Impasse orçamentário
Por Admin
22 de março de 2026 às 09:00
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (21) que pode deslocar agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) para atuar em aeroportos do país. A declaração ocorre em meio ao impasse no Congresso que mantém bloqueados repasses ao Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pela Agência de Segurança de Transportes (TSA).
O conflito político já se estende por cinco semanas e tem impacto direto na operação de triagem em alguns terminais. Com parte dos funcionários sem salário, faltas ao trabalho e atrasos em inspeções têm sido relatados, elevando o tempo de espera em pontos de controle.
Trump usou as redes sociais para dizer que pretende transferir agentes federais de imigração para os aeroportos, argumentando que isso reforçaria a segurança. A proposta surge enquanto democratas e republicanos travam uma disputa sobre o orçamento do DHS.
Desde 14 de fevereiro, parlamentares democratas têm condicionado a liberação de recursos a mudanças na forma como as leis de imigração são aplicadas. O objetivo, segundo a oposição, é impor limites adicionais às ações do governo na área migratória.
Os republicanos, por sua vez, pressionam para aprovar o financiamento sem novas restrições às agências envolvidas na política de deportação defendida por Trump. A negociação com a Casa Branca segue sem sinais consistentes de avanço.
Mesmo com o DHS mantendo apenas as chamadas atividades “essenciais”, a falta de orçamento tem atingido trabalhadores da TSA, que seguem atuando sem receber. Os funcionários da triagem estariam próximos de acumular um segundo pagamento integral perdido, enquanto continuam sendo convocados para cumprir escala.
Nas últimas semanas, parte desses profissionais passou a se ausentar alegando doença, o que reduziu a presença nas equipes e elevou o tempo de inspeção em alguns aeroportos — em certos casos, com esperas prolongadas. A diminuição do efetivo também contribuiu para interrupções em viagens, especialmente em grandes terminais.
Dentro do governo, a ameaça de usar agentes do ICE como alternativa ocorre nesse cenário de pressão operacional. Especialistas e críticos apontam, porém, que a função de segurança aeroportuária é atribuição específica da TSA, com protocolos próprios e treinamento distinto.
O ICE não é uma força desenhada especificamente para triagem e controle de segurança em aeroportos, atividades que envolvem rotinas técnicas e padronizadas, como verificação de bagagens e inspeção de passageiros. Por isso, a proposta de Trump levantou dúvidas sobre a adequação do deslocamento de agentes de imigração para essa função.
A agência, contudo, ocupa posição central na estratégia de endurecimento migratório do governo. Nos últimos anos, o ICE ampliou contratações e intensificou operações ligadas à deportação e ao combate à imigração irregular, em conjunto com a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
O texto também cita que, nos meses recentes, essas forças enviaram equipes para diferentes cidades e estados, com foco em locais administrados por democratas, como parte da repressão migratória.
Em meio à crise de financiamento, o bilionário Elon Musk declarou neste sábado (21) que estaria disposto a cobrir os salários de funcionários da TSA enquanto durar o impasse. A manifestação foi feita em postagem na plataforma X.
Apesar da promessa, Musk não apresentou detalhes sobre como os pagamentos ocorreriam, nem sobre viabilidade legal e operacional para que uma pessoa física ou empresa custeasse diretamente salários de servidores durante uma paralisação de orçamento federal.
Os republicanos tentam vincular a pressão por um acordo à necessidade de manter de pé as agências de segurança nacional, citando também a conjuntura internacional e a importância de manter estruturas como a TSA e o Serviço Secreto plenamente financiadas.
Os democratas sustentam uma proposta alternativa para custear o DHS, mas com exclusões: a iniciativa retira recursos do ICE, do CBP e do gabinete do próprio departamento, segundo o relato. Os republicanos rejeitam essa possibilidade, o que mantém o impasse.
Enquanto isso, o ICE sofre menos impacto imediato da paralisação porque, de acordo com a reportagem, os republicanos aprovaram anteriormente bilhões de dólares para a agência dentro de um projeto de lei tributária.
O texto menciona que uma operação de grande porte em Minnesota terminou com a morte de dois cidadãos americanos — Renee Good e Alex Pretti — atingidos por disparos de agentes federais. O episódio gerou forte repercussão e críticas que alcançaram até setores do Partido Republicano.
Segundo a informação, a crise culminou na demissão da então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. Trump indicou o senador republicano Markwayne Mullin para o cargo, mas a nomeação ainda depende de confirmação pelo Congresso.
Na quinta-feira (19), o Comitê de Segurança Interna do Senado aprovou por 8 votos a 7 o envio do nome de Mullin ao plenário com recomendação favorável, etapa que antecede a votação final.
Com as conversas travadas em Washington, o funcionamento dos aeroportos e a situação dos servidores da TSA permanecem no centro da disputa, enquanto a Casa Branca eleva o tom ao colocar o ICE como alternativa para reforçar a segurança nos terminais.
Com informações de Manoella Smith, da Folhapress.
Fonte: UrbNews
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