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Crise no Master

Daniel Vorcaro é levado à PF para delação e fica em cela comum

Dono do Banco Master foi transferido nesta quinta-feira (19) para a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal

Por Admin

21 de março de 2026 às 09:00


Daniel Vorcaro é levado à PF para delação e fica em cela comum

O empresário Daniel Vorcaro, apontado como dono do Banco Master, foi transferido nesta quinta-feira (19) do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. O deslocamento ocorreu para que ele participe de tratativas sobre os termos de uma possível delação premiada no inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira.

A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da investigação. A medida atendeu a um pedido apresentado pela defesa de Vorcaro. Segundo o relato, o empresário foi levado de helicóptero até a sede da PF.

Cela de Vorcaro na PF e comparação com custódia de Bolsonaro

Na Superintendência da Polícia Federal, Vorcaro está em uma cela comum, com cama e banheiro, cercada por grades. A situação difere do espaço usado anteriormente para custodiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no mesmo prédio.

Bolsonaro permaneceu em uma área classificada como “sala de Estado”, ambiente sem grades, com banheiro e estrutura voltada a autoridades, incluindo armários, televisão e frigobar. Esse tipo de acomodação é previsto em normas que asseguram tratamento específico a ex-presidentes.

O ex-presidente ficou custodiado na Superintendência da PF até janeiro deste ano. Depois, foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, em uma área conhecida como Papudinha.

Por que Vorcaro foi transferido: negociação de delação premiada

A ida de Vorcaro à Polícia Federal ocorre em meio a discussões sobre colaboração premiada. A delação, se concretizada, pode detalhar elementos do inquérito sob relatoria de Mendonça, que trata de suspeitas relacionadas ao Banco Master.

De acordo com informações divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Vorcaro tem sinalizado que não pretende citar ministros do Supremo em eventual acordo ligado ao caso. Ainda segundo a coluna, ele teria dito que isso só aconteceria se fosse inevitável.

Prisões: da tentativa de viagem ao exterior à operação Compliance Zero

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para fora do país. A Polícia Federal levantou a suspeita de que ele poderia estar tentando deixar o Brasil para evitar a investigação.

Na ocasião, o empresário sustentou que a viagem teria como objetivo buscar investidores interessados na compra do Banco Master. Ele foi solto dez dias depois.

Mais tarde, voltou a ser preso em 4 de março deste ano. A detenção ocorreu durante uma fase da operação Compliance Zero, ação policial que também atingiu servidores do Banco Central, ampliando o alcance das apurações sobre o sistema financeiro.

Mudança na defesa e entrada de Juca Oliveira Lima

Na semana passada, Vorcaro anunciou mudanças na equipe jurídica e repassou poderes ao advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca. O criminalista é conhecido por atuar em negociações complexas de delação premiada.

Entre os casos de maior repercussão, Juca conduziu a colaboração do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro no contexto da Operação Lava Jato. Também defendeu o ex-ministro José Dirceu durante o julgamento e os desdobramentos do escândalo do mensalão, em 2012.

Além disso, o advogado representou o general Braga Netto, ex-ministro do governo Bolsonaro, em procedimento relacionado à investigação sobre tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Impacto do Banco Master: liquidação e perdas bilionárias

O Banco Master foi liquidado pela autoridade monetária em novembro. Desde então, o caso passou a ser acompanhado de perto por entidades do sistema financeiro e por investidores, devido aos efeitos atribuídos à instituição.

Conforme os dados citados no relato, a crise do Master já teria provocado perdas superiores a R$ 50 bilhões para diferentes organizações. Entre as afetadas estão o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e fundos de pensão, o que ampliou a dimensão do episódio para além do setor bancário.

Com a transferência à PF e a abertura de conversas sobre delação, a expectativa é que o andamento do inquérito ganhe novos desdobramentos nos próximos dias, a depender do conteúdo e do alcance de um eventual acordo de colaboração.

Com informações de Rachel Lopes, da Folhapress.

Fonte: UrbNews



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