Debate no Congresso
Por Admin
31 de março de 2026 às 11:56 ▪ Atualizado há 1 semana
Na noite de segunda-feira (30), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) participou do Roda Viva e comentou declarações feitas nas redes sociais que repercutiram no Congresso e fora dele. A parlamentar foi questionada sobre um episódio envolvendo a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) e também sobre uma postagem em que chamou opositores de “imbecis”.
Durante a entrevista, Erika Hilton afirmou que se equivocou e que, ao lidar com a situação, agiu com ingenuidade. Ela também sustentou que parte do que disse foi interpretada fora do contexto original e que sua intenção não era ofender parlamentares.
A jornalista Clarissa Oliveira perguntou se esse tipo de linguagem poderia acabar alimentando o clima de hostilidade que marca o ambiente político-eleitoral. A deputada respondeu que não vê dessa forma e reforçou a tese de que a repercussão foi impulsionada por recortes e leituras que distorceriam o sentido da mensagem.
Erika Hilton relatou que a manifestação ocorreu em um período que descreveu como especialmente pesado. Segundo ela, naquele dia enfrentou uma sequência de ataques, incluindo ameaças de morte, tentativas de ridicularização e a circulação, nas redes, de imagens suas manipuladas ou expostas de forma ofensiva.
Ao tratar do episódio em que teria discutido com Júlia Zanatta e dito para a colega “hidratar o cabelo”, Erika afirmou que não teve a intenção de dirigir ofensa a nenhuma parlamentar. Ela declarou que, se fosse o caso de atacar diretamente alguém do Congresso, não usaria as redes como palco, mas o próprio plenário da Câmara.
Na entrevista, a deputada também buscou diferenciar o alvo de sua reação. De acordo com sua versão, a crítica foi voltada a grupos que a atacavam e ameaçavam, e não a integrantes do Legislativo. Ela argumentou que, naquele momento, tentou se posicionar diante do que descreveu como uma ofensiva coordenada de hostilidade.
Erika Hilton disse ainda que sua postura não foi motivada por ódio e tampouco por desejo de escalada do conflito político. Segundo a parlamentar, o tom usado foi de ironia e deboche, como uma forma de demonstrar que não se deixaria intimidar por ataques e julgamentos sobre seu trabalho.
Na avaliação apresentada no programa, a intenção teria sido adotar uma postura firme para se resguardar. Mesmo assim, ela reconheceu que, depois, concluiu que poderia ter lidado melhor com a situação e que houve erro em sua condução.
Ao explicar por que usou a palavra “ingênua”, Erika Hilton disse que o problema não foi apenas a reação em si, mas a falta de cautela diante da previsível disputa de narrativas na arena política. Na visão dela, adversários poderiam utilizar o conteúdo para construir outra leitura, com objetivo de desgastá-la publicamente.
Ela afirmou que, considerando sua experiência e o cenário de polarização, deveria ter antecipado que o texto seria recortado e transformado em munição por opositores. Nesse ponto, a deputada disse reconhecer que agiu de forma imprudente.
O comentário citado na entrevista foi publicado no início do mês, após críticas relacionadas à posse de Erika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Em sua mensagem, a parlamentar afirmou que não se importava com a opinião de “transfóbicos” e usou a palavra “imbecis” para se referir a grupos que a atacavam.
No mesmo texto, ela escreveu que, apesar das reações contrárias, estava à frente do colegiado. A postagem teve ampla repercussão nas redes, com críticas de adversários e defensores, e acabou se tornando um dos temas abordados no Roda Viva.
A participação de Erika Hilton no programa ocorre em um momento em que debates sobre violência política, ataques virtuais e desinformação seguem no centro das discussões públicas. Parlamentares de diferentes espectros têm relatado ameaças e campanhas de hostilização online, frequentemente associadas a recortes de falas e interpretações direcionadas.
No caso de Erika, a deputada buscou reforçar que seu objetivo era reagir a agressões recebidas e se proteger, e não atacar colegas de Parlamento. Ainda assim, admitiu que deveria ter sido mais cuidadosa ao se manifestar, diante do potencial de repercussão e de uso político do conteúdo.
A entrevista no Roda Viva reabriu o debate sobre limites do discurso nas redes, responsabilidade de agentes públicos e como postagens podem se transformar em peças centrais da disputa político-eleitoral.
Fonte: UrbNews
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