Tensão no STF
Por Admin
10 de abril de 2026 às 11:50
O pastor Silas Malafaia publicou nesta quinta-feira (9) um vídeo em seu perfil no Instagram com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na gravação, ele afirma que as condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro receberam punições exageradas e acusa o ministro de agir com injustiça.
Ao longo do pronunciamento, Malafaia também direciona ataques ao que chamou de “grupo” dentro da Corte. Ele diz que a atuação do STF tem provocado indignação em parte da população e sustenta que decisões recentes refletem perseguição a um campo político específico.
No vídeo, o pastor menciona o caso do empresário catarinense Alcides Hahn. Segundo Malafaia, Hahn teria contribuído com R$ 500 para ajudar a custear um ônibus fretado que teria como destino os atos de 8 de janeiro e, conforme ele relata, acabou condenado a 14 anos de prisão.
Malafaia usa esse exemplo para questionar a proporcionalidade das penas aplicadas pelo STF. Ele defende que manifestações não poderiam ser enquadradas como tentativa de golpe e argumenta que um golpe, em sua visão, dependeria de força armada e controle de poder.
O pastor ainda afirma que a direita estaria sendo alvo de perseguição. A gravação segue em tom crítico e convoca seguidores a não aceitarem, segundo ele, o que considera injustiças nas condenações.
Em outro trecho, Malafaia compara as penas aplicadas aos condenados do 8 de janeiro com uma acusação que cita a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Ele afirma que ela teria recebido R$ 80 milhões do Banco Master e diz que, na avaliação dele, não houve punição.
O pastor afirma que não pretende se calar e usa expressões como “corrupção declarada” e “perseguição religiosa” ao falar sobre o ministro. Ele também questiona a permanência de Moraes no STF e defende que o ministro deveria ser afastado.
Na gravação, Malafaia cita episódios de protestos que associa à esquerda e diz que eles teriam objetivos semelhantes aos atos de 8 de janeiro, mas não teriam recebido o mesmo tratamento.
Um dos casos mencionados é uma marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em fevereiro de 2014, que terminou em confronto com a Polícia Militar. Segundo o pastor, o episódio deixou dezenas de feridos, incluindo policiais e manifestantes.
Outro evento citado por Malafaia é um protesto em 2017 na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Na ocasião, ele afirma que prédios precisaram ser evacuados após incêndios atingirem estruturas de ministérios como Agricultura, Cultura e Fazenda.
Com esses exemplos, o pastor sustenta que haveria diferença de tratamento na forma como o Estado reage a manifestações, a depender do espectro político associado aos participantes.
Ao final do vídeo, Malafaia convoca políticos, veículos de comunicação e cidadãos a se posicionarem. Ele afirma que não permanecerá em silêncio diante do que chama de abusos e encerra com uma oração pedindo que Deus faça justiça contra “homens maus”, conforme suas palavras.
A publicação reforça a escalada de embates públicos envolvendo o pastor e o ministro, em um contexto de investigações e medidas determinadas pelo STF relacionadas aos desdobramentos do 8 de janeiro.
Durante o pronunciamento, Malafaia relembra o episódio em que Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão e impôs medidas cautelares contra ele. O pastor é investigado por suspeitas de coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Malafaia afirma que a apuração e as restrições impostas teriam caráter de perseguição religiosa. Ele associa a ofensiva ao conteúdo de mensagens analisadas pela Polícia Federal.
De acordo com o que é relatado no contexto da investigação, a Polícia Federal apresentou elementos sobre conversas entre o pastor e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas mensagens, segundo a apuração citada, eles teriam discutido a possibilidade de condicionar a suspensão de tarifas impostas pelos Estados Unidos à concessão de anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Entre as medidas determinadas por Moraes, estão a proibição de contato com outros investigados — incluindo Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro —, a entrega de passaportes e a proibição de deixar o país. Também foram autorizadas quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico, além da determinação para que Malafaia preste depoimento à Polícia Federal.
O caso segue inserido no conjunto de investigações sobre articulações e ações relacionadas ao 8 de janeiro, tema que continua mobilizando debates políticos, jurídicos e sociais em todo o país.
Fonte: UrbNews
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