Bastidores do PL
Por Admin
31 de março de 2026 às 09:00
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (30) que conflitos internos envolvendo a família Bolsonaro precisam ser contornados para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenha condições de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas próximas eleições presidenciais.
A declaração foi dada em São Paulo, durante um almoço do grupo Lide, organizado pelo ex-governador João Doria. No encontro, Valdemar respondeu a perguntas de empresários e, depois, falou com jornalistas sobre a estratégia eleitoral do partido e os obstáculos no campo bolsonarista.
Segundo Valdemar, o ambiente de atrito entre filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) cria ruído político e pode afetar a construção da pré-campanha de Flávio.
Ele reconheceu que a tensão seria mais acentuada na relação com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Também observou que Michelle, embora tenha atuação partidária, ainda não teria entrado de forma efetiva na mobilização pública em torno do senador.
Questionado pelo empresário Basílio Jafet sobre o impacto de disputas familiares e declarações mais duras de integrantes do clã na corrida eleitoral, Valdemar disse que a prioridade é diminuir o desgaste e manter o grupo unido para maximizar as chances de vitória.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, em autoexílio. Valdemar indicou que pretende tratar do tema diretamente com Flávio e afirmou que tem uma conversa marcada com o senador no fim de semana.
O dirigente do PL também comentou uma fala de Eduardo Bolsonaro durante a CPAC, conferência conservadora de alcance internacional. De acordo com Valdemar, Eduardo teria se equivocado ao dizer que estava gravando um vídeo para mostrar ao pai, que estaria em prisão domiciliar.
Valdemar disse que, segundo Michelle Bolsonaro, não seria permitido o ingresso de telefone na residência do ex-presidente, o que inviabilizaria o compartilhamento do material da forma descrita por Eduardo.
Na mesma conversa, Valdemar afirmou que não trabalha com a hipótese de a senadora Tereza Cristina (PP) ou Michelle Bolsonaro comporem a chapa de Flávio como vice.
Ele elogiou Tereza Cristina e também destacou a atuação de Michelle à frente do PL Mulher. Ainda assim, sustentou que uma articulação nacional exigiria ampliar o espaço para alianças e acomodar outras siglas.
Valdemar relatou que Tereza Cristina teria dito a ele, na semana anterior, que pretende disputar novamente uma vaga ao Senado.
Ao abordar o desenho eleitoral para 2026, o presidente do PL defendeu que a composição com uma mulher na vice seria um movimento estratégico. Ele argumentou que, em 2022, manter o general Braga Netto como vice de Jair Bolsonaro não ajudou a reduzir a resistência do eleitorado feminino ao então presidente.
A ideia, segundo ele, é evitar repetir erros e construir uma fórmula com apelo mais amplo, sem, porém, antecipar nomes.
Valdemar também comentou o chamado “caso Master”, tema que vem sendo explorado pela direita bolsonarista para tentar associar desgaste ao governo Lula. Ele afirmou que a base governista não estaria disposta a assinar uma CPI sobre o assunto e sugeriu que isso poderia indicar envolvimento de pessoas ligadas ao governo.
Nos bastidores, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro avalia que o episódio tem potencial para atingir a imagem do presidente e se tornar um ponto de ataque na disputa eleitoral.
Até o momento, porém, os principais nomes citados publicamente no caso incluem figuras alinhadas à direita. Entre elas, aparece o senador Ciro Nogueira (PP), apontado como um dos políticos próximos de Daniel Vorcaro, dono do Master, além de ter atuado no Congresso em pautas de interesse do banco. Vorcaro também foi relacionado a líderes do centrão, como Antonio Rueda, presidente do União Brasil.
O presidente do PL foi questionado ainda sobre a pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado (PSD), anunciada nesta segunda-feira. Valdemar disse ter dúvidas sobre a viabilidade do movimento, mas afirmou considerar Caiado um nome competitivo.
Apesar disso, sinalizou que, por enxergar o governador como integrante do campo da direita, acredita que Caiado tenderia a apoiar Flávio em um eventual segundo turno contra Lula. Valdemar também afirmou que, se eleito, Flávio teria interesse em chamar governadores com desempenho bem avaliado para compor o governo.
Valdemar também foi questionado sobre uma declaração de Flávio Bolsonaro na CPAC envolvendo suposta interferência do ex-presidente americano Joe Biden nas eleições de 2022, teoria que circula em grupos trumpistas e bolsonaristas e menciona a Usaid, agência que foi dissolvida no governo Donald Trump.
Ao responder se Flávio desconfia do sistema eleitoral brasileiro, Valdemar disse que o senador teria confiança no processo. Ao mesmo tempo, defendeu a possibilidade de adoção de comprovante impresso do voto como mecanismo adicional de verificação, embora tenha afirmado não acreditar em fraude nas urnas eletrônicas.
Após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, o PL pediu a invalidação de votos de parte das urnas eletrônicas com base em um relatório que foi contestado por especialistas, sob a alegação de falhas metodológicas e lacunas técnicas.
Fonte: UrbNews
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