Fraude no INSS
Por Admin
17 de março de 2026 às 22:45
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (17) a Operação Indébito para investigar um esquema bilionário de corrupção relacionado a descontos considerados irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com relatório da PF citado na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a deputada federal cearense Gorete Pereira (MDB) aparece como peça-chave na estrutura investigada.
O ministro autorizou a ofensiva policial e determinou medidas cautelares. Entre elas, a deputada passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica, conforme a decisão judicial mencionada no material da investigação.
Segundo os elementos reunidos pela PF e referidos no despacho do STF, a investigação descreve uma organização criminosa com divisão de tarefas. A deputada, de acordo com essa linha investigativa, teria exercido o papel de articuladora política junto a órgãos públicos, com influência para facilitar acordos e manter interlocução com a cúpula administrativa do INSS.
O entendimento apresentado no relatório é que o suposto esquema funcionaria com papéis definidos, a fim de dar continuidade aos credenciamentos e às operações relacionadas aos descontos nos benefícios. A PF sustenta que o grupo teria atuado de forma estruturada e contínua.
A operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, além de duas prisões preventivas e outras medidas impostas pela Justiça. As diligências miraram endereços associados aos investigados e ao núcleo que, segundo a PF, coordenava o fluxo financeiro e o contato com agentes públicos.
Foram presos preventivamente Natjo de Limpa Pinheiro e Cecília Rodrigues Mota. Para a investigação, Natjo seria o responsável pela gestão financeira do esquema, incluindo estratégia de atuação e pagamento de vantagens indevidas. Já Cecília é apontada como uma articuladora central, com a atribuição de intermediar contatos e ajudar a ocultar práticas ilícitas.
Conforme a apuração, há indícios de pagamento de propina para assegurar o credenciamento de entidades vinculadas ao grupo investigado. A PF também afirma que a movimentação de recursos teria passado por empresas de fachada atribuídas à deputada e a familiares, com repasses que, segundo os investigadores, teriam chegado à conta pessoal da parlamentar.
No material citado pela decisão judicial, a Polícia Federal sustenta ainda que parte do dinheiro desviado teria sido utilizada na aquisição de bens de alto valor. Entre os itens mencionados estão um apartamento estimado em R$ 4 milhões e um veículo de luxo avaliado em cerca de R$ 400 mil.
A investigação também aponta repasses sistemáticos de vantagens indevidas a Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS. Ele foi preso em novembro do ano passado, segundo o texto-base que embasa a operação atual.
Os investigadores tentam mapear como se deu a relação entre o núcleo financeiro e os agentes públicos, além de identificar a extensão dos prejuízos e os mecanismos usados para manter os descontos considerados ilegais em benefícios previdenciários.
Em nota, a defesa de Gorete Pereira negou as acusações. Os advogados afirmam que a deputada “não praticou qualquer ato ilícito” e que as suspeitas apresentadas no inquérito “não refletem a realidade dos fatos”.
O comunicado informa que a parlamentar confia no devido processo legal e reforça o compromisso com “legalidade e transparência”.
Com a execução dos mandados e as prisões preventivas, a PF deve aprofundar a análise de documentos e materiais apreendidos, além de cruzar dados financeiros para rastrear a origem e o destino dos recursos. A expectativa é que o conteúdo obtido nas buscas ajude a esclarecer a dinâmica do suposto esquema e a participação de cada investigado.
Como o caso envolve parlamentar federal e medidas determinadas pelo STF, novas decisões podem ser tomadas conforme o avanço da coleta de provas e a avaliação do tribunal sobre a necessidade de manter ou ajustar as cautelares em vigor.
Fonte: UrbNews
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