primeira mulher trans a liderar o colegiado responsável por debater e acompanhar políticas voltadas à proteção e à promoção dos direitos das mulheres.
Em fala após a eleição, a parlamentar afirmou que, para a população feminina, o essencial não é a identidade de quem ocupa o comando, mas a capacidade de produzir respostas concretas para a segurança e a dignidade das mulheres. Erika Hilton indicou que pretende direcionar os trabalhos da comissão para projetos e ações de enfrentamento à violência de gênero e para a ampliação de políticas públicas voltadas ao público feminino.
A escolha de Erika Hilton ocorreu em dois turnos. Na primeira rodada de votação, o placar não alcançou a maioria exigida para confirmar a presidência. No segundo turno, a deputada obteve 11 votos favoráveis, número suficiente para assumir o comando da comissão.
O colegiado é um dos espaços permanentes da Câmara dedicados a temas como combate à violência contra a mulher, garantia de direitos, acompanhamento de programas governamentais e discussão de propostas legislativas com impacto direto na vida das brasileiras.
Ao apontar as linhas de atuação para o período à frente da comissão, Erika Hilton destacou a necessidade de acelerar a tramitação e o debate de medidas voltadas a reduzir a violência de gênero. Segundo a deputada, a comissão deve concentrar esforços em iniciativas que ampliem a rede de proteção, fortaleçam serviços de atendimento e melhorem a articulação entre políticas de prevenção e responsabilização.
A parlamentar também defendeu que o colegiado dê atenção às diferentes experiências e contextos vividos por mulheres no país. Na avaliação dela, a comissão precisa atuar de forma abrangente, contemplando a pluralidade feminina e garantindo o respeito à dignidade de todas, sem deixar grupos à margem.
Entre os assuntos mencionados pela nova presidente está o enfrentamento à misoginia. Erika Hilton indicou que pretende discutir com profundidade como discursos de ódio e práticas discriminatórias se manifestam tanto fora quanto dentro do ambiente digital.
Ela citou a discussão sobre a regulação de plataformas digitais como um tema que pode entrar na agenda do colegiado, com foco na circulação de conteúdos considerados nocivos e na influência desses materiais sobre comportamentos violentos ou discriminatórios. Entre os exemplos, mencionou narrativas associadas à cultura “red pill” na internet.
De acordo com a deputada, a comissão pode ter um papel relevante ao analisar como esse tipo de conteúdo se relaciona com episódios de agressão, assédio e violações de direitos, além de contribuir para o debate público e legislativo sobre medidas de prevenção.
Durante o pronunciamento, Erika Hilton ressaltou que mulheres não devem permanecer invisibilizadas e afirmou que a sociedade precisa reagir a situações de violação de identidades e de agressões. Em um trecho de tom crítico, a deputada associou a urgência das políticas de proteção ao alto índice de violência contra mulheres no país.
A fala foi usada para defender que o foco do colegiado esteja em preservar vidas, garantir dignidade e melhorar as condições de segurança, com a comissão atuando como espaço de construção de soluções legislativas e de fiscalização de políticas públicas.
A eleição também provocou reação de deputadas de oposição. Parlamentares criticaram a escolha de Erika Hilton para o cargo e sustentaram que a presidência deveria estar com uma mulher cisgênero. Houve ainda declarações contrárias ao que chamaram de “ideologização” da comissão.
Entre as manifestações, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) afirmou que não concordava com a decisão e defendeu que a comissão deveria priorizar temas ligados à dignidade da mulher, à vida e à família, argumentando que a direção escolhida poderia desviar do que ela considera a essência feminina.
Com o novo comando, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher entra em uma fase em que deve combinar pautas tradicionais do colegiado — como enfrentamento à violência, acesso a serviços e igualdade de direitos — com discussões que ganham força no debate público, incluindo o impacto das redes sociais na disseminação de discursos misóginos e na discriminação.
Fonte: UrbNews
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