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Fabiano Zettel troca defesa e busca delação no caso Banco Master

Quem assume a defesa de Fabiano Zettel no Supremo Tribunal Federal (STF) é Celso Vilardi, que também é advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Por Admin

25 de março de 2026 às 20:47


Fabiano Zettel troca defesa e busca delação no caso Banco Master

Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e investigado no inquérito que apura suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master, mudou sua estratégia de defesa e passou a trabalhar para viabilizar um acordo de delação premiada. A movimentação ocorre enquanto as apurações avançam sobre transações financeiras consideradas relevantes pela Polícia Federal (PF).

A troca de advogados foi formalizada em comunicado divulgado nesta quarta-feira (25). No texto, os então defensores Maurício Campos Jr., Juliano Brasileiro e João Victor Assunção informaram que deixaram a representação do investigado.

Celso Vilardi assume a defesa no STF

Quem passa a atuar por Zettel no Supremo Tribunal Federal (STF) é o advogado Celso Vilardi. Ele também integra a equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e já trabalhou em casos de grande repercussão nacional, como o Mensalão e investigações decorrentes da Lava Jato.

A mudança acontece em um momento em que o entorno de Daniel Vorcaro também busca alternativas junto às autoridades. Segundo informações recentes, o próprio ex-banqueiro iniciou conversas para negociar um possível acordo de colaboração premiada.

PF vê Zettel como elo central no esquema investigado

Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro. Ele já atuou como pastor da Igreja Batista da Lagoinha e também foi diretor do Banco Master, de acordo com informações já publicadas sobre o caso.

Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, investigadores da PF consideram o cunhado do ex-banqueiro uma figura determinante para compreender a dinâmica do suposto esquema de fraude bilionária contra o sistema financeiro. A avaliação é que ele teria papel relevante no fluxo de recursos e no relacionamento com estruturas usadas para movimentar valores sob suspeita.

Repasses de R$ 485 milhões entram no radar da investigação

Um dos pontos que chama atenção no inquérito são transferências atribuídas a uma empresa investigada chamada Super Empreendimentos. A PF apura se a companhia teria sido utilizada como via para pagamentos relacionados a uma suposta milícia privada vinculada ao grupo investigado e também a agentes públicos.

Segundo dados citados pela Folha, Zettel teria recebido R$ 485 milhões dessa empresa no período entre julho de 2022 e janeiro deste ano. Em 2023, ainda de acordo com a publicação, os repasses somaram R$ 160 milhões, distribuídos em 264 transferências.

Os maiores valores individuais mencionados teriam sido enviados entre fevereiro e abril, em remessas de R$ 5 milhões cada. A linha de apuração busca esclarecer se tais operações ocorreram, se há lastro econômico e se os pagamentos correspondem a serviços efetivamente prestados ou se podem indicar irregularidades.

Quebras de sigilo e análise de diálogos orientam novas frentes

Investigadores cruzam conversas atribuídas a Zettel e a Daniel Vorcaro com movimentações financeiras obtidas a partir de quebras de sigilo autorizadas no âmbito do caso. O objetivo é mapear a rede de relações, identificar beneficiários e verificar a origem e o destino de valores movimentados.

Na visão da PF, a análise do ecossistema financeiro ligado ao investigado pode abrir novas frentes de investigação, ampliando o alcance do inquérito e ajudando a entender como o suposto esquema se sustentava.

Suspeitas envolvendo fundos e o resort Tayayá

As suspeitas também alcançam fundos associados a Zettel e relacionados ao resort Tayayá. Reportagem anterior da Folha de S.Paulo apontou que uma empresa da família do ministro Dias Toffoli, do STF, chegou a ser sócia em empreendimento ligado ao resort, informação que entrou no contexto das apurações sobre possíveis crimes financeiros.

O conjunto de elementos está sendo usado para avaliar se houve irregularidades na estruturação de investimentos, na captação de recursos e no caminho percorrido pelo dinheiro, conforme as suspeitas já levantadas no caso.

Prisão em duas ocasiões e mudança de relatoria

Zettel foi preso duas vezes durante as investigações. A primeira detenção ocorreu de forma temporária, em 14 de janeiro, por decisão do ministro Dias Toffoli. A segunda prisão aconteceu em março, já no período em que a operação passou a ser acompanhada sob a supervisão do ministro André Mendonça.

As prisões fazem parte das medidas adotadas no curso do inquérito para coleta de provas, preservação de evidências e aprofundamento de diligências.

Atuação no mercado e doações eleitorais em 2022

No ambiente empresarial, Zettel ganhou notoriedade como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora que se apresenta como dedicada ao segmento de bem-estar. Por meio da empresa, participou de operações e sociedades com marcas do varejo e do setor de saúde e consumo, como o Grupo Frutaria, a rede de açaí Oakberry, a academia Les Cinq, a Desinchá e a Super Nutrition, voltada a suplementos.

Ele também aparece no noticiário político por doações de campanha em 2022. Conforme dados citados pela Folha, foi o maior doador individual das campanhas do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões no total — R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio.

Texto baseado em informações publicadas por José Marques, da Folhapress.

Fonte: UrbNews



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