Eleições em São Paulo
Por Admin
09 de março de 2026 às 17:29
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deve se desligar do governo federal na próxima semana para entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em 2026, segundo informações publicadas por O Globo e confirmadas pela Folha. A movimentação altera o tabuleiro político no maior colégio eleitoral do país e amplia as articulações do PT para a sucessão em São Paulo.
Nos bastidores, a definição foi tratada como praticamente certa por pessoas próximas ao ministro. Até semanas atrás, porém, havia incerteza sobre a disposição de Haddad em assumir a candidatura, diante do risco de uma derrota em um estado historicamente difícil para a esquerda em eleições majoritárias.
A previsão de que Haddad deixe a Esplanada na próxima semana ganhou força após a antecipação da data por O Globo, informação posteriormente corroborada pela Folha. Integrantes do entorno do ministro já tratam a decisão como encaminhada, apontando que a candidatura passou a ser vista como estratégica pelo núcleo do governo.
Ao mesmo tempo, a discussão envolve o impacto político e administrativo da troca no comando da Fazenda, pasta central para a condução da política econômica. A expectativa de saída tende a intensificar especulações sobre a sucessão interna e a organização da agenda econômica nas próximas semanas.
No fim de fevereiro, Haddad já havia admitido a interlocutores a possibilidade de concorrer ao governo paulista. À época, o ministro participou de um jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), encontro voltado a tratar de seu futuro político e do papel que poderia desempenhar na eleição estadual.
Relatos de pessoas a par das conversas indicam que Lula vinha avaliando, em conversas reservadas, que a candidatura do ministro estava bem encaminhada. A leitura foi reforçada publicamente pelo presidente do PT, Edinho Silva, que também sinalizou confiança no avanço das tratativas.
Apesar do incentivo do Planalto e do partido, Haddad demonstrou resistência em um primeiro momento. A preocupação principal, de acordo com aliados, era a possibilidade de enfrentar um cenário competitivo e sofrer revés nas urnas, o que poderia enfraquecer seu capital político.
A cautela tem raízes no histórico recente: São Paulo é o maior eleitorado do país e costuma impor desafios ao PT em disputas estaduais, especialmente diante de candidaturas com forte apelo à direita. Por isso, a definição sobre concorrer ou permanecer em posição central no governo foi tratada internamente como uma decisão de alto risco.
Ainda assim, o argumento de Lula teria pesado na balança. Segundo aliados, o presidente defendeu que o PT precisa de um nome capaz de consolidar um palanque robusto em São Paulo, considerado decisivo tanto para a dinâmica nacional quanto para o desempenho do partido na eleição presidencial.
A avaliação dentro do governo é que uma candidatura competitiva no estado amplia a capacidade de mobilização política, fortalece alianças regionais e dá visibilidade às bandeiras do partido em um ambiente historicamente polarizado. Nesse contexto, Haddad passou a ser visto como peça central da estratégia.
Entre os fatores que teriam influenciado a reavaliação do ministro está a recente melhora de Flávio Bolsonaro (PL) em pesquisas de opinião. O avanço do senador no levantamento de intenção de voto, segundo relatos de aliados, aumentou a percepção de que a esquerda precisaria reagir com um nome mais conhecido e testado eleitoralmente.
Além disso, pesa o desempenho do próprio Haddad nos números mais recentes. Conforme a última pesquisa Datafolha citada por aliados, o ministro aparece como o nome mais bem colocado do campo progressista para a disputa ao governo paulista, o que reforça a aposta do PT em sua candidatura.
Com a saída prevista para a próxima semana, a expectativa é de intensificação das conversas partidárias em São Paulo e em Brasília. A movimentação deve envolver tanto a montagem de alianças quanto a definição de discurso e de prioridades para enfrentar adversários com forte presença no eleitorado paulista.
Ao mesmo tempo, a eventual desincompatibilização de Haddad abre espaço para mudanças no Ministério da Fazenda, tema que tende a atrair atenção do mercado e do Congresso. O governo, por sua vez, terá de administrar a transição sem perder de vista a agenda econômica e o calendário político que se acelera com a proximidade do período eleitoral.
Procurados ao longo do processo, aliados sustentam que a decisão está consolidada e que o ministro deve entrar formalmente na corrida para liderar o projeto do PT no estado. O anúncio e os próximos passos, no entanto, dependem do desenho final de saída do cargo e do arranjo político a ser apresentado nas semanas seguintes.
Fonte: UrbNews
Política partidária
Justiça e bancos
Violência contra mulheres
Justiça e democracia
Corrida presidencial 2026