Violência e direitos
Por REDAÇÃO
23 de julho de 2026 às 12:05 ▪ Atualizado há 2 horas
A Polícia Civil de São Paulo apura, sob sigilo, a morte de duas mulheres negras e LGBTQ+ que viviam em Praia Grande, no litoral paulista. O caso é conduzido com prioridade pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade, segundo informações repassadas pelas autoridades.
As vítimas, Ieda Simplício, de 62 anos, e Fabiana Nogueira, de 47, foram encontradas sem vida na tarde do último sábado (20), no bairro Samaritá, em São Vicente. Elas estavam desaparecidas desde 9 de julho.
De acordo com a apuração policial, as duas mulheres sumiram no início de julho e, nove dias depois, os corpos foram encontrados em uma área de mata. A investigação busca esclarecer as circunstâncias da morte e identificar os responsáveis.
A Polícia Civil informou que já solicitou exames periciais e necroscópicos, etapas consideradas essenciais para definir a dinâmica do crime e subsidiar as próximas diligências. As equipes seguem em campo para reunir elementos que levem à autoria.
O inquérito está em andamento sob sigilo, procedimento comum em casos que envolvem coleta de provas sensíveis, oitivas e diligências que podem ser prejudicadas com a divulgação de detalhes. A DIG concentra os trabalhos e mantém o caso como prioridade.
Até o momento, as autoridades não divulgaram conclusões sobre motivação ou suspeitos. A expectativa é que os laudos e demais provas técnicas ajudem a esclarecer se houve crime motivado por ódio, incluindo hipóteses como misoginia, lesbofobia e racismo, pontos levantados por representantes e entidades nas redes sociais.
A repercussão do caso provocou manifestações públicas de integrantes da comunidade LGBTQ+ e de representantes políticos. A deputada federal Erika Hilton (Psol) declarou na rede X que acionou o Ministério Público de São Paulo e cobrou rigor na identificação e responsabilização dos autores.
Em publicações, a parlamentar destacou a brutalidade do crime e chamou atenção para a necessidade de o poder público considerar, durante a apuração, hipóteses como feminicídio, lesbocídio e assassinatos motivados por racismo.
A fundadora do Instituto Marielle Franco e ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também se manifestou no X. Ela relacionou o episódio ao cenário de aumento de casos de feminicídio no Brasil e afirmou que, quando as vítimas são lésbicas, o silêncio e a invisibilidade podem reforçar a violência.
Para Anielle, o caso não deve ser tratado como mais um número nas estatísticas. Ela defendeu que crimes de ódio sejam investigados com seriedade e lembrou que o enfrentamento desse tipo de violência é responsabilidade do Estado, com justiça e responsabilização.
Organizações da sociedade civil também se posicionaram. A Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais publicou um memorial do casal no Instagram e reforçou a importância de que a investigação considere recortes de gênero e orientação sexual ao tratar a ocorrência.
Na avaliação da entidade, quando mortes de mulheres lésbicas são registradas apenas como homicídios, corre-se o risco de apagar motivações e dificultar a formulação de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência. A organização afirmou ainda que denúncias e registros são essenciais para demonstrar que esses casos não podem ser tratados como eventos isolados.
Além das cobranças por respostas das autoridades, usuários nas redes sociais questionaram a dimensão da cobertura do episódio na imprensa. Parte das publicações afirma que crimes relacionados à lesbofobia costumam ter menor repercussão e visibilidade.
O debate ganhou força principalmente entre perfis ligados a direitos humanos e a movimentos LGBTQ+, que pedem atenção proporcional à gravidade do caso e acompanhamento permanente dos desdobramentos da investigação.
Até este momento, a Polícia Civil confirma que:
Novas informações devem depender do avanço das perícias e do andamento do inquérito policial.
Fonte: Agência Brasil
Transporte sobre trilhos
Justiça Eleitoral
Saúde no futebol
Crise no IRM
Transporte público
Publicidade de apostas