Agenda ambiental
Por REDAÇÃO
23 de julho de 2026 às 10:37 ▪ Atualizado há 4 horas
A Câmara dos Deputados aprovou, no primeiro semestre de 2026, um conjunto de propostas com impacto direto sobre regras ambientais, fiscalização e produtos de consumo. Parte dos textos avançou em caráter conclusivo nas comissões, enquanto outros passaram pelo Plenário. As matérias seguem agora para análise do Senado.
Entre os projetos que tramitaram no período, a Câmara aprovou conclusivamente o Projeto de Lei (PL) 364/19, que estende a aplicação das regras de regularização do Código Florestal a todos os biomas. A iniciativa inclui a Mata Atlântica, que hoje tem uma legislação específica com exigências mais rígidas do que as previstas no Código Florestal.
O texto é de autoria do deputado Alceu Moreira (MDB-RS) e teve relatoria do deputado Lucas Redecker (PSD-RS). Pela proposta, a regularização poderá alcançar ocupações anteriores ao próprio Código Florestal, inclusive quando envolver Áreas de Preservação Permanente (APPs), reserva legal e áreas classificadas como de uso restrito.
Na prática, a proposta altera o cenário de permissões na Mata Atlântica ao autorizar atividades agrossilvopastoris em locais onde a Lei da Mata Atlântica atualmente impõe vedação. O projeto também prevê dispensa de autorização para corte de vegetação nativa ou em regeneração, abrangendo formações primárias e secundárias em recuperação em estágio médio ou avançado, sem se limitar às exceções hoje existentes.
Outro ponto é o efeito da regularização: depois de cumprir as etapas estabelecidas no Código Florestal — consideradas mais flexíveis do que as da legislação específica da Mata Atlântica — o imóvel rural passaria a ser reconhecido como regularizado quanto às áreas consolidadas, APPs, reserva legal e áreas de uso restrito.
O texto ainda abre a possibilidade de utilizar a área rural consolidada para diferentes finalidades produtivas, permitindo substituir a atividade já exercida por outra, como agricultura.
Além de tratar da regularização, o PL 364/19 permite o chamado uso alternativo do solo em formações campestres. A medida alcança campos de altitude na Mata Atlântica, campos gerais e campos nativos em diferentes regiões do país.
O alcance descrito inclui, entre outros biomas, Pantanal, Cerrado e Pampas, além de áreas específicas na Amazônia. Esses ambientes se caracterizam por vegetação predominantemente campestre, com gramíneas, herbáceas e arbustos, e são citados como relevantes para a conservação de espécies exclusivas e para a proteção de nascentes e cabeceiras de drenagem em áreas mais elevadas.
Outro tema que avançou na Câmara foi a atuação de fiscalização ambiental. Os deputados aprovaram projeto que restringe a adoção de medidas cautelares entendidas como antecipação de penalidades previstas na Lei de Crimes Ambientais. A proposta está em análise no Senado.
O PL 2564/25 é de autoria dos deputados Lucio Mosquini (PL-RO) e Zé Adriano (PP-AC) e teve relatoria da deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO). O texto condiciona o uso de imagens de satélite como fundamento para embargos de obras ou de desmatamentos à garantia de notificação prévia do envolvido, para apresentação de esclarecimentos e documentos.
Com essa exigência, mesmo em situações em que certas intervenções são proibidas — como o desmatamento dentro de unidades de conservação de proteção integral —, a interrupção imediata da atividade pela fiscalização dependeria desse procedimento de defesa prévia, conforme a redação aprovada.
A proposta também impede a destruição ou inutilização de equipamentos e produtos associados a crime ambiental, por considerar esse tipo de ação uma antecipação de sanção. Esse mecanismo é utilizado pelo Ibama em casos considerados graves, com base no Decreto 6.154/08, especialmente quando há dificuldade logística para remover maquinário empregado em desmatamento para depósito do órgão como forma de apreensão. Nessas ocorrências, a medida cautelar é apontada como forma de evitar a continuidade do dano.
A Câmara também aprovou um projeto que volta a tratar da diminuição dos limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará. O texto segue para o Senado.
O PL 2486/26, de autoria do deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL) e relatado pelo deputado José Priante (MDB-PA), prevê o desmembramento de 486 mil hectares da área atual, estimada em 1,3 milhão de hectares. A parcela separada seria transformada em Área de Proteção Ambiental (APA).
Com a mudança, a Flona do Jamanxim passaria a ter aproximadamente 815 mil hectares. O projeto estabelece ainda que a mineração será expressamente admitida tanto na Flona quanto na APA criada, conforme regras previstas em planos de manejo.
A região é descrita como área com dificuldades para conter exploração ilegal, incluindo desmatamento e garimpo dentro da unidade de conservação.
Na frente de políticas ambientais voltadas ao consumo, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou em caráter conclusivo a proposta que proíbe fabricar, importar e comercializar produtos de higiene e cosméticos com microesferas de plástico. O texto foi enviado ao Senado.
O PL 6528/16, do deputado Mário Heringer (PDT-MG), tem como objetivo reduzir a contaminação de rios e oceanos. A justificativa é que, por serem muito pequenas, essas partículas podem atravessar sistemas de filtragem em estações de tratamento de esgoto.
As microesferas são definidas como partículas com menos de cinco milímetros e aparecem em itens usados para limpeza, clareamento, abrasão ou esfoliação da pele. Se a futura lei for sancionada, as regras passariam a valer 12 meses após a publicação.
De acordo com o levantamento do primeiro semestre de 2026, o Plenário da Câmara aprovou 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.
Fonte: Agência Câmara
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