Segurança pública
Por REDAÇÃO
23 de julho de 2026 às 13:15 ▪ Atualizado há 1 hora
As dez cidades com as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) do Brasil estão localizadas na região Nordeste, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O levantamento reúne os principais indicadores criminais registrados no país ao longo de 2025 e organiza um ranking por taxa de MVI a cada 100 mil habitantes. Dentro dessa lista, a Bahia aparece com cinco municípios, enquanto o Ceará tem três. Pernambuco e Paraíba registram uma cidade cada.
A taxa de Mortes Violentas Intencionais é um indicador que agrega diferentes tipos de mortes associadas à violência. No anuário, a categoria inclui homicídio doloso, feminicídio, latrocínio (roubo seguido de morte), lesão corporal seguida de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e também óbitos de policiais — em serviço e fora do horário de trabalho.
Por reunir ocorrências de naturezas distintas, o índice é usado para comparar o nível de letalidade violenta entre municípios e acompanhar tendências ao longo dos anos.
Confira os municípios que lideram o ranking nacional de MVI por 100 mil habitantes em 2025, conforme o anuário:
Observação: os valores acima representam a taxa de MVI a cada 100 mil habitantes, conforme a publicação do Fórum.
De acordo com a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a explicação mais recorrente para os patamares elevados observados nessas cidades é a disputa entre grupos criminosos pelo controle de rotas e pontos de venda ligados ao tráfico de drogas.
O anuário relaciona a escalada de violência a conflitos entre facções e a áreas consideradas estratégicas para circulação de entorpecentes, sobretudo em municípios próximos a rodovias, regiões metropolitanas e polos turísticos, onde há maior fluxo de pessoas e mercadorias.
No topo do ranking está Maranguape (CE), com taxa de 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. Segundo o anuário, o patamar é cerca de cinco vezes superior à média nacional.
A publicação aponta que a cidade ganhou relevância para organizações criminosas pela posição geográfica e pela proximidade de importantes corredores logísticos da região, como a BR-22 e a rodovia CE-065. Esses eixos facilitariam o deslocamento e a distribuição de drogas, aumentando o interesse de grupos armados pelo território.
Maracanaú (CE) aparece na terceira colocação, com taxa de 80,7 por 100 mil habitantes. O município é vizinho de Maranguape e, de acordo com o anuário, tem também uma localização relevante por estar mais próximo do Aeroporto Internacional de Fortaleza.
Na leitura do Fórum, a proximidade com infraestrutura de transporte e a integração com a Região Metropolitana contribuem para tornar o território alvo de disputas, em um contexto de reorganização de grupos criminosos e enfrentamentos locais.
Na segunda posição, Eunápolis (BA) registra taxa de 85,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. O município está situado no extremo sul baiano e, segundo o anuário, enfrenta um cenário marcado por rivalidade entre grupos faccionados.
A cidade é descrita como um ponto estratégico para o transporte de drogas por ser cortada por duas rodovias nacionais. Outro dado que chama atenção é a mudança recente: na edição anterior do anuário, Eunápolis não aparecia sequer entre as 20 cidades com maiores índices de violência letal.
Apesar da concentração das maiores taxas em municípios do Nordeste, o anuário aponta redução no indicador nacional. A taxa de MVI no Brasil passou de 20,6 por 100 mil habitantes em 2024 para 19,1 em 2025, representando uma queda de 8,2%.
O relatório também indica que esse é o menor nível desde 2012, ano em que o índice começou a ser monitorado. Em números absolutos, foram contabilizadas 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, ante 44.127 em 2024.
O documento ressalta que os dados permitem observar tendências, mas não eliminam a necessidade de estratégias regionais específicas, especialmente em áreas onde a disputa pelo tráfico e o controle territorial elevam o risco de letalidade.
Fonte: Agência Brasil
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