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Crise no Judiciário

Barroso diz que STF vive “momento difícil” após crise do Banco Master

O ex-presidente do STF deixou a corte em outubro, após 12 anos no cargo. A vaga dele está em aberto desde então

Por Admin

11 de março de 2026 às 14:05


Barroso diz que STF vive “momento difícil” após crise do Banco Master

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou na terça-feira (11) que a Corte atravessa um “momento difícil” em meio à repercussão da crise envolvendo o Banco Master. Em entrevista à GloboNews, ele disse que prefere aguardar o avanço das apurações antes de fazer avaliações sobre o caso e declarou que não conhecia Daniel Vorcaro, apontado como dono do banco liquidado.

Segundo Barroso, o ambiente de críticas é perceptível no cotidiano. Ele relatou que acompanha o noticiário e sente a reação de pessoas próximas, o que, para ele, reforça a necessidade de cautela para evitar conclusões antecipadas.

Investigação sobre o Banco Master e impacto no STF

A crise do Banco Master ganhou contornos políticos e institucionais após atingir dois ministros do STF: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O episódio ampliou o debate público sobre condutas, relações externas e transparência no tribunal.

Na semana anterior à entrevista, vieram a público mensagens que teriam sido trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro no dia em que o empresário foi preso pela primeira vez. Moraes nega ter recebido as mensagens citadas.

Já Dias Toffoli deixou a relatoria do caso depois de informar participação societária em uma empresa que negociou parte do resort Tayayá, no Paraná, com fundos associados a Vorcaro. A decisão de se afastar do processo ocorreu após a revelação do vínculo comercial.

Barroso defende prudência e elogia condução de Fachin e Mendonça

Durante a conversa, Barroso afirmou que pode haver fatos “criticáveis” no episódio, mas reiterou que não pretende antecipar julgamentos sem a consolidação das investigações. Ele também fez elogios à postura do presidente do STF, Edson Fachin, e do ministro André Mendonça, relator do caso relacionado ao Banco Master.

Ao ser questionado pelo entrevistador Roberto D’Ávila, em tom de brincadeira, sobre o hábito de apagar mensagens, Barroso respondeu que não faz isso e disse não ter percebido “a maldade” embutida na pergunta.

Código de ética no STF volta ao debate

O ministro aposentado declarou ver com simpatia a proposta de criação de um código de ética para o STF, tema defendido por Fachin. Para Barroso, organizar regras e parâmetros não seria um problema em si, especialmente diante do que classificou como uma demanda crescente da sociedade por previsibilidade e padrões de conduta.

Ele ponderou, no entanto, que o momento escolhido para discutir o assunto pode não ter sido o mais adequado. Barroso contou que chegou a considerar a articulação de um código semelhante quando presidiu a Corte, mas desistiu por avaliar que a iniciativa poderia acirrar divisões internas.

Na entrevista, Barroso também mencionou debates sobre impedimento e suspeição. Ele afirmou que votou contra a participação de ministros em processos que envolvam clientes defendidos por parentes, mas ressaltou que não condena colegas que adotem entendimento distinto.

Penduricalhos no Judiciário e pagamentos acima do teto

Barroso ainda comentou a controvérsia sobre os chamados “penduricalhos” no Judiciário, que têm sido alvo de críticas e discussões, inclusive por parte de ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes. Ele reconheceu que existem distorções que precisam ser enfrentadas, mas afirmou que há situações em que valores acima do teto constitucional podem ter respaldo legal.

Entre os pontos citados, ele mencionou como problema o reconhecimento administrativo de valores atrasados, indicando que mecanismos desse tipo podem gerar pagamentos indevidos ou pouco transparentes, alimentando críticas ao sistema de remuneração.

Saída do STF, indicação de Jorge Messias e mandato fixo

Barroso deixou o STF em outubro, após 12 anos no cargo, e sua vaga permanece aberta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar o posto, mas a sabatina no Senado ainda não ocorreu.

Na avaliação de Barroso, Messias reúne atributos necessários para integrar a Corte, e ele disse esperar que a indicação seja aprovada pelos senadores.

O ex-presidente do STF também explicou que um dos fatores para sua aposentadoria foi o desgaste causado pela exposição pública, que, segundo ele, tende a se tornar difícil de suportar com o tempo. No mesmo contexto, defendeu a adoção de mandatos fixos para ministros do Supremo, modelo existente em outros países.

Retaliação dos EUA e cancelamento de vistos de ministros

Outro tema abordado foi a reação do governo de Donald Trump ao STF. Barroso comentou o episódio em que autoridades americanas cancelaram vistos de magistrados da Corte, afirmando que a medida é incômoda e traz prejuízos práticos por dificultar viagens.

Ele disse lamentar a decisão e manifestou expectativa de que a situação seja resolvida. O caso se soma a uma série de tensões envolvendo a imagem do tribunal no exterior e pressões políticas que repercutem no debate público brasileiro.

Fonte: UrbNews



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