Corrida presidencial 2026
Por Admin
30 de março de 2026 às 19:52
O PSD, comandado por Gilberto Kassab, anunciou nesta segunda-feira (30) que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será o nome do partido na etapa de pré-campanha para a eleição presidencial de 2026. A comunicação foi feita a jornalistas na sede da legenda, no centro de São Paulo.
Aos 76 anos, Caiado passou a ser o principal representante do PSD na disputa interna por espaço na corrida ao Palácio do Planalto. O processo envolvia também o governador do Paraná, Ratinho Junior, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Ratinho Junior, porém, recuou da possibilidade de concorrer, o que abriu caminho para a confirmação de Caiado como pré-candidato.
A oficialização ocorreu em um encontro com a imprensa na capital paulista. Kassab vem defendendo que o partido construa uma alternativa eleitoral para 2026, buscando eleitores que rejeitam tanto a continuidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto uma candidatura ligada diretamente ao bolsonarismo.
No desenho apresentado por aliados, Caiado surge como aposta para ocupar um espaço no campo da direita e do centro-direita, com foco em segurança pública, combate à corrupção e defesa de pautas associadas ao agronegócio.
Durante a declaração desta segunda-feira, o governador afirmou que, caso vença a disputa presidencial, sua primeira medida seria conceder anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Bolsonaro está em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Não é a primeira vez que Caiado sustenta essa posição. Em entrevistas anteriores, o governador de Goiás já havia indicado que trataria a anistia como prioridade em um eventual governo, sinalizando alinhamento com parte do eleitorado bolsonarista, embora tenha mantido divergências com o ex-presidente em outros momentos.
Médico e cirurgião, Caiado se distanciou de Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, período em que governadores e o Planalto entraram em conflito em torno de medidas sanitárias. Nos últimos anos, contudo, o goiano voltou a se aproximar do ex-presidente, em busca de apoio político e eleitoral para um projeto nacional.
A estratégia do PSD, segundo o entorno de Kassab, é ampliar o alcance do nome escolhido, combinando a identidade de direita do governador com a tentativa de construir uma candidatura competitiva fora do eixo tradicional de polarização.
A definição do PSD provocou reações diferentes entre os governadores que eram citados como potenciais alternativas dentro do partido. Ratinho Junior se manifestou de forma positiva sobre a decisão.
Eduardo Leite, por sua vez, avaliou que o movimento “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”. A fala reforça a leitura de que a composição partidária para 2026 ainda deve passar por negociações e realinhamentos, especialmente no campo do centro e do centro-direita.
Apesar da confirmação da pré-candidatura, a escolha formal de candidatos ocorre apenas durante as convenções partidárias. De acordo com o calendário das eleições de 2026 divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções para definição oficial das chapas estão previstas para o período de 20 de julho a 5 de agosto.
Após essa etapa, os partidos precisam apresentar os pedidos de registro de candidatura até 15 de agosto. Até lá, as legendas podem revisar estratégias, fazer alianças e reorganizar palanques regionais.
Ronaldo Caiado vem de uma família tradicional e influente na política. No Congresso Nacional, foi deputado federal por cinco mandatos consecutivos, iniciando sua atuação parlamentar em 1991. Em 2014, conquistou uma vaga no Senado por Goiás.
Em 2018, venceu a eleição para o governo goiano e, em 2022, garantiu a reeleição. Ao longo da carreira, consolidou protagonismo em temas ligados ao setor rural, além de adotar discurso centrado em enfrentamento à violência e à corrupção.
No âmbito partidário, Caiado passou grande parte do tempo no antigo PFL, sigla que se transformou em DEM em 2007 e mais tarde integrou o processo que deu origem ao União Brasil. Em janeiro deste ano, ele deixou o União Brasil após alegar falta de respaldo interno para um projeto presidencial.
Agora, com o PSD, o governador tenta viabilizar uma candidatura nacional com o apoio de Kassab e com a expectativa de atrair setores que desejam uma opção ao atual governo federal e à família Bolsonaro, cuja representação na disputa presidencial vem sendo associada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Com informações de Ana Gabriela Oliveira Lima, da Folhapress.
Fonte: UrbNews
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