Articulação partidária no CE
Por Admin
20 de março de 2026 às 00:32
O deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil) afirmou que ficará à frente da federação União-PP no Ceará. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Estado CE e, segundo o parlamentar, a definição ocorreu após uma reunião realizada na quarta-feira (18) com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira.
A formalização da federação no âmbito eleitoral ainda depende de homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevista para 26 de março. A partir desse reconhecimento, as siglas passam a atuar de maneira conjunta, com estrutura e decisões compartilhadas, respeitando as regras do modelo.
De acordo com Moses, o entendimento construído com as lideranças nacionais estabeleceu que ele assumirá a presidência da federação no Ceará. O deputado disse que contará com o suporte político da deputada Fernanda Pessoa e do deputado AJ Albuquerque.
AJ Albuquerque, conforme o relato, participou do encontro em que o tema foi tratado com as direções nacionais. A articulação, segundo Moses, também mira a organização das chapas proporcionais para as eleições, com a intenção de ampliar a presença do grupo na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
O deputado afirmou que a federação União-PP no Ceará seguirá a linha de apoio ao governador Elmano de Freitas (PT). Na avaliação de Moses, o movimento envolve a construção de uma nominata competitiva para deputado federal e deputado estadual, incorporando o bloco à base aliada no estado.
Na entrevista, o parlamentar projetou metas de bancada: eleger cinco deputados federais e oito estaduais, resultado que, segundo ele, fortaleceria o arco de sustentação do governo estadual. A estratégia passa por atrair candidaturas e organizar o time proporcional dentro do novo arranjo partidário.
A sinalização de Moses redesenha o cenário político cearense porque contrasta com o caminho defendido pelo comando atual do União Brasil no estado. O partido é presidido no Ceará por Capitão Wagner, que vinha sustentando o compromisso de apoiar uma candidatura de oposição ao governo estadual.
Esse compromisso envolvia a aproximação com Ciro Gomes, que preside o PSDB no Ceará e já foi apontado como peça central de uma estratégia para consolidar um palanque oposicionista à gestão de Elmano de Freitas. O plano em discussão incluía, ainda, a possibilidade de ampliar a frente com a adesão do PL, criando um bloco mais robusto para enfrentar a base governista.
Com a indicação de que a federação União-PP caminhará com Elmano, o desenho anterior perde força, ao menos dentro do novo agrupamento, e coloca em evidência disputas sobre a condução política e os alinhamentos para 2026 no estado.
Moses Rodrigues também defendeu que a federação tenha margem para tomar decisões no Ceará a partir das particularidades locais. Segundo ele, o argumento levado aos presidentes nacionais foi o de que a condução estadual precisa avaliar qual arranjo seria mais adequado ao “projeto” no estado, desde que respeitadas as orientações gerais definidas no plano nacional.
Na prática, o deputado descreve um modelo em que a estratégia macro é definida pela direção nacional, enquanto os estados buscam acomodar suas realidades políticas. A interpretação sobre até onde vai essa autonomia tende a ser um ponto sensível, especialmente quando há compromissos anteriores e interesses de grupos regionais distintos.
A data de 26 de março, quando o TSE deve homologar a federação, é tratada como marco para a consolidação do novo arranjo. A partir daí, a tendência é que a direção estadual formalize sua estrutura e acelere as conversas para montagem de chapas, articulação com aliados e definição de prioridades.
Com o anúncio de Moses, o foco se volta para como a federação vai administrar as divergências internas e como ficará o reposicionamento do União Brasil no Ceará diante do histórico recente do partido no estado. A depender das decisões e da capacidade de acomodação, a movimentação pode influenciar alianças, palanques e a composição das forças políticas locais nos próximos ciclos eleitorais.
Fonte: UrbNews
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