Combustíveis e impostos
Por Admin
18 de março de 2026 às 19:48
O Ministério da Fazenda apresentou aos estados uma proposta para retirar temporariamente a cobrança de ICMS na importação de diesel. O plano inclui uma compensação da União equivalente a metade da perda de arrecadação, em uma tentativa de aliviar custos e reduzir obstáculos para entrada do combustível no país.
Pelos cálculos iniciais do governo federal, a medida teria duração de dois meses e poderia gerar um impacto total estimado em R$ 6 bilhões: cerca de R$ 3 bilhões para a União e outros R$ 3 bilhões para os estados. A ideia é que o mecanismo valha até 31 de maio.
A iniciativa foi desenhada para alcançar apenas operações de importação, não todo o mercado de diesel. Segundo a Fazenda, a motivação é responder a alertas de algumas unidades da federação sobre falta do produto em postos, buscando facilitar a reposição e garantir o abastecimento interno.
O assunto foi levado ao debate em reunião virtual realizada na manhã de quarta-feira (18), com a presença de secretários estaduais de Fazenda. A apresentação foi conduzida pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.
De acordo com Durigan, a conta mensal ficaria em aproximadamente R$ 1,5 bilhão para o governo federal, com valor semelhante repartido entre os estados. Ainda assim, os números não foram fechados: representantes estaduais pediram prazo para conferir as bases de cálculo e ajustar as estimativas antes de qualquer deliberação.
Hoje, o ICMS do diesel segue uma alíquota única em todo o país, de R$ 1,17 por litro, aplicada tanto ao combustível produzido internamente quanto ao importado. A proposta discutida prevê que os estados zerem o ICMS exclusivamente na importação durante o período de vigência.
Para compensar a renúncia, o governo federal sugere repassar aos estados o equivalente a R$ 0,585 por litro, por meio de uma subvenção. Na prática, o modelo foi apresentado como uma divisão meio a meio do custo fiscal: para cada real de arrecadação que o estado deixaria de receber, a União aportaria um real.
Segundo o secretário-executivo, os estados apurariam quanto deixariam de arrecadar com ICMS nas importações de diesel durante a janela de isenção. Com essa apuração, a União pagaria uma transferência direta para recompor parte das perdas.
Qualquer mudança relacionada ao ICMS, especialmente em combustíveis, passa pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), que reúne todos os secretários estaduais e é presidido pelo Ministério da Fazenda. O colegiado também trata da alíquota única cobrada sobre combustíveis.
Embora o tema já esteja em discussão, a Fazenda ainda não entregou um texto formal com o desenho detalhado da proposta, segundo relatos de participantes. A pasta teria se comprometido a encaminhar o documento nos próximos dias, para que o assunto possa ser encaminhado até a próxima reunião presencial do Confaz, prevista para 27 de março.
Após o encontro, Durigan afirmou que qualquer redução do ICMS precisa ser construída em conjunto com os estados. Ele contextualizou a proposta como uma tentativa de mitigar impactos de um cenário externo adverso que pressiona preços e custos no Brasil, afetando famílias e transportadores.
Apesar de a Fazenda demonstrar confiança em avançar no diálogo, secretários estaduais levantaram dúvidas sobre a execução do plano. Entre os pontos citados nos bastidores está o risco de questionamentos legais.
A preocupação é que o formato diferencie a incidência do imposto conforme o tipo de contribuinte — importador versus produtor doméstico — enquanto o ICMS é um tributo que recai sobre o produto. Essa distinção poderia abrir margem para disputas judiciais ou interpretações divergentes.
Outro receio mencionado é a possibilidade de empresas buscarem maneiras de se enquadrar na regra mais favorável. Um exemplo citado seria o uso de estratégias para classificar como importado um diesel de origem doméstica, com o objetivo de recolher menos ICMS, o que ampliaria distorções e dificultaria a fiscalização.
O Ministério da Fazenda enfatizou que a discussão está restrita ao diesel importado e não envolve zerar ICMS de todos os combustíveis ou de toda a cadeia de comercialização. Durigan também diferenciou a abordagem atual da estratégia adotada em anos anteriores, quando mudanças no ICMS de combustíveis foram conduzidas por meio de lei aprovada no Congresso, com efeitos diretos sobre a arrecadação estadual.
Antes mesmo da reunião em que a proposta foi apresentada, secretários estaduais haviam divulgado uma nota conjunta com críticas à ideia de desonerar ICMS do diesel. Após a conversa, no entanto, Durigan avaliou que parte da resistência ocorreu sem que o desenho tivesse sido detalhado e disse ver espaço para continuidade das negociações.
Agora, a tendência é que os estados façam novas simulações e verifiquem os impactos por unidade federativa, ao mesmo tempo em que cobram da União um texto formal com regras claras, critérios de apuração e salvaguardas contra fraudes e judicialização.
Fonte: UrbNews
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