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Cármen Lúcia diz na Uece que mulheres “decidem não morrer”

A ministra do STF esteve em Fortaleza nesta segunda (16) para palestras na UFC e Uece

Por Admin

16 de março de 2026 às 21:10


Cármen Lúcia diz na Uece que mulheres “decidem não morrer”

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia participou, nesta segunda-feira (16), de uma palestra na Universidade Estadual do Ceará (Uece), em Fortaleza, e abordou obstáculos enfrentados por mulheres no Brasil. Ao tratar da violência de gênero — que em muitos casos termina em morte —, ela destacou a resistência feminina diante de tentativas de silenciamento e agressão.

Segundo a ministra, a sociedade ainda convive com práticas que naturalizam a violência e reduzem as possibilidades de escolha das mulheres. Para ela, a resposta tem sido a afirmação do direito de viver e de decidir os próprios caminhos.

Frase marca fala sobre violência e autonomia

Durante a apresentação, Cármen Lúcia afirmou que, apesar de diferentes formas de violência direcionadas às mulheres, a reação passa pela insistência em sobreviver e ocupar espaços. Em uma das falas mais destacadas do encontro, ela disse que “decidiram nos matar, e nós mulheres decidimos não morrer”.

A ministra também relacionou a discussão a um conceito mais amplo de liberdade. Na avaliação dela, viver não deve significar seguir um modelo imposto, mas ter condições reais de escolher, de acordo com a própria identidade e com os objetivos pessoais.

Ao tratar do tema, Cármen Lúcia defendeu que a autonomia feminina inclui o direito de definir o próprio modo de existir, sem submissão a padrões únicos ou expectativas sociais rígidas.

Palestra na Uece discutiu democracia e desinformação

A participação da ministra ocorreu em uma palestra voltada ao tema democracia em um cenário de desinformação. O evento integrou a programação alusiva aos 50 anos da Universidade Estadual do Ceará, instituição pública com atuação em ensino, pesquisa e extensão no estado.

Sem se limitar ao debate jurídico, Cármen Lúcia conectou o ambiente político e a circulação de informações falsas a impactos concretos sobre direitos, sobretudo de grupos historicamente vulnerabilizados. Na visão dela, a defesa da democracia precisa caminhar junto com a proteção de garantias fundamentais.

Educação como privilégio e desigualdade de oportunidades

Outro ponto abordado pela ministra foi o acesso à educação. Ela comentou ter tido, segundo suas palavras, “a sorte” de nascer em uma família que priorizou os estudos, enfatizando que o incentivo educacional foi um valor importante dentro de casa.

A reflexão, no entanto, veio acompanhada de um questionamento sobre quem não teve a mesma oportunidade. Cármen Lúcia chamou atenção para a realidade de mulheres que, além de enfrentar barreiras econômicas, lidam com violações diárias de direitos e dificuldades para reagir diante de desigualdades estruturais.

Na palestra, ela mencionou de forma específica a situação de mulheres negras, apontando como o racismo e o sexismo se somam e ampliam vulnerabilidades. Para a ministra, essa sobreposição de violências torna o cotidiano mais hostil e limita o acesso a proteção e reconhecimento.

Ministra relata discriminação mesmo no topo do Judiciário

Cármen Lúcia também afirmou que a posição que ocupa no Judiciário não a isenta de sofrer discriminação. Ela disse que enfrenta esse tipo de situação com frequência, mesmo sendo integrante da Corte responsável por julgar questões centrais do país.

De acordo com a ministra, a persistência desse cenário tem raízes históricas. Em sua análise, a formação social brasileira consolidou estruturas que tradicionalmente reservaram postos de comando aos homens, o que ajuda a explicar a resistência à presença feminina em espaços de decisão.

A fala reforçou a ideia de que o combate à discriminação não se resolve apenas com a chegada de mulheres a cargos altos. Para ela, é necessário transformar práticas e mentalidades que reproduzem exclusões, inclusive em ambientes institucionais.

Contexto: violência de gênero e debate público

As declarações da ministra ocorrem em meio a discussões recorrentes sobre violência contra mulheres e políticas de prevenção. Organizações da sociedade civil e órgãos públicos têm alertado para a gravidade do problema, que envolve agressões físicas, psicológicas e ameaças, muitas vezes dentro de relações próximas.

No discurso, Cármen Lúcia apontou que a defesa do direito de viver passa por garantir segurança, igualdade e condições para que mulheres façam escolhas sem medo. Ao aproximar o tema do debate sobre democracia e desinformação, ela sugeriu que ataques a direitos e propagação de falsidades podem alimentar ambientes de hostilidade e intolerância.

A palestra na Uece, portanto, reuniu reflexões sobre liberdade, participação feminina e os limites que ainda se impõem a diferentes grupos no Brasil, destacando que a luta por direitos passa pela permanência, pela voz e pela presença nos espaços públicos.

Fonte: UrbNews



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