Olho no Brasil

Economia

Equidade racial

Festival Pacto das Pretas reúne líderes negras e pauta ESG racial no MAR

O Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) realizou nesta segunda-feira (21), no Museu de Arte do Rio (MAR), o segundo dia do Festival Pacto das Pretas, que chegou à quinta edição em 2026. O primeiro dia do evento ocorreu na última sexta-feira (17)

Por REDAÇÃO

21 de julho de 2026 às 18:57 ▪ Atualizado há 40 minutos


Festival Pacto das Pretas reúne líderes negras e pauta ESG racial no MAR

O Museu de Arte do Rio (MAR) recebeu nesta segunda-feira (21) a etapa carioca do Festival Pacto das Pretas, iniciativa do Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) que está em sua quinta edição, em 2026. O encontro compõe uma programação nacional em três cidades e pretende reunir cerca de 1,5 mil lideranças ao longo dos eventos.

A abertura do circuito ocorreu na última sexta-feira (17), em Salvador. A próxima parada está marcada para São Paulo, na sexta-feira (24). O tema que orienta os debates desta edição é “Movimento: Mulheres Negras Criando”, com foco em liderança, inovação, governança e diversidade no mercado de trabalho.

Debates conectam governança, diversidade e poder de decisão

A proposta do festival é discutir como ampliar a presença de mulheres negras em espaços estratégicos, especialmente na economia e na tecnologia. A presidente do Conselho Deliberativo do PER, a historiadora Wânia Sant’Anna, afirmou que a programação foi desenhada para tratar de empregabilidade, empreendedorismo e participação em posições de comando, sem ignorar as barreiras ainda impostas por práticas discriminatórias em organizações.

Na visão do evento, a discussão sobre equidade racial no ambiente corporativo não se limita a compromissos públicos: envolve revisar critérios de contratação e promoção, reconhecer entregas profissionais e criar mecanismos de permanência e ascensão.

A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, que participou do encontro, destacou que a liderança de mulheres negras costuma produzir impacto coletivo. Segundo ela, quando uma mulher negra chega a posições de influência, tende a abrir caminhos, compartilhar oportunidades e fortalecer redes, incentivando outras pessoas a se verem em lugares de decisão.

Pacto de Promoção da Equidade Racial e empresas signatárias

O PER atua como uma plataforma nacional voltada ao impacto socioeconômico e ao fortalecimento de práticas antirracistas no setor privado. A iniciativa conta com apoio de empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc e Natura.

De acordo com a organização, o pacto opera com um Protocolo ESG Racial e reúne 85 empresas signatárias. A ideia é orientar metas e indicadores que conectem governança, gestão de pessoas e compromissos sociais a uma agenda de equidade racial com aplicação prática.

Plataforma Black Hub leva educação antirracista e aceleração profissional

Entre os destaques desta edição está a Plataforma Black Hub, apresentada como um ambiente digital que combina conteúdos de educação antirracista, cultura e ferramentas de aceleração profissional. O projeto foi viabilizado pela Lei Rouanet e recebeu aporte de marcas como Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm.

No ecossistema, o público pode acessar materiais de referência voltados ao mundo corporativo. Um deles é a Cartilha ESG Racial, elaborada em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), com o objetivo de apoiar a filantropia e o investimento social privado no Brasil. A publicação reúne diretrizes e indicadores para integrar o antirracismo às rotinas de gestão, à governança e ao acompanhamento de impacto.

Outro conteúdo destacado é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wânia Sant’Anna e desenvolvida com o escritório Daniel Law, que também é signatário do PER. O guia apresenta orientações práticas, referências legais e recomendações para apoiar empresas na prevenção e na sensibilização, além de incentivar uma cultura organizacional de proteção às mulheres.

Cultura e literatura como parte da agenda de equidade

Além das discussões sobre mercado e governança, a programação inclui ações culturais. Um dos lançamentos mencionados é o livro “Vozes que Ocupam”, que reúne 16 crônicas inéditas assinadas por nomes reconhecidos da cultura, comunicação e educação, como Djamila Ribeiro, Rodrigo França, Érica Januza, Diogo Almeida, Dom Filó, Pedro Rajão e Isabel Fillardis.

A abordagem aposta na conexão entre pensamento estratégico e produção simbólica, tratando cultura e linguagem como instrumentos de mobilização e permanência em espaços de poder.

Encontro acontece no mês do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Wânia Sant’Anna chamou atenção para o calendário: o festival ocorre no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho. Para ela, a proximidade da data reforça o sentido de debater protagonismo, direitos e participação de mulheres negras em áreas estratégicas.

Luna Vitrolira relatou que procurou conduzir sua participação destacando que negócios, inovação e desenvolvimento podem ser discutidos sem abrir mão de escuta, sensibilidade e dimensão humana. Para a comunicadora, a resposta do público evidenciou uma demanda por ambientes de troca, conexão e reconhecimento de trajetórias.

Programa Pacto Transforma seleciona executivas para alta governança

O festival também funciona como vitrine para a formação de talentos. Um dos braços do projeto é o Programa Pacto Transforma, que selecionou 30 executivas para uma imersão presencial durante o evento.

A proposta, segundo a organização, é identificar profissionais seniores de diferentes regiões do país e acelerar competências ligadas à alta governança, preparando essas lideranças para ocupação de assentos em conselhos e posições de C-Level. O objetivo é aproximar esse grupo de tomadores de decisão, como CEOs e diretorias de sustentabilidade de empresas parceiras, fortalecendo redes e oportunidades concretas de ascensão.

Com edições em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, o Festival Pacto das Pretas consolida uma agenda nacional que combina discussão corporativa, ferramentas práticas de ESG racial, cultura e formação de lideranças negras para ampliar presença em espaços de decisão.

Fonte: Agência Brasil



Olho no Brasil