Fé e cultura
Por Admin
09 de abril de 2026 às 14:36
O Pará passou a reconhecer oficialmente a novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado. A medida foi aprovada na terça-feira (7) durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).
A decisão foi unânime entre os deputados. O texto aprovado tem autoria do deputado Fábio Figueiras (PSB) e, após a votação no plenário, segue para sanção da governadora Hana Ghassan (MDB).
Com a aprovação, o Legislativo estadual formaliza o reconhecimento de uma prática religiosa que se consolidou como uma das expressões de fé mais tradicionais do povo paraense. O projeto destaca a importância de proteger e valorizar manifestações que compõem a identidade cultural do estado.
O encaminhamento para sanção é a etapa seguinte do processo. Caso seja sancionada, a lei passa a integrar o conjunto de políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio imaterial, ao lado de outras celebrações e tradições reconhecidas no Pará.
As novenas ocorrem no santuário dedicado a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizado na Rodovia Arthur Bernardes, em Belém. Segundo informações da Alepa, o local recebe semanalmente de 20 mil a 30 mil pessoas, reunidas principalmente às terças-feiras.
Os encontros têm duração média de 40 minutos. Durante as celebrações, fiéis se reúnem para fazer pedidos, pagar promessas e expressar gratidão por graças alcançadas, em uma rotina que se tornou parte do calendário religioso da capital paraense.
O objetivo do projeto, de acordo com a justificativa apresentada no Legislativo, é fortalecer a preservação da memória coletiva paraense e incentivar a continuidade dessa herança espiritual. Ao classificar a novena como patrimônio imaterial, o estado reconhece não apenas a celebração em si, mas também os saberes, práticas e vínculos comunitários associados à devoção.
Esse tipo de reconhecimento costuma ter impacto simbólico e institucional. Na prática, reforça a relevância cultural do evento e pode contribuir para ações de registro, divulgação e proteção, especialmente em um cenário de transformações urbanas e mudanças nos hábitos sociais.
Durante a sessão, o deputado Fábio Figueiras destacou, na tribuna, a força popular da devoção e a presença constante de fiéis no santuário. Ele comparou a mobilização semanal à grandiosidade de outras manifestações religiosas do estado, como o Círio de Nazaré, ao ressaltar o caráter coletivo e recorrente das celebrações de terça-feira.
Segundo o parlamentar, a reunião de milhares de pessoas em torno da novena evidencia a dimensão social e cultural da prática, além de seu significado religioso para a população do Pará.
A tradição no santuário de Belém, conforme os dados citados pela Assembleia Legislativa, tem origem em 1947. Desde então, a novena se consolidou como um marco de devoção e permanência, atravessando gerações e mantendo a participação expressiva do público.
Ao longo das décadas, a celebração se tornou parte do cotidiano de muitos moradores da capital e também de visitantes que buscam o santuário como espaço de oração e encontro comunitário. Para defensores do reconhecimento, a continuidade histórica é um dos elementos que justificam o status de patrimônio cultural imaterial.
O patrimônio cultural imaterial reúne práticas, representações e celebrações que ajudam a definir a identidade de um povo. Diferentemente de um bem material, como um prédio histórico, trata-se de um conjunto de expressões vivas, sustentadas pela participação da comunidade e transmitidas ao longo do tempo.
No caso da novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o reconhecimento envolve a celebração religiosa e o modo como ela organiza a vida social em torno do santuário: a rotina semanal, a peregrinação de fiéis, os relatos de graças alcançadas e a rede de pertencimento que se forma a cada encontro.
As informações são da Assembleia Legislativa do Pará.
Fonte: UrbNews
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