Violência contra mulheres
Por Admin
10 de março de 2026 às 16:20
O Piauí começou 2026 com recuo expressivo nos registros de feminicídio. No comparativo entre os primeiros meses do ano e o mesmo intervalo de 2025, o número de ocorrências caiu de 12 para quatro, redução de 66,7%.
Os dados foram apresentados na terça-feira (9), durante o lançamento da campanha “Ei, Piauí, Não Se Cale”, iniciativa inserida na programação do Março Mulher. O evento ocorreu no Palácio de Karnak, em Teresina, com participação do governo estadual e de órgãos ligados à segurança pública e às políticas para mulheres.
Ao comentar o balanço, o governador Rafael Fonteles (PT) afirmou que a diminuição dos casos está associada a dois fatores que caminham juntos: o fortalecimento da responsabilização de agressores e a ampliação das denúncias formalizadas pelos canais oficiais.
Segundo ele, a meta do Estado é avançar para reduzir ainda mais os índices. Durante a cerimônia, Fonteles declarou que o governo trabalha para chegar a zero feminicídio no Piauí, ressaltando a importância de ações preventivas e de uma resposta mais rápida do sistema de justiça e segurança.
O levantamento divulgado durante o lançamento da campanha apontou ainda queda nos registros de estupro contra mulheres. No recorte do primeiro bimestre, o total passou de 210 casos em 2025 para 151 em 2026.
A variação representa um recuo de 28,1%. A redução, porém, não elimina a gravidade do cenário, e especialistas em segurança e proteção social costumam reforçar que o enfrentamento desse tipo de violência exige, além de repressão, uma rede de acolhimento que facilite a denúncia e o atendimento às vítimas.
Informações da Secretaria de Estado da Segurança (SSP) indicam também um aumento na produtividade das Delegacias Especializadas. No primeiro bimestre de 2025, foram contabilizadas 434 prisões. Já no mesmo período de 2026, o número subiu para 535.
O crescimento é de 23,3%. Para a gestão estadual, o indicador ajuda a explicar parte do desempenho recente: mais investigações concluídas e mais prisões podem elevar a percepção de risco para o agressor e, ao mesmo tempo, estimular vítimas e familiares a procurarem ajuda.
O lançamento da campanha ocorreu como parte das mobilizações do Março Mulher, período em que instituições públicas e organizações sociais intensificam ações de conscientização e prevenção à violência de gênero.
A proposta do “Ei, Piauí, Não Se Cale” é ampliar a visibilidade do tema e estimular que mulheres em situação de risco procurem os serviços disponíveis, além de incentivar que testemunhas e pessoas próximas ajudem no rompimento do ciclo de violência.
A secretária das Mulheres, Zenaide Lustosa, atribuiu parte dos resultados às políticas públicas adotadas no estado e destacou um dado apresentado no evento: no ano anterior, nenhuma mulher atendida pela Patrulha Maria da Penha foi vítima de feminicídio.
Ela também chamou atenção para a estrutura local de atendimento e articulação de políticas para mulheres. De acordo com a secretária, o Piauí conta com 81 secretarias municipais das Mulheres.
No entanto, um ponto levantado por Lustosa indica desigualdade territorial na rede de proteção: segundo ela, 60% dos registros de violência ocorreram em localidades onde não havia uma secretaria específica voltada às mulheres. A avaliação apresentada é de que a presença de estruturas dedicadas pode facilitar tanto a prevenção quanto o acesso a apoio e orientação.
Apesar dos números apontarem queda em indicadores relevantes, o governo estadual e a rede de enfrentamento à violência contra a mulher enfatizam que o desafio permanece. O objetivo, segundo autoridades presentes no ato, é fortalecer mecanismos que vão da prevenção ao acolhimento, passando por investigação, proteção e punição.
O balanço divulgado durante o evento reforça a importância de combinar campanhas de conscientização com ações estruturantes, como ampliação de serviços especializados, integração entre forças de segurança e assistência social, e fortalecimento de políticas municipais.
A expectativa é que os dados sirvam de base para ajustes nas estratégias ao longo de 2026, com foco em reduzir a violência, aumentar a segurança de mulheres em situação de vulnerabilidade e ampliar a efetividade das respostas do poder público.
Fonte: UrbNews