Incentivo à educação
Por Admin
13 de março de 2026 às 14:55
Um levantamento do Centro de Evidências da Educação Integral aponta que o programa federal Pé-de-Meia tem potencial para frear a evasão no ensino médio. Segundo a análise, cerca de um em cada quatro jovens que deixariam a escola tende a permanecer estudando por causa do incentivo financeiro oferecido pela política.
O estudo foi conduzido pelo Centro de Evidências da Educação Integral, iniciativa formada a partir de uma parceria entre Insper, Instituto Sonho Grande e Instituto Natura. O objetivo foi estimar se programas de bolsas e transferências voltados a estudantes — tanto federais quanto estaduais — influenciam a conclusão do ensino médio e contribuem para reduzir o abandono escolar.
De acordo com os resultados, a taxa de evasão escolar projetada sem o Pé-de-Meia seria de 26,4%. Com a implementação do programa, a taxa estimada cai para 19,9%, uma redução expressiva no indicador considerado um dos principais gargalos da etapa final da educação básica.
A pesquisa compara cenários e projeta os efeitos do incentivo sobre a decisão do estudante de continuar frequentando as aulas. A conclusão central é que a ajuda financeira funciona como um estímulo relevante para segurar parte dos alunos na rede pública, especialmente em contextos de maior dificuldade econômica.
No recorte por unidade da federação, o Ceará aparece como o estado com maior impacto estimado do Pé-de-Meia. O estudo indica que, por lá, a evasão teria uma queda de 10 pontos, o melhor desempenho entre os 27 estados analisados.
Na outra ponta, o Paraná foi apontado como o estado onde o programa apresenta o menor efeito na redução do abandono escolar. O material não detalha, no texto-base, os percentuais por estado além desses destaques, mas ressalta a diferença de impacto entre as redes.
Um dos achados enfatizados pelos autores é que os ganhos do Pé-de-Meia tendem a ser mais fortes em regiões onde as famílias enfrentam maior vulnerabilidade social. Na prática, isso sugere que o incentivo pode aliviar barreiras financeiras que contribuem para a saída precoce da escola, como necessidade de trabalhar, custos indiretos para estudar e instabilidade de renda no domicílio.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta um limite importante: estados que já exibiam taxas elevadas de evasão antes da política não necessariamente registram as maiores quedas após a implementação. Com isso, a medida pode reduzir o abandono em diferentes graus, mas não garante diminuir as distâncias entre as unidades da federação no ranking de evasão.
Os resultados do levantamento serão publicados no livro “Bolsas de estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante”, com lançamento previsto para sexta-feira (13). A obra reúne a análise e a estimativa de efeitos do programa e é assinada por Ricardo Paes de Barros (um dos idealizadores do Bolsa Família), Laura Muller Machado (colunista da Folha), Samuel Franco e Laura de Abreu.
O trabalho se propõe a discutir como políticas públicas de incentivo financeiro podem alterar trajetórias educacionais, reduzindo a probabilidade de abandono antes da conclusão do ensino médio.
Criado em 2024, o Pé-de-Meia é uma política de incentivo estudantil voltada a alunos do ensino médio da rede pública. A iniciativa oferece apoio financeiro para estimular a permanência na escola e a conclusão dessa etapa, considerada decisiva para o acesso a melhores oportunidades no mercado de trabalho e na educação superior.
Além do pagamento ao longo do período letivo, o programa prevê bonificações anuais, depositadas em formato de poupança a cada ano concluído. A lógica do desenho é combinar reforço imediato de renda com um estímulo de médio prazo, criando motivos adicionais para o estudante avançar série a série até o final do ciclo.
Para especialistas, iniciativas desse tipo costumam ter impacto maior quando articuladas a outras estratégias, como busca ativa de alunos faltosos, reforço escolar, apoio psicossocial e melhoria de infraestrutura. Ainda assim, os dados estimados pelo estudo indicam que o Pé-de-Meia pode ser um componente relevante na redução do abandono, principalmente onde a pressão econômica sobre as famílias pesa mais na decisão de deixar a escola.
Fonte: UrbNews
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