Saneamento básico
Por Admin
18 de março de 2026 às 14:28
Teresina foi o município brasileiro que mais ganhou posições no Ranking do Saneamento 2026, levantamento do Instituto Trata Brasil considerado uma das principais referências do setor. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (18) e apontou que a capital do Piauí avançou 14 colocações em relação ao resultado anterior.
O desempenho é atribuído, principalmente, ao aumento do atendimento de esgoto, à forte queda nas perdas de água e ao volume de recursos aplicados em obras e modernização da infraestrutura. No recorte regional, Teresina ainda aparece como a capital que mais investe em saneamento no Nordeste, segundo os indicadores do ranking.
Conforme o levantamento, o investimento médio em saneamento na capital piauiense foi de R$ 187,68 por morador. Considerando apenas o ano-base analisado pelo ranking (2024), o valor chegou a R$ 322,10 por habitante.
Na comparação com o período anterior, o montante representa uma expansão de aproximadamente 71,6% nos investimentos, sinalizando aceleração no ritmo de obras e melhorias nos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Desde 2017, quando a operação passou a ser realizada pela Águas de Teresina, empresa do grupo Aegea, a cidade acumulou mais de R$ 1,1 bilhão em aportes voltados à rede de água e esgoto.
Quando os dados começaram a ser acompanhados sob o novo ciclo de investimentos, Teresina ocupava a 84ª colocação entre as 100 maiores cidades brasileiras avaliadas pelo ranking. No resultado mais recente, a capital aparece em 62º lugar.
Isso significa um avanço acumulado de 22 posições desde 2017, colocando o município entre os casos de maior evolução recente no saneamento básico brasileiro, de acordo com o Instituto Trata Brasil.
Um dos indicadores que mais chamam atenção é a redução das perdas de água ao longo dos anos. O índice, que era de 64,1% em 2017, caiu para 19,55% em 2024 — uma diminuição superior a 44 pontos percentuais em sete anos.
Na prática, a capital saiu de um cenário em que grande parte da água tratada não chegava ao consumidor para um patamar de maior controle operacional. O resultado coloca Teresina entre as capitais com melhor desempenho nesse quesito, apontado como um dos maiores desafios do setor por envolver perdas físicas e comerciais.
A melhora é creditada a um conjunto de medidas de gestão e engenharia, como a divisão da rede em setores, o ajuste de pressão, a troca de tubulações e o uso de tecnologias para localizar vazamentos não visíveis — incluindo ferramentas de monitoramento avançado, como o apoio de imagens via satélite.
No abastecimento, Teresina registrou mudanças importantes em um curto intervalo. Em menos de dois anos de atuação da concessionária, a cidade reduziu problemas históricos de falta d’água, especialmente durante o período mais quente do ano, conhecido localmente como B-R-O Bró, e alcançou a universalização do acesso à água tratada, de acordo com os dados do texto-base divulgado.
Entre as principais entregas citadas estão a ampliação e modernização das Estações de Tratamento de Água (ETA) Sul e Norte, a implantação de mais de 250 km de novas redes de abastecimento, além de 16,4 km de adutoras e a perfuração de mais de 27 poços.
Também foram instalados 24 sistemas de bombeamento (boosters). Os reforços em áreas como Dirceu e Petrônio Portela contribuíram para melhorar a pressão e a regularidade do fornecimento, sobretudo em regiões mais elevadas ou mais distantes.
Com isso, a estrutura de produção e distribuição passou a operar com maior capacidade, alcançando mais de 4,6 milhões de litros por hora, garantindo estabilidade no abastecimento e maior segurança operacional para a cidade.
Outro ponto decisivo para a subida no Ranking do Saneamento 2026 foi a expansão do esgotamento sanitário. Até 2024, foram implantados mais de 363 km de redes coletoras, além do reforço na infraestrutura de operação.
O pacote de obras incluiu a construção de 44 novas estações elevatórias, totalizando 81 unidades em funcionamento, e a instalação de mais de 3 km de interceptores e mais de 7 km de linhas de recalque, ampliando a capacidade do sistema para novas conexões.
Com os investimentos, a cobertura de esgoto na capital passou de 19% em 2017 para 59% em 2024, beneficiando diretamente mais de 480 mil pessoas. Apenas entre 2023 e 2024, o volume aplicado superou R$ 300 milhões, segundo as informações do material de origem.
Para o diretor executivo da Águas de Teresina, Rodrigo Lacerda, o avanço refletiria uma estratégia com foco em planejamento, eficiência e execução continuada. Ele afirma que o desempenho acompanha o que classifica como o maior ciclo de intervenções já realizado no município, com ênfase na ampliação do esgoto, no abastecimento e no controle de perdas.
A diretora-presidente da concessionária, Lucilaine Medeiros, também relaciona os indicadores a efeitos práticos na rotina da população, destacando que saneamento está ligado a saúde, dignidade e desenvolvimento, e que a expansão da rede representa melhoria direta na qualidade de vida.
As informações foram divulgadas a partir de dados repercutidos pelo Conecta Piauí.
Fonte: UrbNews
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