Conflito no Congresso
Por Admin
09 de abril de 2026 às 12:24 ▪ Atualizado há 2 semanas
A sessão mais recente da Comissão de Defesa da Mulher da Câmara dos Deputados terminou em tumulto e discussão generalizada após um novo embate entre a presidente do colegiado, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), e parlamentares da oposição. A reunião ocorreu na quarta-feira (8) e foi marcada por acusações mútuas, interrupções e a intervenção de um deputado para conter um visitante que passou a ofender uma parlamentar.
O clima já era de tensão antes mesmo do início do debate. Deputadas da oposição, que têm criticado a condução de Erika Hilton à frente da comissão, apresentaram uma moção de repúdio contra declarações atribuídas à presidente em episódio anterior. O texto reagia ao uso do termo “imbeCIS” por Erika ao se referir a adversários políticos.
A partir daí, a sessão se transformou em um confronto direto entre grupos com posições antagônicas, com sucessivas falas atravessadas por apartes e protestos no plenário.
O principal enfrentamento se deu entre a deputada Rosana Valle (PL-SP) e Erika Hilton. Rosana afirmou que a atuação de Erika estaria prejudicando o funcionamento do colegiado e alegou que a presidência estaria convertendo a comissão em um espaço de militância voltada contra congressistas que discordam da condução atual.
Na sequência, Rosana acusou a presidente de adotar um tom agressivo e disse enxergar risco de estímulo a ataques contra deputadas oposicionistas. Em sua fala, afirmou que, como mulher, não se sentia representada por Erika.
O momento de maior tensão ocorreu quando Rosana elevou o tom e mencionou a possibilidade de recorrer à Lei Maria da Penha caso, segundo ela, houvesse qualquer tentativa de confronto físico. Na declaração, Rosana afirmou que Erika teria “a força de um homem”, frase que acirrou ainda mais o ambiente dentro da comissão.
Ao responder, Erika Hilton afirmou que se sentia aliviada por não ser vista como representante das deputadas que a criticavam. Segundo a presidente, após sua trajetória pessoal, não desejaria ocupar um papel de representação de mulheres alinhadas ao que chamou de “esse tipo de agenda”. Erika acrescentou que preferiria deixar o espaço a conduzir um trabalho voltado a esse perfil de atuação, em referência às opositoras.
Durante a resposta, Erika foi interrompida e a troca de acusações se intensificou, com discussão simultânea no ambiente e dificuldade para retomar a ordem dos trabalhos.
Em meio ao bate-boca entre parlamentares, um homem que acompanhava a sessão se envolveu na confusão e passou a dirigir ofensas verbais à deputada Clarissa Tércio (PP-PE). O episódio ampliou o tumulto e exigiu intervenção dentro do plenário.
O deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA) interveio para conter a situação. Ele tomou uma atitude para interromper a gravação feita pelo visitante, derrubando o celular do homem, e solicitou que ele fosse retirado do local.
A confusão prosseguiu por alguns instantes, com parlamentares reagindo às agressões verbais e ao clima de hostilidade instalado durante a reunião.
Com o agravamento do tumulto, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) propôs o encerramento da sessão. A iniciativa teve como objetivo viabilizar o registro de um boletim de ocorrência em razão das agressões verbais relatadas por Clarissa Tércio durante o episódio.
O desfecho reforçou o cenário de tensão política em torno da condução da Comissão de Defesa da Mulher, que já vinha sendo alvo de questionamentos por parte de parlamentares contrários à presidência de Erika Hilton.
A Comissão de Defesa da Mulher é um dos colegiados da Câmara responsáveis por discutir projetos, políticas públicas e temas ligados a direitos, proteção e enfrentamento da violência contra mulheres. O órgão também funciona como espaço de fiscalização e debate sobre ações do poder público.
A presidência de Erika Hilton, no entanto, tem sido contestada por deputadas da oposição, que criticam sua condução e a linguagem usada em disputas políticas. Já aliados da presidente sustentam que a reação de adversários faz parte de um conflito político mais amplo em torno de pautas de costumes e direitos.
A sessão de quarta-feira (8) exemplificou esse cenário, ao reunir críticas à postura da presidência, respostas duras, e uma escalada de conflito que terminou com interrupção da reunião e encaminhamento para registro de ocorrência sobre ofensas no plenário.
Até o momento, o episódio segue como um dos principais focos de atenção envolvendo o colegiado, por expor divergências internas e o nível de polarização nas discussões travadas no âmbito da comissão.
Fonte: UrbNews
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