Pesquisa Datafolha
Por Admin
12 de abril de 2026 às 17:37
A maioria dos brasileiros (59%) avalia que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve cumprir a pena em prisão domiciliar, em vez de retornar ao regime fechado, segundo pesquisa do Datafolha. Outros 37% defendem que ele volte para a prisão, e 5% não souberam responder.
O instituto entrevistou 2.004 pessoas em 137 municípios do país entre os dias 7 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-03770/2026.
Bolsonaro foi transferido para sua residência no dia 27, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar prisão domiciliar temporária por 90 dias. Ao fim do prazo, o magistrado poderá estender a medida ou determinar o retorno do ex-presidente ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Condenado a 27 anos e 3 meses por participação em uma trama golpista após a derrota na eleição de 2022, Bolsonaro vinha cumprindo pena na unidade policial até ser internado no dia 13. O quadro médico informado foi de broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões, associada a aspiração durante crises de soluço.
Com a internação, a defesa protocolou novo pedido de prisão domiciliar. Paralelamente, Michelle Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tiveram encontros com Moraes para reforçar o pleito. A solicitação acabou atendida.
Os percentuais mudam de acordo com o perfil do entrevistado. Entre pessoas com mais de 60 anos, 61% dizem que Bolsonaro deveria permanecer em casa. No recorte por ocupação, o apoio à prisão domiciliar chega a 81% entre empresários.
Já a preferência pela volta ao regime fechado aparece com mais força entre os mais jovens: no grupo de 16 a 24 anos, 44% defendem que o ex-presidente retorne à prisão. Entre desempregados, essa posição soma 42%.
Na região Nordeste, os resultados indicam equilíbrio: 48% apoiam a domiciliar e 47% defendem a prisão comum. Como a margem de erro nesse recorte é de quatro pontos, o cenário é considerado de empate técnico.
A pesquisa também aponta que a autodeclaração ideológica tem impacto direto na avaliação sobre onde Bolsonaro deve cumprir a sentença. Entre entrevistados que se colocam ao centro, 53% são favoráveis à prisão domiciliar, enquanto 41% preferem o retorno ao 19º Batalhão.
No grupo identificado como mais bolsonarista, a concordância com a domiciliar é quase unânime: 94% apoiam a medida, e 3% se posicionam contra.
Entre os mais petistas, ocorre o inverso: 28% preferem que Bolsonaro permaneça em casa, e 68% defendem que ele volte para a prisão.
Quando o recorte considera a intenção de voto no presidente Lula (PT) neste ano, 30% dizem apoiar a domiciliar e 66% afirmam que Bolsonaro deveria retornar ao regime fechado.
O Datafolha detalhou ainda a opinião conforme a preferência por possíveis candidatos. Entre eleitores declarados de Flávio Bolsonaro, 93% defendem que o pai cumpra pena em casa, e 5% afirmam que ele deveria voltar à Papudinha.
No grupo que diz votar em Ronaldo Caiado (PSD), o apoio à domiciliar também é majoritário: 80% são favoráveis à permanência em casa, e 15% se colocam pela volta ao regime fechado.
Na decisão, Moraes classificou a medida como humanitária e temporária. O ministro também advertiu que o descumprimento das cautelares pode levar ao retorno ao regime fechado.
Entre as exigências impostas, Bolsonaro deve usar tornozeleira eletrônica e não pode utilizar redes sociais, nem gravar áudios ou vídeos. A decisão também proíbe aglomerações num raio de um quilômetro da residência.
As visitas seguem regras semelhantes às da Papudinha: os filhos podem visitá-lo dentro dos dias e horários previstos, com janelas às quartas-feiras e aos sábados, das 8h às 16h.
Os advogados estão autorizados a comparecer diariamente por até 30 minutos, desde que haja agendamento prévio com a Polícia Militar. Já os médicos têm acesso livre. Outras visitas estão vetadas no período de 90 dias, conforme a decisão, sob justificativa de proteção à saúde e prevenção de infecções.
As restrições, nesse ponto, são mais rígidas do que as adotadas na Papudinha, onde Bolsonaro recebia aliados e tratava de temas políticos. Segundo reportagem da Folha, a defesa avalia recorrer por causa das limitações adicionais impostas no ambiente domiciliar.
O mesmo levantamento, divulgado no sábado (11), indicou redução da vantagem de Lula em simulações de segundo turno na eleição deste ano. O presidente aparece numericamente atrás de Flávio Bolsonaro pela primeira vez no recorte citado: 45% para Lula e 46% para o senador.
Em cenários com Ronaldo Caiado ou Romeu Zema (Novo), Lula marca 45% contra 42% dos adversários. Em todos os casos, os resultados ficam dentro da margem de erro, o que caracteriza empate técnico.
Fonte: UrbNews
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