Caso Henry Borel
Por Admin
24 de março de 2026 às 13:22
O julgamento do caso Henry Borel, menino morto em 2021, começou nesta segunda-feira (23) no Rio de Janeiro, mas foi interrompido e remarcado para 25 de maio. A suspensão ocorreu depois que a defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, réu e padrasto da criança, deixou o plenário após solicitar adiamento do júri.
Com a mudança de data, Monique Medeiros, mãe de Henry e também acusada no processo, passou a responder em liberdade provisória. Ela estava presa preventivamente desde as investigações do caso.
A sessão no Tribunal do Júri chegou a avançar nas etapas iniciais. A juíza Elizabeth Machado Louro realizou o sorteio do Conselho de Sentença, formado por seis mulheres e um homem, e deu andamento à leitura da denúncia.
No entanto, o andamento do júri foi travado quando os advogados de Jairinho pediram a suspensão do julgamento. A justificativa apresentada foi a suposta falta de acesso a todo o conjunto de provas do processo.
Diante do episódio, a magistrada dispensou a equipe de defesa e decidiu pelo reagendamento do júri. Na avaliação registrada pela juíza, a conduta representou uma interrupção indevida do andamento processual e contrariou orientação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema.
Além de remarcar o julgamento, a juíza Elizabeth Machado Louro determinou que os advogados deverão reembolsar os gastos gerados com a realização da sessão desta segunda-feira (23). A medida foi tomada após o encerramento antecipado dos trabalhos em plenário.
O caso envolve dois réus: Jairinho, apontado como autor das agressões que levaram à morte do menino, e Monique, investigada por supostamente ter se omitido diante do cenário de violência.
Após a decisão de adiar o julgamento e conceder liberdade provisória a Monique, Leniel Borel, pai de Henry, divulgou uma declaração pública sobre a frustração com o desfecho da sessão. Ele afirmou que recebeu o episódio como se fosse uma nova violência contra o filho.
Na manifestação, Leniel citou o laudo do caso, que aponta 23 lesões no corpo da criança, e disse que a dor da perda se somou a sentimentos de indignação e injustiça com o adiamento do júri.
O pai do menino também declarou que vinha alertando, havia algum tempo, para o que chamou de estratégia de protelação por parte dos acusados. Segundo ele, haveria uma tentativa recorrente de postergar o julgamento, além de relatos de pressão e intimidação. Leniel afirmou que seguirá se pronunciando e cobrando responsabilização.
Henry Borel Medeiros tinha quatro anos quando morreu, em março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A criança foi levada ao hospital já sem vida e, no início, a morte foi apresentada como consequência de um acidente doméstico.
Com o avanço das investigações e a análise pericial, a hipótese inicial perdeu força. Exames apontaram que Henry sofreu morte violenta, com múltiplas lesões pelo corpo, incluindo ferimentos na cabeça, hematomas e danos internos.
De acordo com o que foi divulgado no processo, a causa da morte foi hemorragia interna e laceração no fígado provocadas por ação contundente, quadro compatível com agressões. A acusação atribui a Jairinho a autoria de atos contínuos de violência contra a criança.
A investigação também indicou que Monique Medeiros teria sido alertada anteriormente sobre o histórico de agressões, mas não teria adotado medidas para impedir que o filho continuasse exposto ao risco.
Com o júri remarcado para 25 de maio, o Tribunal do Júri deverá retomar o caso a partir das etapas formais do julgamento popular, incluindo o debate entre acusação e defesa e a deliberação do Conselho de Sentença.
Fonte: UrbNews
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