Tensão em Jerusalém
Por Admin
29 de março de 2026 às 18:41
A Polícia de Israel impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de acessar a Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa do Domingo de Ramos, segundo comunicado do Patriarcado Latino. O texto afirma que um sacerdote ligado ao templo também foi barrado no momento em que ambos se preparavam para a cerimônia.
De acordo com a nota, o episódio representaria a primeira vez “em séculos” em que líderes da Igreja foram impedidos de realizar a celebração do Domingo de Ramos dentro do Santo Sepulcro. Agências internacionais buscaram resposta da polícia israelense, mas não obtiveram retorno até a publicação das informações.
O Patriarcado Latino classificou o caso como um precedente grave, por ocorrer justamente na semana em que cristãos do mundo todo voltam a atenção para Jerusalém. A instituição afirma que houve desconsideração com a sensibilidade religiosa de bilhões de fiéis que acompanham a Semana Santa.
A nota também sustenta que as lideranças cristãs teriam cumprido, desde o início do conflito, as determinações impostas pelas autoridades israelenses para eventos religiosos. Para o Patriarcado, impedir a entrada do cardeal e do responsável eclesiástico ligado aos Lugares Santos seria uma medida desproporcional diante do papel que exercem na administração e na vida litúrgica do santuário.
A Igreja do Santo Sepulcro fica na Cidade Velha de Jerusalém, área delimitada por antigas muralhas e organizada em setores associados a tradições religiosas. Nesse espaço estão pontos considerados sagrados por cristãos, muçulmanos e judeus.
Para o cristianismo, o templo é um dos locais mais importantes do mundo: a tradição aponta ali os lugares associados à crucificação de Jesus e ao sepulcro de onde teria ressuscitado. Por isso, celebrações da Semana Santa no Santo Sepulcro carregam forte valor simbólico e atraem peregrinos de vários países.
O episódio ocorre em um contexto de restrições a grandes reuniões em Israel desde o início da escalada de violência no Oriente Médio após ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, conforme relatado no material de referência. As medidas atingem sinagogas, igrejas e mesquitas.
Entre as limitações citadas está a redução do público permitido em eventos, com teto de cerca de 50 pessoas. O Patriarcado havia anunciado anteriormente o cancelamento da tradicional procissão do Domingo de Ramos, que costuma sair do Monte das Oliveiras rumo à cidade e reunir milhares de participantes.
No início do mês, forças israelenses também impediram fiéis muçulmanos de realizar a Laylat al-Qadr, conhecida como “Noite do Poder”, na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. O fechamento do local durante o Ramadã gerou repercussão externa.
A Liga dos Estados Árabes afirmou, na ocasião, que a medida representou uma violação do direito internacional. O novo episódio envolvendo o Santo Sepulcro reforça a percepção de endurecimento no controle de acesso a locais de culto na Cidade Velha durante o período de conflito.
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa para os cristãos e rememora, segundo os evangelhos, a entrada de Jesus em Jerusalém dias antes da crucificação. A data antecede as celebrações que culminam no domingo de Páscoa, ligado à ressurreição.
Em anos anteriores, a programação em Jerusalém inclui ritos no Santo Sepulcro e uma série de eventos litúrgicos que mobilizam comunidades locais e peregrinos. Neste ano, porém, as restrições e o impedimento relatado pelo Patriarcado impactaram diretamente a celebração no local.
No mesmo dia, o papa Leão 14 fez declarações duras ao mencionar conflitos no Oriente Médio. Diante de milhares de pessoas na Praça São Pedro, no Vaticano, o pontífice chamou a guerra de atroz e afirmou que Jesus não pode ser usado para justificar qualquer combate. Ele também disse que Deus rejeita as preces de líderes que iniciam guerras e têm “mãos cheias de sangue”, em referência ao cenário de violência e ao segundo mês de guerra no Irã mencionado no material de origem.
O governo brasileiro divulgou nota condenando a ação da polícia israelense. No comunicado, o Brasil afirmou que o episódio ocorre após semanas de limitações impostas por autoridades israelenses ao acesso de cristãos ao santuário e, também, de muçulmanos durante o Ramadã na Esplanada das Mesquitas.
O caso deve continuar acompanhando a agenda diplomática e religiosa, especialmente por ocorrer em um período sensível do calendário cristão e em uma área de relevância histórica e espiritual compartilhada por diferentes tradições.
Com informações de agências internacionais e da Folhapress.
Fonte: UrbNews
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