Corrida ao Planalto
Por Admin
31 de março de 2026 às 23:11
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), oficializou nesta segunda-feira (30) sua pré-candidatura à Presidência da República. O anúncio, feito em São Paulo, recoloca no debate nacional um nome que já tentou chegar ao Palácio do Planalto no passado e que agora busca espaço em um cenário marcado pela polarização.
A movimentação também reabre um capítulo antigo da política brasileira: a eleição de 1989, quando Caiado disputou a Presidência e tinha Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os concorrentes. Na época, o goiano era menos conhecido fora do seu estado e terminou o pleito distante dos primeiros colocados.
Em 1989, Caiado concorreu ao Planalto aos 40 anos e enfrentou uma disputa com muitos candidatos. Lula, então com 44 anos, era um dos postulantes e acabaria chegando ao segundo turno, derrotado por Fernando Collor, vencedor daquela eleição.
O desempenho de Caiado nas sondagens à época foi alvo de um episódio que ganhou repercussão em debate exibido pela TV Band antes do primeiro turno. Durante o programa, Lula precisaria direcionar uma pergunta a um candidato e escolheu Paulo Maluf. Caiado interveio e pediu que o petista o incluísse na rodada, mas a resposta de Lula virou uma frase lembrada desde então: ele disse que só faria a pergunta quando Caiado “crescesse” e mencionou a marca de 1,5% nas pesquisas.
No resultado final daquela eleição, Caiado terminou em 10º lugar, com 0,72% dos votos. Àquela altura, o então candidato se defendia na televisão dizendo que, nas grandes cidades, era frequentemente visto como “o candidato do interior”, em referência ao seu perfil mais conhecido em Goiás e ao sotaque marcado.
Agora, décadas depois, Caiado retorna ao mesmo campo de disputa e volta a dividir o ambiente eleitoral com Lula. Desta vez, segundo o recorte citado na pré-campanha, também aparece no mesmo cenário com Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com o último levantamento do Datafolha mencionado no anúncio, Caiado registra 4% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno com Lula e o bolsonarista. O número indica que o governador inicia a jornada em busca de visibilidade nacional, enquanto tenta ampliar sua competitividade fora de Goiás.
Em discurso nesta segunda-feira (30), ao comentar a presença de Flávio Bolsonaro no cenário político, Caiado afirmou que o “ímpeto dos jovens” não basta e que a administração pública não se resolve “na queda de braço”. A fala foi interpretada como uma tentativa de se colocar como alternativa com experiência executiva.
A pré-candidatura foi apresentada na sede do PSD, em São Paulo, pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. A decisão encerra um período de disputa interna pela condição de principal nome da sigla para 2026.
Nos bastidores, Caiado buscava a chancela do PSD em concorrência com outros governadores. O paranaense Ratinho Junior chegou a ser citado como possível opção, mas desistiu de concorrer. Já Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, criticou a definição e avaliou que a escolha pode reforçar a “polarização radicalizada” que, segundo ele, tem travado o país.
Médico e político com longa experiência legislativa, Caiado acumulou cinco mandatos como deputado federal e um como senador. A virada para o Executivo ocorreu em 2018, quando venceu a eleição para o governo de Goiás. Em 2022, foi reeleito.
A mudança partidária que o levou ao PSD ocorreu neste ano. Caiado deixou o União Brasil em janeiro, após não conseguir apoio interno suficiente para viabilizar sua candidatura presidencial, e migrou para o partido de Kassab, onde passou a articular o projeto nacional.
Na política nacional, Caiado teve momentos de aproximação e distanciamento em relação a Jair Bolsonaro. Durante a pandemia de Covid-19, houve afastamento entre os dois. Nos últimos meses, porém, o governador voltou a se reaproximar do ex-presidente, de olho em um possível apoio eleitoral.
Na cerimônia desta segunda-feira, Caiado afirmou que, caso seja eleito presidente, seu primeiro ato será conceder anistia a Bolsonaro. O ex-presidente, segundo o contexto citado no evento, cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Com o anúncio, o PSD passa a apostar na construção de um nome próprio para o Planalto, enquanto Caiado tenta capitalizar sua experiência administrativa, aumentar o reconhecimento nacional e se posicionar como alternativa em um ambiente político ainda dominado por forças mais conhecidas do eleitorado.
Fonte: UrbNews
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