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Ex-marido de Maria da Penha vira réu por suposta campanha de ódio

Grupo falsificou documentos públicos e esquematizou ações de perseguição e intimidação contra a cearense de 81 anos

Por Admin

10 de março de 2026 às 12:49


Ex-marido de Maria da Penha vira réu por suposta campanha de ódio

A Justiça do Ceará aceitou, nesta segunda-feira (9), a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) e tornou réus o ex-marido da ativista Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveiros, e outros três homens. O caso envolve a suspeita de uma campanha coordenada de ataques e intimidação direcionada à cearense, referência nacional no enfrentamento à violência doméstica.

De acordo com a acusação, o grupo teria se articulado a partir da divulgação do documentário “A Investigação Paralela: o Caso da Maria da Penha”. A produção é citada na denúncia como peça central de uma estratégia para alimentar hostilidades e reforçar narrativas em defesa de Heredia, condenado no passado por tentativa de homicídio contra a ex-esposa.

O que diz a denúncia do MP do Ceará

Segundo o MPCE, a suposta campanha foi estruturada com o uso de um laudo adulterado do exame de corpo de delito de Marco Heredia. A intenção, conforme a denúncia, seria induzir o público a crer que ele não teria responsabilidade nas acusações relacionadas às tentativas de homicídio contra Maria da Penha.

A acusação aponta que o material foi empregado para sustentar versões alternativas do caso e, ao mesmo tempo, impulsionar ataques contra a vítima. A Justiça, ao receber a denúncia, abriu a ação penal e formalizou o status de réus para os investigados.

Quem são os réus e quais crimes são atribuídos

Além de Marco Antônio Heredia Viveiros, também respondem ao processo:

Alexandre Gonçalves de Paiva, influenciador; Marcus Vinícius Mantovanelli, produtor do documentário; e Henrique Barros Lesina Zingano, editor e apresentador da obra audiovisual citada na investigação.

No enquadramento descrito pelo MPCE, Heredia passou a responder por falsificação de documento público. Mantovanelli e Zingano foram denunciados por uso de documento falso. Já Alexandre Paiva é acusado de intimidação sistemática e perseguição, delitos associados a práticas reiteradas de assédio e constrangimento.

Grupos no WhatsApp e organização das ações

A denúncia afirma que os quatro mantinham grupos no WhatsApp usados para combinar ações ligadas à suposta campanha de ódio. A partir dessas conversas, segundo o Ministério Público, eram planejadas abordagens, publicações e iniciativas voltadas a atacar a imagem de Maria da Penha e a pressioná-la.

Um dos episódios citados envolve a ida de Alexandre Paiva a Fortaleza com a finalidade de “incomodar dona Maria da Penha”, conforme áudio mencionado na investigação e compartilhado em um dos grupos atribuídos aos acusados.

Operação “Echo Chamber” e medidas anteriores

Alexandre Paiva já havia sido alvo de buscas na operação “Echo Chamber”, conduzida no contexto da apuração sobre os ataques. Na ocasião, a investigação levou à apreensão de documentos eletrônicos e também à suspensão do perfil dele em redes sociais, segundo as informações reunidas no inquérito.

Com a denúncia agora recebida pela Justiça, o caso avança para a fase processual, quando as defesas poderão apresentar suas versões e contestar as acusações. A decisão de acolhimento, por si só, não representa condenação, mas indica que o Judiciário identificou elementos mínimos para a abertura da ação penal.

Relembre o caso Maria da Penha

O caso que tornou Maria da Penha um símbolo nacional ocorreu em 1983. Naquele ano, ela sofreu duas tentativas de homicídio atribuídas ao então marido, Marco Antônio Heredia Viveiros.

Na primeira, Maria da Penha foi atingida por um disparo nas costas enquanto dormia. Ela ficou paraplégica em consequência do ataque. À época, Heredia alegou que os ferimentos teriam ocorrido durante uma tentativa de assalto.

Quatro meses depois, já em recuperação após procedimentos cirúrgicos, Maria da Penha sofreu uma segunda tentativa de homicídio, quando teria sido vítima de uma tentativa de eletrocussão em casa, segundo o relato do caso.

Em 1996, Heredia foi condenado a 10 anos e seis meses de prisão. A pena, porém, não foi cumprida naquele momento porque a defesa apontou supostas irregularidades no julgamento, conforme consta no histórico do processo.

Impacto do processo e contexto de combate à violência

O novo processo ocorre em um momento em que autoridades e organizações reforçam a atenção sobre crimes de perseguição, assédio e ataques coordenados, inclusive no ambiente digital. Para investigadores, a combinação entre desinformação, documentos e campanhas organizadas pode ampliar danos a vítimas e influenciar a opinião pública.

A tramitação da ação deve detalhar o papel de cada réu, o uso do laudo citado e a dinâmica de atuação descrita pelo MPCE. O caso segue sob acompanhamento judicial no Ceará.

Fonte: UrbNews



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