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Alckmin diz que Lei da Reciprocidade não mira retaliação aos EUA

A Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro, disse nesta terça-feira (21) o vice-presidente Geraldo

Por REDAÇÃO

21 de julho de 2026 às 20:26 ▪ Atualizado há 2 horas


Alckmin diz que Lei da Reciprocidade não mira retaliação aos EUA

A Lei da Reciprocidade não deve ser tratada como um gesto de vingança comercial contra os Estados Unidos, e sim como um mecanismo para reequilibrar o que o governo brasileiro considera uma assimetria nas relações de comércio. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (21) pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Segundo ele, a intenção do instrumento legal é oferecer uma resposta institucional caso o Brasil entenda que foi alvo de medidas injustas. Alckmin também destacou que o texto foi aprovado por unanimidade no Congresso Nacional no ano passado, o que, na visão do governo, reforça a legitimidade do caminho escolhido.

As declarações foram dadas após uma reunião com representantes de setores afetados pelo novo aumento de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump. Nos últimos dias, entidades empresariais têm demonstrado preocupação com o risco de uma escalada de medidas e contramedidas entre os países.

Governo organiza resposta às novas tarifas dos EUA

O Executivo trabalha para concluir um pacote de apoio aos segmentos mais expostos ao chamado “tarifaço” e, ao mesmo tempo, acelerar a abertura de novos destinos para as exportações brasileiras. O Ministério do Desenvolvimento afirma que as medidas serão estruturadas para reduzir danos no curto prazo e diminuir a dependência do mercado norte-americano ao longo do tempo.

A nova política tarifária dos EUA prevê a cobrança de 25% sobre produtos brasileiros, com a possibilidade de um acréscimo adicional de 12,5%. Pelas estimativas apresentadas na reunião, a medida pode alcançar cerca de 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Alckmin sustentou que a Lei da Reciprocidade não tem caráter automático. Ele ressaltou que a legislação prevê etapas formais e instrumentos de consulta, incluindo procedimentos como audiências públicas, caso o país precise adotar alguma reação dentro de parâmetros legais.

Três frentes: crédito, novos mercados e diálogo com setores

De acordo com o governo, a estratégia para enfrentar a sobretaxa norte-americana foi organizada em três eixos principais.

O primeiro é a criação de mecanismos de apoio financeiro a empresas impactadas. O segundo envolve a diversificação de mercados compradores, para reduzir vulnerabilidades. O terceiro é a manutenção de um canal permanente de diálogo com o setor produtivo, com o objetivo de mensurar prejuízos, ajustar políticas e calibrar a resposta.

Além de Alckmin, participou da entrevista o ministro Márcio Elias Rosa, que reforçou a necessidade de medidas emergenciais para proteger a atividade econômica. Ele defendeu que, independentemente de o governo considerar a tarifa indevida, o foco inicial deve ser amparar empresas e trabalhadores atingidos.

Crédito e mudanças no drawback entram no radar

Entre as iniciativas em análise está a oferta de linhas de crédito por meio do programa Brasil Soberano, direcionadas tanto a capital de giro quanto a investimentos de empresas afetadas pelas barreiras tarifárias.

O governo também estuda ajustes temporários no regime de drawback, mecanismo que permite isenção, suspensão ou restituição de tributos sobre insumos importados utilizados na produção de bens destinados à exportação.

A ideia discutida é ampliar prazos e flexibilizar regras para exportadores que percam espaço nos Estados Unidos, de forma que consigam cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários. Outra possibilidade considerada é revisar exigências associadas à manutenção de empregos para setores que eventualmente recebam apoio emergencial.

ApexBrasil vai intensificar busca por destinos alternativos

Paralelamente às medidas internas, a ApexBrasil deverá intensificar ações de promoção comercial e prospecção de oportunidades em novos mercados. Entre os destinos citados como prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático.

O governo também pretende acelerar negociações de acordos comerciais, incluindo tratativas entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), além de conversas envolvendo Mercosul e Singapura.

A avaliação oficial é que ampliar a base de compradores pode ser decisivo sobretudo para segmentos industriais com maior valor agregado, que tendem a sentir mais rapidamente os efeitos de tarifas elevadas em um mercado relevante como o norte-americano.

Setores mais expostos às tarifas norte-americanas

Na lista dos setores considerados mais vulneráveis às novas tarifas dos EUA estão:

  • eletroeletrônicos;
  • máquinas e equipamentos;
  • autopeças;
  • calçados;
  • outros produtos industriais exportados ao mercado norte-americano.

Segundo o governo, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. No caso de máquinas e equipamentos, o país representa cerca de um quarto das vendas externas do setor, o que aumenta o risco de impacto direto sobre produção e receita das empresas.

Cronograma prevê decisões até o fim de julho

O Ministério do Desenvolvimento trabalha com um calendário considerado determinante para a definição de medidas. Para a próxima sexta-feira, é esperada uma posição dos Estados Unidos sobre a aplicação cumulativa do adicional de 12,5%, associado a acusações de trabalho forçado.

Já em 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estiverem em trânsito para o mercado norte-americano, o que pressiona empresas exportadoras com contratos e logística em andamento.

Até essa data, o governo pretende concluir uma rodada de reuniões com representantes de setores como plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados. O objetivo é consolidar um diagnóstico dos impactos e fechar o desenho final do pacote de apoio.

Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, com atenção especial aos fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos, um dos segmentos mais expostos às mudanças tarifárias dos EUA.

Fonte: Agência Brasil



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