Comércio exterior
Por Admin
10 de março de 2026 às 15:23
O Piauí encerrou fevereiro de 2026 com saldo positivo na balança comercial. No mês, o estado somou US$ 24,2 milhões (R$ 126,1 milhões) em operações de comércio exterior e registrou superávit de US$ 11,4 milhões (R$ 59 milhões), resultado de exportações acima das importações.
Os números constam em levantamento divulgado na sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Apesar do desempenho favorável no saldo, o volume exportado recuou em relação a períodos recentes, sinalizando um início de ano mais fraco para as vendas externas piauienses.
Em fevereiro de 2026, as exportações do Piauí caíram de forma expressiva na comparação com fevereiro de 2025. O estado vendeu ao exterior US$ 18,9 milhões a menos, retração de 43,8% em doze meses.
Quando o comparativo é feito com janeiro de 2026, a queda também aparece, embora em menor intensidade: foram US$ 1,7 milhão a menos, recuo de 6,5% no intervalo de um mês.
No acumulado de janeiro e fevereiro, o Piauí exportou US$ 50,2 milhões. No mesmo período de 2025, o montante havia chegado a US$ 65 milhões (R$ 338 milhões). Isso representa redução de US$ 14,8 milhões, equivalente a 22,8%.
O superintendente de Desenvolvimento Econômico da Secretaria da Fazenda do Piauí, Deusval Lacerda de Moraes, atribui a retração registrada no começo de 2026, principalmente, ao impacto climático sobre a logística agrícola. Segundo ele, o excesso de chuvas no sul do estado atrasou a colheita de soja no Cerrado piauiense, reduzindo a disponibilidade do produto para exportação no primeiro bimestre.
A leitura do governo é que o movimento é conjuntural. A soja compõe parcela relevante da pauta exportadora do Piauí e, quando há atraso na colheita, os embarques tendem a ser postergados para os meses seguintes.
Mesmo com a perda de ritmo no início do ano, a expectativa para os próximos meses é de recomposição das exportações. Levantamentos preliminares da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o Piauí pode superar 6,6 milhões de toneladas de grãos em 2026.
Se a projeção se confirmar, a tendência é de fortalecimento da pauta exportadora, com destaque para a soja, que costuma liderar em valor e relevância estratégica. A recuperação dos embarques depende, porém, do calendário efetivo de colheita, do escoamento da produção e das condições do mercado internacional.
Outro fator que contribuiu para o superávit em fevereiro foi a queda nas importações. O Piauí comprou do exterior US$ 12,9 milhões (R$ 66,9 milhões) no mês.
Em fevereiro de 2025, as importações haviam somado US$ 37,2 milhões. Na comparação anual, a redução é de 65%, o que diminuiu a pressão sobre o saldo comercial e ajudou o estado a fechar o mês no azul.
O milho foi o principal item exportado pelo Piauí em fevereiro de 2026, concentrando 46,2% das vendas externas, com US$ 11,2 milhões. Na sequência, a soja respondeu por 25,1% do total, com US$ 6,1 milhões.
Outros produtos também tiveram participação relevante na composição das exportações do mês. As categorias com maior destaque foram:
A distribuição reforça o peso do agronegócio e de cadeias vinculadas à produção primária na economia exportadora do estado, ao mesmo tempo em que indica participação de segmentos químicos em menor escala.
Entre os municípios com maior volume exportado em fevereiro, aparecem Uruçuí, Campo Maior, Baixa Grande do Ribeiro, Bom Jesus e Parnaíba. As cidades refletem a geografia produtiva do estado, especialmente nas áreas com forte presença de grãos e estrutura de comercialização para o mercado externo.
A lista também evidencia a importância do interior no desempenho do comércio exterior piauiense, com polos agrícolas ganhando protagonismo no envio de commodities.
O Egito foi o principal destino das exportações do Piauí em fevereiro, absorvendo 34,4% do total. A China ficou em segundo lugar, com 28,9%. Em seguida aparecem Malásia (12%), Estados Unidos (6,5%) e Alemanha (2%).
O quadro reforça a dependência de mercados internacionais tradicionais para commodities agrícolas e indica diversificação moderada de destinos, com presença tanto de países asiáticos quanto de compradores do Ocidente.
Fonte: dados do MDIC, com informações do Conecta Piauí.
Fonte: UrbNews