Saúde e Justiça
Por Admin
27 de março de 2026 às 13:59
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 71 anos, deixou o hospital na manhã desta sexta-feira (27), em Brasília, após cerca de duas semanas de internação. Ele estava em tratamento por broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões, quadro associado a episódios prolongados de soluços, segundo relatos médicos.
Após a alta, Bolsonaro seguiu para sua residência no condomínio Solar de Brasília, na região do Jardim Botânico. No local, continuará cumprindo pena em regime domiciliar por condenação ligada a tentativa de golpe de Estado, medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro estava internado desde 13 de março, quando foi levado ao hospital DF Star depois de passar mal durante a madrugada, enquanto estava detido no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”.
Durante a internação, ele chegou a ficar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas deixou o setor na segunda-feira (23). Em nota divulgada na quinta (26), o hospital informou que o ex-presidente apresentava boa evolução clínica e não havia sinais de infecção aguda naquele momento.
Apesar da melhora, o médico Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente, afirmou que não é possível cravar cura completa da pneumonia. Segundo ele, a etapa hospitalar foi concluída, mas o tratamento seguirá fora do hospital.
De acordo com Caiado, Bolsonaro continuará em casa com fisioterapia respiratória, fisioterapia motora e reabilitação cardiopulmonar. A equipe médica prevê um novo controle por tomografia em cerca de quatro semanas.
O médico também estimou que Bolsonaro retorne ao hospital no fim de abril para realizar uma artroscopia no ombro. Ainda conforme o relato feito a jornalistas após a alta, o ex-presidente estava mais silencioso nesta sexta-feira e seu estado emocional varia de acordo com notícias e expectativas em relação à saúde.
A ida de Bolsonaro para casa foi autorizada na terça-feira (24), quando Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária pelo período de 90 dias. Ao final do prazo, a decisão prevê nova avaliação sobre a necessidade de manutenção do benefício, com possibilidade de perícia médica, se for considerada necessária.
Entre as medidas impostas, Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica. Além disso, está proibido de utilizar redes sociais e também não poderá gravar áudios ou vídeos durante o período de restrições.
Em casa, o ex-presidente voltará a conviver com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha Laura, de 15 anos, e a enteada Letícia Firmino.
As visitas autorizadas incluem os filhos — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) — além dos advogados. Para os filhos, a regra segue a lógica aplicada quando ele estava na Papudinha, com visitas às quartas-feiras e aos sábados, das 8h às 16h.
Já a equipe de defesa poderá se reunir com Bolsonaro diariamente por 30 minutos, desde que haja agendamento prévio junto ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Nesse contexto, Flávio, que também é advogado, foi incluído formalmente na defesa do pai.
Nos bastidores, dirigentes do PL e aliados do campo da direita avaliam que, em casa, Bolsonaro pode ganhar mais condições de conversar com interlocutores e atuar politicamente com maior conforto, inclusive em diálogo frequente com Flávio.
Ao mesmo tempo, há preocupação entre lideranças do centrão e de partidos conservadores de que o ex-presidente aumente sua interferência na estratégia do senador, o que poderia dificultar alianças e acordos sinalizados por Flávio.
Também existe receio de que Bolsonaro extrapole o limite nas conversas políticas e forneça elementos para que o STF reavalie a concessão da domiciliar e determine novas medidas mais rígidas.
Dentro do próprio campo bolsonarista, integrantes citam que Michelle tende a ter influência ampliada sobre decisões do ex-presidente durante o período em casa. Parte dos aliados interpreta esse movimento como potencial fator de atrito com Flávio, enquanto outros consideram que Bolsonaro pode atuar como ponte para reaproximar a ex-primeira-dama do filho.
A decisão judicial permite que médicos tenham acesso livre à casa do ex-presidente, sem necessidade de autorização prévia. Estão listados entre os profissionais autorizados Brasil Caiado, o cirurgião-geral Cláudio Birolini, o cardiologista Leandro Echenique, o dermatologista Erasmo Tokarski e Luciana Tokarski, da clínica Dr. Erasmo Tokarski.
O fisioterapeuta Kleber de Freitas também poderá realizar sessões na residência às segundas e quintas-feiras e aos sábados, das 19h30 às 20h30.
Bolsonaro foi levado à superintendência da Polícia Federal em novembro de 2025, quando cumpria prisão domiciliar, após um episódio em que tentou romper a tornozeleira eletrônica. Na ocasião, ele alegou ter vivido um surto e uma crise de paranoia. Depois, acabou transferido para a Papudinha, de onde saiu para a internação em março.
Informações atribuídas à Folhapress.
Fonte: UrbNews
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