Olho no Brasil

Brasil

Mercado de emagrecimento

EMS prevê concorrente do Ozempic até setembro, após aval da Anvisa

Com a queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, as canetas emagrecedoras poderão ser vendidas por outras empresas que tenham registro da Anvisa

Por Admin

11 de março de 2026 às 09:00


EMS prevê concorrente do Ozempic até setembro, após aval da Anvisa

A farmacêutica EMS planeja colocar no mercado brasileiro uma alternativa ao Ozempic até setembro. O cronograma, porém, depende da conclusão do processo regulatório: a empresa aguarda a autorização sanitária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e estima que a resposta possa sair nos próximos 60 dias.

A movimentação ocorre em meio à expectativa do setor de que a patente da semaglutida — molécula usada no Ozempic — deixe de valer ainda em março. Com o fim da proteção patentária, outras fabricantes podem disputar esse mercado, desde que obtenham registro na Anvisa para produzir e vender suas versões no país.

Registro na Anvisa define o cronograma

Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS no Brasil, afirma que a empresa já tem um pedido em análise na Anvisa. Segundo ele, após a eventual aprovação, existe um intervalo adicional necessário para a preparação industrial e a chegada efetiva do produto às farmácias.

Na projeção apresentada pelo executivo, a combinação entre a decisão da agência em até dois meses e o período de implementação permitiria que a nova caneta para controle de peso e diabetes chegasse ao consumidor em setembro.

Fim da patente pode abrir espaço para novas canetas de semaglutida

A queda da patente tende a ampliar a competição em um segmento que cresceu rapidamente com a popularização de canetas indicadas para obesidade e diabetes, como Ozempic e Wegovy. Ainda assim, o fim da proteção intelectual, por si só, não libera automaticamente a venda: cada produto precisa passar pelo rito regulatório e ter aval sanitário.

No caso da EMS, a estratégia é aproveitar a janela de mercado para concorrer com o medicamento de referência, mirando demanda tanto de pacientes com obesidade quanto de pessoas com diabetes, públicos frequentemente associados às terapias baseadas em agonistas de GLP-1.

Investimento de R$ 1,2 bilhão em tecnologia de canetas de GLP-1

Sanchez afirma que a EMS tomou, há cerca de 12 anos, a decisão de investir para dominar a tecnologia ligada às canetas de GLP-1, que hoje estão no centro do mercado de medicamentos para perda de peso. De acordo com ele, o volume investido ao longo do período soma aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

O executivo diz que a aposta foi feita sem que se previsse a dimensão que o segmento teria anos depois, especialmente com a explosão de demanda por tratamentos com GLP-1 e moléculas relacionadas.

Atualmente, a EMS já atua nessa categoria ao comercializar liraglutida, princípio ativo associado ao Saxenda.

Preço: expectativa é de 20% abaixo do produto de referência

Um dos pontos centrais da estratégia da EMS é preço. A empresa projeta que sua caneta chegue ao mercado com valor cerca de 20% menor do que o medicamento de referência. Para o executivo, a tendência é que essa diferença aumente com o passar do tempo.

Entre os fatores citados para uma redução adicional estão a queda no custo de matérias-primas, a entrada de mais concorrentes e a diminuição de margens na cadeia, num movimento que ele descreve como uma “reorganização da produção”. A própria companhia já mencionou potencial para um recuo que poderia alcançar 35% no futuro.

Uso contínuo e tamanho do mercado no Brasil

Apesar do avanço das vendas, Sanchez afirma que ainda é complexo estimar com precisão o tamanho do mercado brasileiro de canetas emagrecedoras, principalmente porque esses medicamentos atendem diferentes perfis de pacientes e, em muitos casos, exigem tratamento prolongado.

O executivo relata ser usuário desse tipo de caneta e afirma ter perdido 35 quilos. Na avaliação dele, uma parcela pequena consegue interromper o uso apenas com mudanças intensas de estilo de vida. Por isso, ele considera que se trata, para a maioria, de um tratamento de continuidade, o que influencia a demanda e a dinâmica comercial do setor.

Compra da Medley e disputa entre genéricos e prescritos

A EMS também está no centro de outra movimentação relevante no mercado farmacêutico: a aquisição da Medley, fabricante de genéricos que pertencia à francesa Sanofi. O negócio ainda precisa do aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Segundo Sanchez, hoje a receita da EMS se divide de forma relativamente equilibrada entre genéricos e medicamentos de prescrição. Caso a compra seja aprovada, a participação dos genéricos tende a aumentar. Ao mesmo tempo, a entrada mais forte no segmento de canetas de GLP-1 poderia voltar a equilibrar esse mix de faturamento, com maior peso para produtos de prescrição.

Faturamento do setor cresce com canetas emagrecedoras

O avanço das canetas para perda de peso tem impactado números do varejo farmacêutico. No ano passado, as empresas que atuam nesse segmento no Brasil somaram faturamento de R$ 128,6 bilhões, com alta de 12% sobre 2024. Entre os motores desse crescimento estiveram as vendas de canetas como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.

No recorte da EMS, a marca registra faturamento de R$ 7 bilhões, enquanto o grupo totaliza R$ 10 bilhões. A companhia aposta que a entrada em semaglutida, caso o registro seja confirmado, pode reforçar sua posição em um dos mercados mais disputados da indústria farmacêutica no momento.

Com informações de Flavia Lima, da Folhapress.

Fonte: UrbNews



Olho no Brasil