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Anvisa amplia uso de medicamentos para lúpus e esclerose múltipla em jovens

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (20), a ampliação do tratamento de lúpus e esclerose múltipla para para crianças e adolescentes por meio de medicamentos. A medida foi publicada no Diário Oficial da Uniã

Por REDAÇÃO

21 de julho de 2026 às 13:29 ▪ Atualizado há 4 horas


Anvisa amplia uso de medicamentos para lúpus e esclerose múltipla em jovens

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a ampliação de indicação de dois medicamentos voltados ao tratamento de doenças autoimunes, permitindo o uso em faixas etárias mais jovens. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (20).

A mudança envolve o Benlysta (belimumabe), para casos de lúpus eritematoso sistêmico em crianças, e o Ocrevus (ocrelizumabe), para esclerose múltipla remitente-recorrente em adolescentes que atendam aos critérios definidos.

Benlysta passa a ser opção para crianças com lúpus ativo a partir de 5 anos

Com a atualização aprovada pela Anvisa, o Benlysta passa a poder ser utilizado como tratamento complementar em crianças a partir de 5 anos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo.

O medicamento é destinado a pacientes com alto nível de atividade da doença que já estejam recebendo o tratamento considerado padrão. Entre as terapias usuais estão corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides e outros imunossupressores.

A autorização também contempla versões do produto em caneta aplicadora/autoinjetora. O objetivo é facilitar a rotina terapêutica, reduzindo a necessidade de deslocamento a centros de infusão e ampliando o conforto do paciente e da família. A apresentação intravenosa do Benlysta já tinha aval para uso em público pediátrico.

Ocrevus tem uso ampliado para adolescentes com esclerose múltipla

Outra atualização anunciada na mesma publicação envolve o Ocrevus (ocrelizumabe). A partir da decisão da Anvisa, o medicamento poderá ser indicado para pacientes com 12 anos ou mais e com peso mínimo de 40 kg, no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR).

O produto é um anticorpo monoclonal recombinante, classe de terapia usada para modular respostas do sistema imunológico. Na prática, o medicamento contribui para diminuir a atividade inflamatória associada à doença, o que pode impactar a frequência e a intensidade dos episódios característicos dessa forma de esclerose múltipla.

O que é o lúpus eritematoso sistêmico e quais são os sintomas

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune e inflamatória que pode comprometer diferentes órgãos e tecidos. Entre as áreas afetadas com mais frequência estão pele, articulações, rins e cérebro.

Em quadros graves, a falta de acompanhamento e tratamento adequados pode levar a complicações sérias e, em situações extremas, ao óbito.

Os sinais e sintomas variam, mas incluem febre, rigidez muscular, inchaços, lesões na pele que aparecem ou pioram com a exposição ao sol, linfonodos aumentados e queda de cabelo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o lúpus atinge entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, com maior ocorrência em mulheres de 20 a 45 anos.

O diagnóstico costuma reunir diferentes exames, como hemograma, exame de urina e, em alguns casos, biópsia renal, entre outras avaliações solicitadas pelo médico. O tratamento é descrito como principalmente paliativo, com foco em controlar atividade inflamatória, sintomas e possíveis danos aos órgãos.

O que é a esclerose múltipla remitente-recorrente

A esclerose múltipla é uma doença crônica, inflamatória e autoimune do sistema nervoso central. Nessa condição, o sistema imunológico ataca a mielina, camada que reveste e protege fibras nervosas, interferindo na comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

Na forma remitente-recorrente, o quadro é marcado por surtos (episódios de novos sintomas neurológicos ou piora dos já existentes), seguidos por períodos de melhora parcial ou completa.

A manifestação antes dos 18 anos é considerada rara e associada a maior gravidade. Entre os sintomas mais relatados estão fadiga intensa, dormência, formigamento, alterações na visão (como visão turva ou visão dupla), fraqueza muscular, desequilíbrio e dificuldades no controle da bexiga.

As causas envolvem combinação de predisposição genética e fatores ambientais que podem atuar como gatilhos, como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico costuma ser conduzido por neurologista, com apoio de exames complementares.

O que muda na prática para pacientes e famílias

Com a ampliação das indicações, a Anvisa abre caminho para que médicos considerem essas opções em pacientes mais jovens dentro dos critérios aprovados. No caso do Benlysta, a inclusão de versões com autoinjetor pode facilitar a logística do tratamento, reduzindo a dependência de idas frequentes a serviços especializados.

As decisões regulatórias não substituem a avaliação clínica individual. A indicação, o acompanhamento e a escolha do esquema terapêutico seguem sob responsabilidade da equipe de saúde, considerando riscos, benefícios e a resposta de cada paciente.

Fonte: Agência Brasil



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