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Uniforme do Brasil 2026: designer da Nike diz sofrer críticas por ser mulher

Rachel Denti afirma que objeções ao projeto da camisa brasileira para Copa de 2026 não apresentaram fundamento semântico ou conceitual sobre trabalho desenvolvido

Por Admin

30 de março de 2026 às 10:00


Uniforme do Brasil 2026: designer da Nike diz sofrer críticas por ser mulher

A Nike apresentou o novo uniforme da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 e, junto com a campanha de divulgação, vieram reações intensas nas redes sociais. No centro do debate, a designer Rachel Denti, que participou do projeto, afirmou que parte das críticas dirigidas a ela não teve relação com o conceito do trabalho, mas com o fato de ser mulher.

A discussão ganhou força depois que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, na quinta-feira (26), uma alteração no uniforme principal. Segundo a entidade, os meiões passarão a exibir apenas a palavra “Brasil”, decisão tomada após a repercussão negativa de elementos divulgados na campanha.

CBF muda detalhe do uniforme após repercussão

A mudança comunicada pela CBF envolveu a inscrição nos meiões. A entidade informou que a versão final do uniforme titular terá somente “Brasil” no item, em resposta ao volume de críticas e comentários que circularam online.

Mesmo com o ajuste, a campanha de lançamento já havia se transformado em tema de memes e questionamentos. Entre os pontos mais citados por torcedores e usuários estavam a expressão usada na comunicação (“Vai Brasa”) e a menção ao tom “amarelo Canary” para se referir à cor da camisa.

Designer afirma que ataques focaram em gênero, não no conceito

Em publicações no LinkedIn, Rachel Denti disse ter percebido um padrão nas reações que recebeu. Para ela, muitas mensagens não discutiam o projeto do uniforme com base em argumentos de linguagem, significado ou direção criativa, mas miravam características pessoais e estereótipos associados a mulheres em ambientes majoritariamente masculinos.

A designer relatou que, após identificar esse direcionamento, passou a lidar com os comentários com menos impacto emocional e até com humor diante de memes e exageros. Ela também respondeu a interações em que seu trabalho era reconhecido, mencionando que a exposição do projeto a um público predominantemente masculino ampliou o tom das críticas.

Rachel afirmou ainda que algumas pessoas deduziram que ela não entenderia de futebol. Em uma das respostas, disse que estilo pessoal e forma de se vestir não determinam se alguém acompanha ou não o esporte, e que avaliações sobre produtos variam conforme o gosto de cada público.

“Amarelo Canary”: o que a designer explicou

Outro ponto que gerou ruído foi a referência ao “amarelo Canary” usada durante a divulgação. Rachel esclareceu que a Nike trabalha com um catálogo próprio de cores e que “Canary” é o nome interno atribuído ao amarelo de referência historicamente associado à camisa do Brasil.

Segundo ela, o comentário na campanha tinha intenção informativa, como curiosidade sobre a escolha do tom entre as opções disponíveis na paleta da marca, e não como tentativa de rebatizar ou descaracterizar a identidade visual da seleção.

Quem é Rachel Denti e sua trajetória profissional

Rachel Denti mora em Portland, nos Estados Unidos, onde atua na Nike. Ela está na empresa há mais de cinco anos, trabalhando com design ligado a produtos da marca. Nas redes profissionais, ela se apresenta como diretora de arte, designer gráfica e ilustradora.

Em sua biografia, afirma ocupar a função de líder de design de vestuário para uma equipe voltada à região Ásia-Pacífico e América Latina (APLA), com foco em coleções hiperlocais e orientadas por tendências.

Na formação acadêmica, Rachel é graduada em design gráfico pela Universidade de Brasília (UnB) e também estudou artes na Royal Academy of Arts da Holanda (KABK). Antes da Nike, trabalhou e estagiou em diferentes organizações, incluindo experiências no Senado Federal e no Sebrae, além de passagens por estúdios e projetos na área criativa.

Reação de profissionais de criação divide opiniões

A polêmica também mobilizou comentários de profissionais do setor. O designer e estilista Leandro Wollick, da Fakini, criticou o slogan “Vai, Brasa!” e afirmou que a avaliação negativa, nesse caso, seria “fato e não opinião”. Ele também defendeu que atribuir as críticas ao “artifício de ser mulher” seria inadequado e opinou que, se a autora fosse um homem, a cobrança poderia ser ainda mais dura.

Já Pedro Villas Bôas, diretor de arte da Ezcuzê, avaliou que mencionar “amarelo Canary” ao apresentar a camisa foi uma decisão “meio inconsequente”. Ao mesmo tempo, disse que, fora isso, parte das reações parecia buscar problemas menores em detalhes.

Em outra direção, a diretora criativa Carol Saravalli, do Coletivo Navegante, publicou um texto em apoio a Rachel. No conteúdo, afirmou que a designer seria criticada por aspectos de aparência e estereótipos ligados a militância, e elogiou o resultado do uniforme, citando referências de brasilidade e qualidade de texturas. Rachel agradeceu o apoio e reiterou que, na avaliação dela, o foco do ataque não estava nos termos usados na campanha, mas em questões pessoais relacionadas a gênero.

Debate sobre futebol, marketing e redes sociais

O episódio expõe como lançamentos ligados à seleção brasileira costumam gerar reações rápidas e polarizadas, especialmente quando envolvem marketing, linguagem publicitária e símbolos nacionais. Também evidencia a pressão sobre profissionais que assinam ou representam publicamente projetos de grande alcance.

Enquanto a CBF ajusta elementos do uniforme após a repercussão, a discussão segue dividida entre críticas ao slogan e à comunicação da campanha e denúncias de ataques pessoais que extrapolam o debate sobre design. Para Rachel Denti, entender a natureza das reações foi decisivo para seguir a rotina e o trabalho apesar do volume de comentários nas redes.

Fonte: UrbNews



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