Caso Aline Borel
Por REDAÇÃO
24 de julho de 2026 às 19:24 ▪ Atualizado há 1 hora
A Justiça de Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, definiu as penas dos responsáveis pela morte da cantora e influenciadora digital Aline Borel dos Santos, assassinada em 2022. O crime, que teve grande repercussão nas redes sociais e na imprensa, terminou com a condenação de dois réus julgados pelo Tribunal do Júri.
Natanael dos Santos Nunes recebeu pena de 28 anos e um mês de prisão. Já Luiz Henrique Motta Fersura foi condenado a 16 anos e seis meses. A sentença foi proferida após julgamento na Vara Criminal de Araruama, encerrado na madrugada desta sexta-feira (24), depois de uma sessão iniciada na quinta-feira (23).
O caso foi analisado pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. Ao final da sessão, a Justiça fixou as penas de Natanael e Luiz Henrique, apontados como participantes do homicídio que vitimou Aline Borel, então com 28 anos.
A decisão foi assinada pelo juiz Eric Baracho Dore Fernandes, que presidiu os trabalhos durante o julgamento. O magistrado também registrou, na sentença, aspectos relacionados ao impacto social do crime, citando a repercussão e a comoção provocadas pelo assassinato.
Segundo a denúncia apresentada no processo, Aline Borel foi atraída pelos criminosos para a Praia do Dentinho, localizada em Praia Seca, distrito de Araruama. O crime ocorreu em 20 de abril de 2022, quando a vítima foi executada a tiros no local.
Além dos dois condenados, a acusação indicou possível participação de outros investigados: João Vítor Fernandes dos Santos e Ricardo Santos Oliveira. O texto da denúncia aponta que o homicídio teria sido planejado no contexto de disputas criminosas na região.
De acordo com as apurações citadas na denúncia, Ricardo Santos Oliveira, descrito como liderança de uma facção ligada ao tráfico de drogas na área do Corte, em Praia Seca, teria determinado a morte da cantora. A motivação apontada foi a suspeita de que Aline repassaria informações a uma milícia que disputava o controle territorial e criminal da região.
Entretanto, para a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a influenciadora teria sido morta por engano. A linha investigativa considera que a vítima foi confundida no contexto desse conflito, o que teria levado ao desfecho fatal.
Ao fundamentar a sentença, o juiz Eric Baracho Dore Fernandes mencionou a imagem pública de Aline Borel e o alcance que ela havia conquistado. O magistrado citou a presença de muitos seguidores e admiradores, além do sentimento de perda precoce que tomou conta de parte do público que acompanhava a artista.
No entendimento do juiz, a morte teve forte repercussão justamente por envolver uma figura conhecida na internet e em programas de auditório, reconhecida por um estilo espontâneo que chamava atenção dos seguidores.
Aline Borel dos Santos ganhou destaque nas redes sociais por publicar vídeos cantando composições autorais e versões bem-humoradas de músicas populares. O conteúdo leve, com linguagem acessível e pegada cômica, ajudou a ampliar o alcance das publicações e a consolidar a influenciadora como um nome reconhecido por parte do público online.
Entre os materiais que viralizaram estavam releituras de canções conhecidas, incluindo músicas associadas à dupla Sandy & Junior, além de composições próprias. Um dos exemplos citados por seguidores era a música “É cansativa a vida do crente”, que circulou amplamente na internet.
Com a condenação dos réus em Araruama, o caso avança no desfecho judicial de um crime que marcou a Região dos Lagos e expôs, novamente, a influência de disputas entre grupos criminosos sobre a rotina de comunidades locais.
Fonte: Agência Brasil
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