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Guerra no Golfo

Trump aceita proposta do Paquistão e adia cessar-fogo com Irã

Anúncio foi feito pouco menos de uma hora antes da expiração do prazo que Trump havia dado para que Teerã aceitasse suas imposições

Por Admin

07 de abril de 2026 às 23:17


Trump aceita proposta do Paquistão e adia cessar-fogo com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a recuar na condução da crise militar envolvendo Irã, Israel e forças americanas. Nesta terça-feira (7), ele aceitou uma proposta apresentada pelo Paquistão para estabelecer um cessar-fogo temporário de duas semanas no conflito iniciado em 28 de fevereiro por Washington e Tel Aviv.

Com a decisão, também fica postergado — pela quinta vez — o prazo dado à liderança iraniana para reabrir o estreito de Hormuz, corredor marítimo por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito negociados no mundo. O bloqueio e a instabilidade na área mantêm mercados e governos em alerta devido ao impacto potencial nos preços de energia.

Recuo ocorre após ameaça e reação internacional

O novo adiamento veio após um dia de forte pressão política e diplomática sobre Trump por declarações consideradas extremas. Na véspera, o presidente havia afirmado que daria poucas horas para Teerã aceitar uma medida de trégua, sob ameaça de ampliar ataques contra infraestrutura civil, como pontes e usinas.

Horas antes de anunciar a extensão do prazo, Trump enfrentou críticas inclusive de aliados por uma fala interpretada como defesa de destruição em massa. A repercussão internacional ampliou o desgaste e reforçou a percepção de que a Casa Branca alterna escaladas retóricas com recuos táticos no tabuleiro diplomático.

Paquistão conduz mediação e pede prazo adicional

Segundo o relato do andamento das conversas, o Paquistão tem centralizado a mediação indireta entre as partes e solicitou a Trump mais duas semanas para manter negociações em andamento. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, teria sugerido que o período fosse acompanhado de cessar-fogo e de uma reabertura gradual de Hormuz.

O Irã, comandado pelo regime dos aiatolás, vinha rejeitando propostas que tratassem apenas de interrupção temporária das hostilidades, defendendo que o debate deveria mirar uma saída mais ampla para a guerra. Ainda assim, as conversas prosseguiram, sem anúncio público de concessões formais.

Teerã também reiterou, nos bastidores e em declarações públicas, que não aceita negociar sob ataques. Ao mesmo tempo, manteve sinais de que poderia calibrar suas ações conforme o avanço da mediação, o que sustenta a aposta de Islamabad por um intervalo maior para construir um entendimento.

Escalada militar continua durante negociações

Mesmo com a tentativa de pausa diplomática, o dia foi marcado por novos episódios de intensificação militar. Os Estados Unidos atacaram alvos militares na ilha de Kharg, ponto estratégico associado ao escoamento do petróleo iraniano em condições consideradas normais. Analistas apontam que a região é sensível e de risco elevado para operações mais diretas devido à proximidade com a costa do Irã.

Também houve movimentação de tropas americanas na região. Trump deslocou cerca de 5.000 fuzileiros navais e um número não detalhado de paraquedistas para o entorno do Golfo. O envio, contudo, não indicaria uma ofensiva terrestre ampla, mas sim capacidade para ações localizadas e proteção de interesses estratégicos.

Ainda assim, especialistas observam limitações operacionais: mesmo com superioridade militar, os EUA não teriam meios suficientes para garantir, sozinhos, o trânsito seguro e contínuo de petroleiros pelo estreito de Hormuz em cenário de confrontos e ataques assimétricos.

Rússia e China travam iniciativa na ONU

No campo diplomático, Rússia e China, aliados do Irã, barraram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que poderia abrir caminho para uma operação com respaldo internacional voltada à segurança da navegação na região. O veto amplia a paralisia do órgão e dificulta uma resposta coordenada sob o guarda-chuva das Nações Unidas.

O resultado aprofunda o cenário de disputas paralelas: enquanto mediadores tentam criar espaço para negociação, potências e aliados usam instrumentos políticos e militares para melhorar posições antes de um eventual novo ciclo de conversas.

Ataques a infraestrutura e tensão no mercado de energia

Israel, por sua vez, realizou ataques descritos como inéditos contra ferrovias civis iranianas, com ao menos duas mortes relatadas. Também houve bombardeios contra uma unidade petroquímica em Shiraz, apontada como produtora de insumos com possível uso em explosivos, em sequência a outra ofensiva contra instalações do setor.

A escalada desencadeou reação em cadeia. Um complexo semelhante na Arábia Saudita foi atingido em retaliação, aumentando a preocupação com a segurança do sistema energético do Golfo Pérsico. O Irã voltou a sinalizar que pode usar mísseis e drones contra infraestrutura energética regional, o que mantém a volatilidade em alta.

O ataque em território saudita complicou a mediação paquistanesa, uma vez que o Paquistão mantém acordo militar com Riad. Apesar do atrito adicional, o episódio não impediu que Trump aceitasse o novo adiamento proposto.

Novos ataques no mar e em países vizinhos

O Irã também intensificou ações na região, com registro de ataque a um petroleiro próximo a Omã e ofensivas contra alvos no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, onde duas pessoas morreram. Durante a noite, novos bombardeios foram relatados em países vizinhos.

Em paralelo, continuaram ataques contra Israel com uso de drones e mísseis, incluindo lançamentos associados a bases houthis no Iêmen e a posições no Líbano. Israel também respondeu com ações contra alvos ligados ao Hezbollah.

O quadro geral permanece de alta tensão: uma trégua de duas semanas pode abrir espaço para diálogo, mas a continuidade dos ataques e o impasse sobre Hormuz mantêm o risco de descontrole e de impacto global nos preços de energia.

Com informações atribuídas a Igor Gielow, da Folhapress.

Fonte: UrbNews



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