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Imazon: 80% das áreas protegidas da Amazônia não tiveram desmate

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que 588 áreas protegidas da Amazônia passaram sem registros de desmatamento entre janeiro e junho deste ano. O total corresponde a mais

Por REDAÇÃO

24 de julho de 2026 às 14:48 ▪ Atualizado há 1 hora


Imazon: 80% das áreas protegidas da Amazônia não tiveram desmate

Um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta sexta-feira (24), indica que a maior parte das áreas protegidas da Amazônia passou o primeiro semestre de 2026 sem qualquer registro de desmatamento.

De janeiro a junho, 588 territórios sob proteção oficial não tiveram derrubada de floresta detectada. Esse número representa mais de 80% do total analisado e reúne 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação.

O estudo foi publicado poucos dias depois de o governo dos Estados Unidos citar o desmatamento ilegal como um dos argumentos para aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em resposta, o governo brasileiro classificou as acusações como “indevidas” e afirmou que os indicadores de desmatamento vêm diminuindo desde 2023.

Menor desmatamento no primeiro semestre em oito anos

Segundo o Imazon, a Amazônia acumulou 1.145 km² de área desmatada entre janeiro e junho de 2026. O total é 10% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

O instituto destaca que este é o menor patamar para um primeiro semestre nos últimos oito anos, dentro da série acompanhada pela entidade. Na comparação com 2022, ano em que houve o pico do desmatamento no recorte de janeiro a junho, a queda chega a 76%.

Para especialistas, a leitura do dado é relevante por combinar volume total menor com um desempenho expressivo dentro de territórios formalmente protegidos, que costumam funcionar como barreiras importantes contra o avanço da devastação.

Participação das áreas protegidas no desmatamento

Apesar de 588 áreas protegidas não terem registrado desmate no semestre, o Imazon contabilizou 97,37 km² de derrubada dentro desses territórios no mesmo período. Isso equivale a 8% de toda a área desmatada na Amazônia entre janeiro e junho de 2026.

Do total observado em áreas protegidas, 9,38 km² ocorreram em terras indígenas. Já as unidades de conservação concentraram 87,99 km².

Os números reforçam a avaliação de que, embora a maioria dessas áreas consiga manter a floresta em pé, existe um conjunto menor de territórios sob pressão contínua, com impacto desproporcional no saldo final.

Focos de pressão: APA Triunfo do Xingu e Flona do Jamanxim

O levantamento aponta a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, como o principal ponto crítico do semestre. A área respondeu por aproximadamente metade do desmatamento registrado em todas as áreas protegidas da Amazônia.

Entre janeiro e junho, foram derrubados 47,85 km² de floresta dentro do território, segundo o Imazon.

Outra área que aparece com destaque no relatório é a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará. O Imazon relaciona a situação recente da unidade à aprovação, no Senado, de um projeto de lei que reduz sua extensão territorial.

No ranking das unidades de conservação com maior desmatamento, a Flona do Jamanxim aparece como a quinta mais afetada no período. A perda estimada foi de 3,45 km² de floresta, o que o instituto compara a quase 350 campos de futebol.

A coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito, afirmou que a proposta aprovada no Senado favorece ocupações ilegais ocorridas após a criação da unidade, em 2006. Para ela, unidades de conservação têm papel central para frear o desmatamento e reduzir riscos associados à crise climática, e o texto deveria ser vetado pela Presidência.

Onde o desmatamento cresceu e onde caiu na Amazônia Legal

O Imazon também analisou o comportamento do desmatamento nos nove estados da Amazônia Legal, considerando o intervalo de agosto de 2025 a junho de 2026. Nesse recorte, apenas dois estados registraram aumento: Roraima, com alta de 25%, e Maranhão, com crescimento de 20%.

Nos demais sete estados, a tendência foi de queda, com reduções que variaram de 67% em Tocantins a 27% em Mato Grosso.

Quando o critério é a extensão total desmatada, o Pará liderou no período, com 684 km². Na sequência aparecem Mato Grosso, com 509 km², e Amazonas, com 378 km².

O que os dados indicam sobre a proteção da floresta

Os resultados do semestre reforçam dois movimentos simultâneos: de um lado, a redução do desmatamento total na Amazônia em relação ao ano anterior; de outro, a permanência de “ilhas” de devastação intensa dentro de áreas que, em tese, deveriam ter proteção reforçada.

O levantamento do Imazon sugere que a estratégia de conservação tem sido eficaz em grande parte do território, especialmente ao manter a maioria das terras indígenas e unidades de conservação sem registros de desmate no período. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que ações de fiscalização, gestão territorial e segurança jurídica seguem decisivas para conter a pressão concentrada em áreas específicas, como no caso da APA Triunfo do Xingu e da Flona do Jamanxim.

Em meio ao debate internacional sobre comércio e critérios ambientais, números como os divulgados pelo Imazon tendem a ganhar peso tanto na formulação de políticas públicas quanto na disputa de narrativas sobre a capacidade do país de reduzir a derrubada ilegal de floresta.

Fonte: Agência Brasil



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