Política esportiva
Por Admin
27 de março de 2026 às 11:32
A Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra) se posicionou contra a nova política divulgada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para a participação em categorias femininas. A diretriz foi anunciada nesta quinta-feira (26) e estabelece que apenas “mulheres biológicas” poderão competir nas provas destinadas ao feminino.
A comunicação oficial foi feita pela presidente do COI, Kirsty Coventry. Segundo ela, a medida tem como objetivo reforçar a proteção das atletas e garantir condições justas de disputa nas competições.
Em nota, a Antra afirmou que a decisão consolida um modelo de exclusão e que não estaria amparada por um compromisso real com justiça esportiva. Para a entidade, a restrição a mulheres trans evidencia um movimento que, sob a aparência de respaldo científico, retomaria práticas discriminatórias.
Ao contestar a justificativa do COI, a associação sustentou que o debate público vem sendo direcionado de forma seletiva. A Antra argumenta que apresentar a nova política como mecanismo de proteção desconsidera problemas estruturais enfrentados por mulheres no esporte, como falta de investimento, menor visibilidade, insegurança e dificuldades para manter condições adequadas de permanência em alto rendimento.
No entendimento da entidade, o foco em restringir a participação de atletas trans não responde aos desafios centrais que impactam a carreira esportiva de mulheres em diferentes modalidades.
A Antra também classificou a mudança como um retrocesso. Na avaliação da associação, a nova política se conecta mais a pressões políticas e morais do que a critérios consolidados pela ciência ou por parâmetros de segurança.
A entidade chamou atenção ainda para a possibilidade de retorno de mecanismos considerados ultrapassados, como testes de verificação de gênero. Segundo a Antra, esse tipo de procedimento tem histórico de violações, constrangimentos e ausência de padrões éticos consistentes, afetando diretamente a dignidade de atletas.
Após a divulgação da diretriz, o COI detalhou que a seleção para competir em categorias femininas ocorrerá por meio de um teste genético único. O protocolo prevê triagem com coleta de material biológico, como saliva, cotonete bucal ou amostra de sangue.
Na nota, o comitê argumenta que, em disputas olímpicas, diferenças consideradas pequenas podem alterar resultados, influenciando vitórias e derrotas. A partir dessa premissa, o COI sustenta que não seria justo que “homens biológicos” competissem no feminino.
De acordo com Coventry, a política foi implementada após a análise de estudos médicos e científicos. O COI informou que adotará como referência a presença do gene SRY, associado ao cromossomo Y.
Segundo o comitê, esse marcador seria fixo ao longo da vida e funcionaria como evidência altamente precisa de que a atleta passou por desenvolvimento sexual masculino.
O COI afirmou que haverá exceções. Entre elas, estão atletas com diagnóstico de Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa (SIA) e outros casos raros de diferenças ou distúrbios do desenvolvimento sexual (DDS) em que, segundo o comitê, não haveria benefício decorrente dos efeitos anabólicos e/ou de melhora de desempenho associados à testosterona.
Além disso, o COI informou que atletas com resultado positivo para SRY — incluindo pessoas transgênero XY e atletas XY-DSD sensíveis a andrógenos — poderão ter a opção de competir em outras categorias.
A decisão do COI e a reação de entidades como a Antra tendem a manter o tema em evidência no esporte internacional. De um lado, o comitê defende que a política reforça a equidade competitiva na categoria feminina. Do outro, organizações de defesa de direitos apontam risco de institucionalização de medidas excludentes, com impacto direto sobre a participação de mulheres trans no alto rendimento.
Com a definição de critérios genéticos e a previsão de exceções, a implementação prática da regra e seus efeitos sobre atletas e federações deve continuar sendo acompanhada de perto nos próximos meses.
Fonte: UrbNews
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