Segurança digital
Por REDAÇÃO
25 de julho de 2026 às 10:20 ▪ Atualizado há 6 horas
Estão abertas até 5 de agosto as inscrições para a segunda edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone), iniciativa que oferece formação gratuita em cibersegurança, além de apoio psicossocial e orientação jurídica. O programa busca ampliar a proteção e a articulação de mulheres negras, indígenas e quilombolas diante da violência digital em diferentes países da América Latina.
O processo seletivo é feito pela internet, com inscrição sem custos por meio do preenchimento de um formulário online. O período de candidaturas ocorre durante o Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que tem como marco o dia 25 de julho, data dedicada à celebração e à mobilização em torno dos direitos dessas mulheres.
A Repcone é organizada pela Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP). A coordenadora geral da Rede JP e idealizadora da iniciativa, Marcelle Chagas, afirma que o foco desta edição é fazer com que a oportunidade alcance comunicadoras e lideranças em diferentes realidades e territórios.
Segundo ela, a proposta é fortalecer uma rede conectada e plural, capaz de responder ao cenário em que plataformas e redes sociais se tornaram ambientes mais hostis para mulheres negras que ocupam posições públicas, seja na imprensa, em organizações de direitos ou em ações comunitárias.
A formação pretende reforçar a capacidade de prevenção, resposta e resiliência diante de ameaças digitais, ataques coordenados, assédio online e estratégias de desinformação. O objetivo final, de acordo com a organização, é consolidar uma estrutura de cuidado e segurança transnacional para mulheres com visibilidade pública na região.
A edição prevista para 2026 não é exclusiva para jornalistas. O público-alvo inclui também mulheres em posições de liderança comunitária, institucional ou organizacional no Brasil e em outros países latino-americanos, desde que enfrentem riscos de segurança digital ligados à atuação pública.
A seleção dará prioridade a mulheres que atuam sob invisibilidade estrutural e em contextos de maior vulnerabilidade. Entre os perfis priorizados estão:
Ao todo, a Repcone selecionará 30 participantes em toda a América Latina, reunindo perfis como jornalistas, ativistas, lideranças comunitárias e pesquisadoras. A confirmação será enviada pelos canais informados na inscrição, como e-mail e WhatsApp.
O programa foi desenhado em quatro eixos que se complementam. O primeiro é uma trilha de aulas virtuais sobre segurança digital, proteção de dados, resposta a incidentes e enfrentamento à desinformação.
O segundo eixo reúne proteção e cuidado, com suporte psicossocial e encaminhamentos de orientação jurídica especializada. O terceiro prevê resposta rápida, com protocolos para lidar com assédio online, ataques coordenados e campanhas de desinformação. Já o quarto eixo trata de infraestrutura tecnológica voltada à proteção.
Na programação, estão previstas quatro aulas online realizadas por plataforma de videoconferência. A Rede JP informa que haverá acessibilidade em Libras e tradução entre português e espanhol, buscando facilitar a participação de mulheres de diferentes países.
Além disso, o planejamento inclui:
Outra frente anunciada para esta edição é o lançamento do Latinas IA, agente digital criado pela Rede JP para apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade na América Latina. A proposta é oferecer suporte contínuo, 24 horas, em casos de violência digital, assédio e desinformação direcionada a mulheres na política e na mídia.
De acordo com a organização, a ferramenta funcionará como um ambiente integrado de orientação e resposta, reunindo informações confiáveis, conexão com conteúdos de checagem e guias práticos de segurança digital adaptados a diferentes níveis de risco.
A Rede JP ressalta que a plataforma ainda está em desenvolvimento e aprimoramento, com foco em atender às particularidades sociais, culturais e linguísticas das mulheres latino-americanas que atuam em defesa da democracia.
A Repcone foi criada a partir do entendimento de que a violência digital é uma forma de pressionar e afastar mulheres negras e indígenas de espaços decisórios e de influência na comunicação. A iniciativa tomou forma em 2025, após escutas e trocas entre participantes de países como Brasil, Argentina e Colômbia, entre outros.
A primeira edição foi lançada em agosto de 2025 e reuniu 50 mulheres. A estimativa divulgada pela Rede JP aponta que a formação alcançou 17,1 milhões de pessoas.
Como desdobramento, em dezembro de 2025, a rede publicou a cartilha “Repcone Proteção Digital para Comunicadoras Negras na América Latina”, com dados, análises e orientações práticas para enfrentar vazamentos de dados, perseguições, assédio e desinformação. O material também destaca os impactos na saúde mental, na trajetória profissional e na permanência dessas mulheres em posições de liderança.
Fonte: Agência Brasil
Decisão no STF
Direitos humanos
Infância e clima
Caso Aline Borel
Crime farmacêutico
Justiça e política