Diplomacia e Justiça
Por Admin
14 de abril de 2026 às 22:35
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (14) que a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã, sob a liderança de Donald Trump, é “inconsequente” e pode trazer efeitos negativos para a economia mundial. Em entrevista aos veículos Brasil247, Revista Fórum e DCM, Lula também demonstrou solidariedade ao papa Leão XIV, que entrou em um embate público com Trump ao criticar a política externa norte-americana.
Na avaliação do presidente brasileiro, o mandatário dos EUA tem adotado um discurso de ameaça que não contribui para o ambiente democrático e, ao mesmo tempo, busca alimentar uma narrativa de superioridade do país. Lula citou ainda impactos do conflito sobre o custo de vida, com destaque para o preço dos combustíveis.
Ao comentar a postura de Trump, Lula argumentou que o presidente norte-americano faz uso de estratégias de comunicação para agradar sua base política e reforçar a imagem de que os Estados Unidos seriam uma potência acima dos demais países.
Segundo Lula, o peso econômico dos EUA se explica principalmente pela capacidade de trabalho da população e por fatores estruturais, como a relevância do país no cenário internacional e a força de seu sistema educacional. Para ele, esse desempenho não pode ser atribuído a atitudes autoritárias do chefe de Estado.
O presidente brasileiro declarou ainda que ameaças e escaladas retóricas não ajudam a consolidar a democracia e elevam a instabilidade internacional.
Lula classificou o conflito envolvendo o Irã como uma iniciativa sem responsabilidade e chamou atenção para consequências econômicas. Ele citou especialmente a possibilidade de aumento nos preços de combustíveis, tema recorrente quando há tensão geopolítica em regiões estratégicas para a energia global.
O presidente não detalhou medidas específicas, mas relacionou a escalada militar e política a um cenário de pressão sobre mercados e cadeias de abastecimento, com potencial impacto direto no bolso da população.
Durante a entrevista, Lula também se posicionou ao lado do papa Leão XIV. O pontífice fez críticas às ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela, o que motivou uma reação de Trump no domingo (12). Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que Leão XIV seria “terrível em política externa” e sugeriu que o papa deixasse de buscar apoio da esquerda radical.
Leão XIV respondeu dizendo que não tem medo de Trump e que sustenta a mensagem de paz do Evangelho. Lula, por sua vez, afirmou ter se impressionado positivamente após um encontro com o pontífice e disse apoiar o teor das críticas feitas ao presidente dos EUA.
Ao tratar do episódio, Lula reforçou a ideia de que relações internacionais não devem ser conduzidas por intimidação e que “ninguém precisa ter medo de ninguém”.
No mesmo diálogo com os veículos, Lula mencionou a cooperação recente entre Brasil e Estados Unidos em iniciativas voltadas ao combate ao tráfico internacional de armas e drogas. Em seguida, comentou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) por autoridades norte-americanas.
Ramagem foi detido pelo serviço de imigração e alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) em Orlando, no estado da Flórida. Lula afirmou que o ex-parlamentar deve retornar ao Brasil e rebateu versões divulgadas por aliados de direita de que a detenção teria relação apenas com uma infração de trânsito.
De acordo com o presidente, Ramagem já possui condenação no Brasil e deve cumprir a pena em território nacional.
A Polícia Federal informou, em nota, que a prisão do ex-deputado ocorreu a partir de “cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”. Ramagem, além de ex-parlamentar, foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Segundo as informações disponíveis, ele deixou o Brasil em setembro do ano passado após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.
Na época, Ramagem estava proibido de sair do país. Ainda assim, atravessou a fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos usando passaporte diplomático, que não havia sido apreendido. O nome do ex-deputado constava na lista de procurados da Interpol.
As declarações de Lula sobre o caso reforçam a expectativa do governo de que o ex-parlamentar seja devolvido ao Brasil para cumprir a sentença. As autoridades brasileiras não detalharam prazos para os próximos passos, nem se haverá decisão judicial nos EUA sobre eventual deportação ou outros procedimentos.
Com informações da Agência Brasil.
Fonte: UrbNews
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