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Pesquisa: autonomia financeira lidera prioridades de mulheres no trabalho

Mercado de trabalho permanece violento e desigual

Por Admin

08 de março de 2026 às 09:00


Pesquisa: autonomia financeira lidera prioridades de mulheres no trabalho

A autonomia financeira aparece como o objetivo mais valorizado por mulheres quando o assunto é trabalho e projeto de vida. É o que indica a pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, divulgada neste sábado (7), que também reforça a percepção de que a desigualdade de gênero segue presente no cotidiano profissional, incluindo relatos de discriminação e violência no ambiente corporativo.

O estudo foi realizado pela Consultoria Maya a partir do cadastro da plataforma de educação corporativa Koru. Ao todo, 180 mulheres responderam às perguntas, com perfis variados de idade e recortes etnorraciais — com exceção de mulheres indígenas, que não participaram da amostra.

Autonomia financeira é a prioridade mais citada

Ao serem questionadas sobre ambições e metas, 37,3% das entrevistadas colocaram a independência financeira no topo da lista. Na sequência, aparecem saúde mental e física (31%) e, depois, a realização profissional.

O levantamento também mostra que a vida afetiva não ocupa posição central entre as prioridades: ter um relacionamento amoroso não figura como meta para a maioria e fica abaixo do patamar de uma em cada dez entrevistadas.

Para a diretora da Consultoria Maya, Paola Carvalho, o tema vai além do consumo e se relaciona com poder de decisão. Segundo ela, a discussão sobre autonomia financeira deve ser entendida como capacidade de escolher caminhos e não apenas como possibilidade de compra.

Paola aponta ainda que a renda própria amplia a margem de segurança e de ação, inclusive para situações delicadas. A autonomia, diz, pode ser determinante para que uma mulher consiga romper um relacionamento abusivo ou melhorar as condições de vida da família. Na avaliação da consultora, trata-se de um requisito para exercer liberdade real de escolha.

Barreiras no emprego e na carreira ainda são relatadas

Embora o trabalho remunerado seja visto por muitas como o principal caminho para conquistar independência, a pesquisa descreve obstáculos que limitam acesso, permanência e progressão na carreira. Entre os pontos mencionados, aparecem entraves culturais e a percepção de que, mesmo com boa formação e currículo, mulheres enfrentam desvantagens no mercado.

Uma das dimensões levantadas pelo estudo é a discriminação em promoções. Entre as participantes, 2,3% afirmaram ter sido deixadas de lado em processos de ascensão profissional, em geral por causa da maternidade.

Nos depoimentos reunidos no material, uma entrevistada descreve uma hierarquia informal que, na visão dela, favorece homens, depois mulheres sem filhos e, por último, mães. Outra participante relata perceber preferência corporativa por promover mulheres que não têm filhos em detrimento das que exercem a maternidade.

Violência psicológica afeta rotina e permanência no trabalho

O levantamento destaca ainda o peso da violência psicológica no ambiente profissional. Mais de sete em cada dez mulheres entrevistadas relataram ter passado por situações desse tipo, que incluem desde comentários sexistas até condutas que minam a credibilidade e a autoridade técnica.

Entre os exemplos citados estão falas que diminuem competências pelo fato de a profissional ser mulher, críticas e ofensas relacionadas à aparência, interrupções constantes durante reuniões, apropriação de ideias e questionamentos reiterados sobre capacidade de execução.

Um dos relatos aponta que, mesmo após aceitar uma proposta de cargo superior, uma entrevistada foi chamada repetidas vezes para justificar se daria conta da nova função. Outro depoimento descreve a tentativa de interferência na decisão profissional, com a sugestão de que a mulher conversasse com o marido antes de confirmar o passo na carreira.

Essas experiências, segundo o texto da pesquisa, levam muitas a considerar abandonar o emprego. E, mesmo quando a desistência não ocorre, o estudo interpreta que a permanência no mercado frequentemente acontece apesar das dificuldades, e não em função de condições plenamente equitativas.

Poucas mulheres chegam ao topo: diretoria e C-level são minoria

A pesquisa também chama atenção para a distribuição de mulheres nos níveis hierárquicos. A maior parte das respondentes está em funções operacionais ou em posições intermediárias, como coordenação e gerência.

No recorte sobre alta liderança, o número é reduzido: apenas 5,6% afirmaram ocupar postos de diretoria ou cargos conhecidos como C-level, que reúnem as funções executivas mais altas dentro das empresas.

Para Paola Carvalho, o dado evidencia como a presença feminina diminui conforme as posições se tornam mais estratégicas. Na avaliação dela, esse afunilamento indica uma estrutura que ainda favorece homens no acesso aos espaços de decisão.

O que fazer para mudar o cenário

Como caminho para enfrentar o problema, a consultora defende um compromisso amplo dentro das organizações, envolvendo diferentes níveis — de quem está começando a carreira até as lideranças máximas. A proposta é combinar mudanças individuais e institucionais, com revisão de atitudes e práticas no dia a dia corporativo.

Paola afirma que os resultados expõem um cenário que não deveria ser normalizado. Para ela, é alarmante que, mesmo em um contexto recente, a desigualdade e os relatos de violência ainda apareçam com tanta força nos ambientes de trabalho.

Com informações de Isabela Vieira, da Agência Brasil.

Fonte: UrbNews



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