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Aluguel bate recorde e já é opção em 23,8% dos lares, diz IBGE

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE

Por Admin

17 de abril de 2026 às 14:17


Aluguel bate recorde e já é opção em 23,8% dos lares, diz IBGE

O Brasil registrou em 2025 a maior fatia de domicílios alugados desde o início da série histórica da Pnad Contínua, do IBGE. A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (17), indica que a locação ganhou espaço dentro do mercado residencial, enquanto os imóveis próprios já quitados perderam participação no conjunto das moradias.

Ao todo, o país tinha 79,3 milhões de domicílios em 2025. Desse total, 18,9 milhões eram residências alugadas, o que representa 23,8% das moradias. Em 2016, primeiro ano da série, a proporção era de 18,4%. O pico anterior havia sido observado em 2024, com 23%.

Aluguel avança mais rápido do que casa própria quitada

Na outra ponta, os imóveis próprios já pagos somaram 47,8 milhões em 2025. Essa modalidade respondeu por 60,2% dos domicílios, a menor participação já registrada na pesquisa do instituto.

Em números absolutos, tanto o total de residências alugadas quanto o de propriedades quitadas aumentou ao longo do período, acompanhando o crescimento populacional e a expansão do número de moradias. O ritmo, porém, foi muito diferente.

Entre 2016 e 2025, o contingente de domicílios alugados saltou 54,1%, saindo de 12,3 milhões para 18,9 milhões. Já as moradias próprias quitadas cresceram 7,3% no mesmo intervalo, passando de 44,5 milhões para 47,8 milhões. Essa diferença ajuda a explicar por que o aluguel passou a ocupar uma fatia maior do total, ao mesmo tempo em que os imóveis quitados perderam espaço relativo.

IBGE aponta possível dificuldade de compra mesmo com renda em alta

A Pnad Contínua não detalha os motivos que levam famílias a escolherem o aluguel ou a compra do imóvel. Ainda assim, analistas do IBGE avaliam que a trajetória recente da renda pode não ter sido suficiente para ampliar de forma significativa o acesso à compra da casa própria.

Para William Kratochwill, analista do instituto, há sinais de que a transição para a aquisição do imóvel não está acontecendo na mesma velocidade com que as famílias se formam. Na prática, pessoas que passam a morar sozinhas, casam ou ampliam o núcleo familiar estariam recorrendo mais à locação por não conseguirem comprar um imóvel.

Imóveis próprios em pagamento atingem maior participação da série

Além da categoria de imóveis próprios já quitados, a pesquisa separa os domicílios próprios ainda em pagamento. Em 2025, essa condição foi identificada em 5,4 milhões de lares, equivalente a 6,8% do total de domicílios — a maior proporção de toda a série.

O recorde anterior havia sido registrado em 2019, quando esse grupo representava 6,4%. Na comparação com 2016, o número de imóveis próprios em pagamento subiu 31,2%, de 4,1 milhões para 5,4 milhões.

Apesar do avanço, o crescimento ainda ficou abaixo do observado no mercado de aluguel. A soma dos imóveis próprios quitados e dos ainda financiados chegou a 53,1 milhões em 2025, correspondendo a 67% das moradias. Segundo o IBGE, trata-se da menor participação desde 2016.

Governo anuncia R$ 20 bilhões para habitação e amplia programa de reformas

O cenário de maior presença do aluguel ocorre em um momento de anúncios na área habitacional. Na quarta-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou um aporte de R$ 20 bilhões para programas de moradia, entre eles o Minha Casa, Minha Vida. De acordo com o anúncio, os recursos virão do Fundo Social.

Também foi divulgada a ampliação do Reforma Casa Brasil, iniciativa voltada a subsidiar melhorias e reformas em imóveis. As medidas foram anunciadas em meio à estratégia do presidente de buscar maior popularidade com foco na reeleição, marcada para outubro deste ano.

Distrito Federal lidera proporção de domicílios alugados

A pesquisa do IBGE também traz recortes por unidade da Federação. Em 2025, o Distrito Federal apareceu com o maior percentual de residências alugadas: 34,5% dos domicílios.

Na sequência do ranking estão Goiás (28,8%) e Mato Grosso (28,7%). Segundo o instituto, são estados associados à dinâmica econômica do Centro-Oeste, impulsionada pelo agronegócio, que atrai trabalhadores e pode aumentar a demanda por locação.

São Paulo teve o quarto maior percentual de domicílios alugados no país, com 28,5%.

Quase 49 milhões moram em imóveis alugados no país

Além do número de domicílios, o IBGE estimou a população residente em cada tipo de moradia. Em 2025, 48,7 milhões de pessoas viviam em imóveis alugados — o equivalente a 22,9% dos moradores do país, estimados em 212,7 milhões. Esse também é o maior nível da série.

Já a população que vive em casas próprias quitadas foi calculada em 129,8 milhões, o que representa 61% do total. Trata-se do menor percentual já observado pela pesquisa.

Nos domicílios próprios ainda em pagamento, a estimativa foi de 15,2 milhões de pessoas em 2025, ou 7,2% dos habitantes. Essa é a maior proporção registrada para esse grupo.

Dados: Pnad Contínua/IBGE.

Fonte: UrbNews



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